— Suda e Marciano fica ai tomando conta do velho, que a gente vai levar o filho pra dar um passeio. Vai falando com o patrão ai. — Falou o M7, já saindo do lugar dele. Eu peguei o playboy pelo braço, tirando ele no carro. Fui puxando ele trilha a dentro, já que ele tava vendado, e o Misael ia iluminando o caminho com a lanterna do celular. Andamos uns minutos pelo caminho demarcado e depois saímos dele, entrando pra dentro da mata crua uns metros. Ali, ele mandou o homem ajoelhar e eu tirei a venda dele. O pano estava molhado com o que só podia ser suor e lágrimas, meu coração ficou apertado pra caralho. Eu não queria ter que fazer isso, mano. Ele não tinha feito nada pra mim. Na real, eu nem sabia porque ele tava morrendo...
O gerente abrigou ele a ajoelhar na nossa frente na base da força bruta mesmo e agora, sem a venda, eu podia ver como ele estava realmente chorando muito e porra, não tinha como eu não me comover com a situação. Ele provavelmente só não tava pedindo pela vida porque tava amordaçado forte pra cacete.
— Por que tu tirou a venda, cara? — Perguntei, meio irritada, pegando a pistola. — Não tem pra que deixar o cara ver que vai morrer
— Tá com pena desse filho da puta ai? Leva pra tua casa, po. — Respondeu com toda a grosseria do mundo, se afastando de mim. — Bora, passa esse merda ai de uma vez.
Os gemidos de agonia dele me deixaram arrasada e eu não consegui só meter uma bala nele, enquanto ele me olhava com medo daquele jeito. Eu dei a volta, parando na frente dele, que tava com as mãos apoiadas no chão e curvado como um cachorro.
— Fecha o olho ai, cara. — Pedi em um sussurro, mas ele nem me escutou. Continuou olhando pra mim em pânico. Não ia ter jeito. Eu queria fazer de um jeito misericordioso pelo menos. — Que Deus te receba no céu e me perdoe pelo que eu tô fazendo aqui. — Falei baixo, engatilhando a arma. Foi nessa hora que ele me surpreendeu pra caralho, pulando pra cima de mim e agarrando minha pernas, me levando pro chão junto com ele e me dando um soco que pegou na lateral da minha mandíbula. Eu gritei com o susto e minha pistola voou pra um ponto acima da minha cabeça. Ele ficou de 4, querendo correr pra pegar minha arma antes que eu pudesse e assim que ele se esticou por cima de mim, eu chutei o saco dele com uma das pernas. Aproveitei que o playboy se retraiu com a dor e dei uma joelhada nele, seguido de um soco na lateral de barriga, que fez ele cair pro lado. Ai sim, eu virei e corri pra pegar minhas arma. Tudo rolou no mais puro instinto, eu não tinha como pensar em nada daquelas coisas antes de realmente fazer, já que se passou num piscar de olhos. Eu não imaginava que ele ia resistir, nem que eu precisaria lutar com ele, mas agora eu estava dando graças à Deus à ideia de fazer aulas de Muay Thai. O tempo que eu passava no tatame às segundas, quartas e sextas, durante a noite, tinha acabado de salvar a porra da minha vida. Eu sabia onde bater pra conseguir paralisar ele com a dor.
Eu e ele tínhamos rolado no meio daquelas folhas e da lama da mata, então, quando eu me levantei do chão de novo, eu tava suja da cabeça aos pés... mas eu estava armada também. Quando ele tentou se levantar de novo, para vir pra cima de mim, eu atirei duas vezes no peito dele, sentindo o meu rosto arder com a violência daquela situação. O loirinho caiu morto na minha frente.
Apoiei a mão nos joelhos, puxando o ar com força e sentindo o oxigênio me faltar. Olhei pra frente, vendo Misael na mesma posição, sem se alterar um centímetro sequer. Foi ali que eu notei que ele tava me observando e que não iria me ajudar nem se o cara tivesse prestes a me matar. Aquele filho da puta infeliz, o ódio me subiu quente como o fogo e eu quis dar na cara dele.
— Tu não ia me ajudar? — Perguntei com raiva, em um volume baixo.
— Eu ia matar ele, se tu morresse porque foi burra e teve piedadezinha de um merda desses ai. — Falou de uma vez, com um tom arrogante na voz. — Nessa porra de vida ninguém tem pena da gente não, garota. Se tu dormir no ponto, tu é engolida.
Eu ia rebater, quando ele tirou uma faca afiada da cintura e ergueu na minha direção. Eu senti uma lágrima grossa de ódio descer pelo meu rosto nessa hora.
— Eu não vou fazer isso. — Falei de uma vez, me afastando dele.
— Vai fazer sim, porra. Tu é a frente da porra da missão, tu quem vai levar a cabeça dele pro Caburé. — E foi atrás de mim, agarrando meu pulso com força pra caralho e botando a faca na minha mão. Eu a deixei cair de primeira, pelo susto, e ele virou a minha cara com um tapa tão forte que me fez cair no chão. — Pega esse caralho e faz, se não, tu fica aqui e morre com esse pau no cu ai. Bora, decide.
Minha respiração estava descompassada e eu sentia os batimentos do meu coração embalar o meu corpo inteiro com o seu ritmo acelerado. Não, mano, eu não ia morrer ali, não hoje nessa porra. Peguei a faca e fui até o corpo, sabendo que eu tava tremendo mais que vara verde. Ajoelhei em cima do playboy, apertando o cabo da ferramenta com força, pra ter alguma firmeza. Eu não fazia a menor ideia do que eu tava fazendo, tava tudo escuro, exceto pela luz do celular do M7, que botou aquela coisa na minha cara, pra que eu conseguisse pelo menos enxergar o que eu tava fazendo. Eu estava com medo, sentindo um pânico crescendo dentro do meu peito como uma bola de neve. Eu só queria acabar aquilo de um vez.
Foi quando eu meti a faca na carne do pescoço do cara e logo no primeiro corte, o sangue jorrou com pressão, espirrando pra todo o lado. No segundo seguinte, eu tava banhada daquele líquido vermelho, suja dos pés à cabeça, enquanto tentava ignorar aquela cascata nojenta e me focar em continuar cortando. Eu sabia que algumas lágrimas se juntavam ao escarlate que estava pelo meu rosto todo, assim, eu tinha que parar alguma vezes para limpar a minha bochecha com as costas da mão, que estavam ainda mais imundas que todos o resto. Era uma lambança...
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Amor na Guerra
Romanceㅤㅤ ㅤ"Geral quer ser rei, conspiram pro tempo que não espera. Impérios caem com novos reis, os tempos passam a ser de guerra." MC Marechal ㅤㅤ ㅤO sonho do moleque é ser chefe, o do vapor, do gerente e do segurança também é. O sonho do chefe é sobreviv...
