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— Não sei, Barbás. — Falei, me sentindo nervosa. — Mas se ele é frente do PPG deve ser. Minha mãe viveu com ele antes dele ter virado bandido, sacou? Ela me criou sozinha depois e eu não tenho nenhum contato com ele.

— Por isso das fotos. — Falou mais pra si mesmo do que pra mim, ele tava encaixando as peças na própria cabeça. — Ele era parceiro do Caburé que eu tô ligado, por isso o CR tinha tanta coisa contigo. Puta que pariu, porque eu nunca tinha pensado num negócio desses antes?

— Tu conhece ele? — Perguntei.

— Eu lembro dele quando eu era moleque. Ele era daqui, né?!

— Era, ele viveu com a minha mãe aqui. — Contei, engolindo em seco.

Ele não falou mais nada, só bebeu e eu fiquei ali, morrendo de medo dele me afastar. Fiquei calada e deixei ele digerir aquelas coisas todas. Tinha sido difícil pra mim, eu não imaginava como seria pra ele.

— Eu não tenho contato nenhum com ele, Barbás. Eu não sei nada sobre ele, eu preferia nem ter ficado sabendo. — Então a ignorância era sim uma bênção. — Eu tava com medo de te contar, de você achar que eu...

— Que tu tá com aquele cuzão do Misael? — Me cortou. — Pra ele ter derrubado o Caburé daquele jeito, alguém aqui do morro tava dando a planta pra ele.

— E tu acha que fui eu? — Falei por cima dele. — Eu nem sabia na época, Barbás. Pelo amor de Deus. — Minha respiração tava ofegante, meu rosto vermelho e eu tava com medo. Porra... — E eu seria a última pessoa à ajudar aquele merda. Eu odeio ele tanto quanto todos vocês. Não acredito que você tá desconfiando de mim. — Passei a mão no rosto, sentindo uma lágrima se acumular nos meus olhos.

— Eu não tô. Tive contigo nesses meses todos, tive com o Misael também. Numa conversa que a gente teve na época do Siqueira lá ficou bem claro que mim que ele não ia muito com a tua cara. Do jeito que ele é, eu duvido que ele teria confiado com você pra um negócio que arriscasse a vida dele. — Disse, procurando um cigarro nas gavetas da mesa. — Ele deve ter se aproveitado disso com certeza...

— Se tu não tá desconfiando de mim o que que é essa acusação então?

— Eu não sei nada, eu só contei isso pra você, porque eu não quero mentir.

— Você me contou porque o M7 falou.

— Não, eu podia simplesmente não ter falado essa parte pra você. Eu tô sendo sincera, porra. E eu tô com medo. — Minha voz foi se perdendo. — Eu não quero morrer por causa disso, eu não tenho nada a ver com a história deles dois, eu sou só a porra de um peão qualquer nesse jogo. Eu nem conheço o homem que é meu pai, nem quero conhecer. — Eu sentia o meu nariz entupido por causa do choro que eu estava engolindo. Ele parecia não me dar a menor atenção. William ouvia as coisas que eu tava dizendo e olhava para a parede, fumando o seu cigarro e pensando.

— Eu não quero que você me olhe diferente por causa disso, Barbás. Por isso eu tava enrolando tanto pra te falar, pra difícil pra mim, me entende. — Disse, minha voz saindo um sussurro. — Eu acho que... eu amo você. Eu... — Sentei na cadeira de frente pra ele, limpando as lágrimas de novo. — Eu fiquei perdida.

Ele olhou pra mim. Acho que não tava esperando por aquelas palavras... porra, nem eu tava esperando que meus sentimentos fossem escapulir numa hora daquelas. Não era a primeira vez que eu parava pra pensar naquilo, mas a primeira que eu falava abertamente.

— Eu juro que eu não tenho nada a ver com isso. Prometo. — Repeti.

— Relaxa, caralho, eu acredito em você. Para de chorar, Nina. — Falou e eu senti verdade naquelas palavras, mas mesmo assim, a distância que ele estava me fazia pensar justamente o contrário.

— Então porque tu tá assim? Longe de mim? Mal olhando pra minha cara? — Perguntei, me inclinando sobre a mesa pra ficar de frente pra ele. William não respondeu de imediato, uns longos segundos se passaram antes dele também se inclinar sobre a mesa, apoiando os cotovelos na madeira.

— Me responde uma coisa, Nina. A quem tu é leal? Namoralzinha mesmo, pergunta séria. — Ele estava olhando nos meus olhos agora, como se quisesse extrair a verdade dali.

— Eu? Eu sou leal à você, cara. — Falei com força, não fraquejando nem hesitando um segundo só antes de responder.

— A mim? Achei que você fosse responder à Rocinha, tua favela.

— Eu sou leal ao comando da Rua 1, mas não se ele for do Misael. — Expliquei. — Então eu sou leal à tu e às tuas ideias. Se é tirar o M7 que tu quer, então eu assino embaixo e te sigo sem nem pensar duas vezes. Eu também não quero ele lá, também por isso, eu vou te apoiar no que tu quiser fazer.

Amor na GuerraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora