Capitulo 2

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A profecia de Natasha Romanoff levou exatos três segundos para se cumprir.

Enquanto seus pés aterrissavam na grama úmida do jardim do Número 4, o mundo explodiu.

Não foi uma explosão de pólvora ou C4, sons com os quais Natasha estava intimamente familiarizada. Foi um som surdo, como se o próprio ar tivesse sido sugado para dentro da casa e depois expelido com violência. As janelas do térreo estouraram simultaneamente, lançando cacos de vidro e cortinas em chamas para a noite chuvosa.

O "cheiro de fogo" que ela sentira segundos antes se transformou num inferno rugindo.

— Barton! — gritou ela, protegendo o rosto com o antebraço enquanto uma onda de calor saía pela porta da frente, que havia sido arrancada das dobradiças.

— Estou na retaguarda! — A voz de Clint crepitou no comunicador, mal audível sobre o rugido das chamas. — O fogo está se espalhando rápido demais, Nat! Isso não é normal! As chamas são... elas parecem vivas!

Natasha não esperou. Ela ativou o respirador compacto em seu traje e correu para dentro da boca do lobo.

O hall de entrada, que horas antes parecia tão banal e limpo, agora era uma garganta de fogo. O papel de parede floral estava descascando e queimando, transformando-se em cinzas negras que flutuavam no ar superaquecido. A fumaça era espessa, negra e oleosa, cobrindo o teto e descendo rapidamente para sufocar qualquer coisa que respirasse.

— S.H.I.E.L.D.! — gritou Natasha, sua voz amplificada pelo modulador do traje. — Tem alguém aí?

Nenhuma resposta. Apenas o som de madeira estalando e coisas quebrando.

Ela avançou, agachada para ficar abaixo da linha da fumaça. O calor era insuportável, testando os limites térmicos de seu uniforme. Ela varreu a sala de estar com o olhar.

O que viu fez seu estômago revirar, não por medo, mas pela fria constatação da morte.

Vernon e Petúnia Dursley não tiveram chance. Eles estavam caídos perto do sofá, os corpos imóveis. Não havia marcas de tiros, nem de luta. Parecia que a onda de choque inicial ou a inalação súbita de fumaça os havia derrubado antes mesmo que pudessem correr. O fogo já começava a reclamá-los.

— Dois alvos civis neutralizados na sala principal — relatou Natasha, a voz desprovida de emoção, focada apenas na missão. — Sem sinais vitais. Vou checar o andar de cima. O garoto loiro...

Um estrondo vindo do teto a interrompeu. A escada, consumida pelas chamas, cedeu parcialmente, bloqueando o acesso ao segundo andar.

— O andar de cima está inacessível! — gritou ela. — Clint, status!

Eu tenho o menino! — A voz de Clint veio ofegante, cheia de esforço. — Encontrei o garoto, Harry. Ele foi jogado para o jardim dos fundos com a explosão. Ele está inconsciente, mas vivo. Estou tirando ele daqui!

— E a menina? — Natasha girou, procurando. — Clint, onde está a menina?

— Não está comigo! Ela não estava no jardim! Nat, o telhado vai desabar! Saia daí!

Natasha olhou para a escada quebrada. O fogo lambia os degraus com uma voracidade sobrenatural. As chamas não eram apenas laranjas; havia línguas de um dourado estranho e fagulhas vermelhas que pareciam dançar.

Se o garoto estava fora... onde estava a irmã?

As imagens térmicas que ela vira mais cedo brilharam em sua memória. Pequenas formas humanas encolhidas num espaço minúsculo sob os degraus.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora