Capítulo 169

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Chalé do Guardião do Norte. Terça-feira, 21:00.

A festa na Sala Comunal da Grifinória estava insuportável. Fred e George tinham contrabandeado comida suficiente para alimentar um batalhão, e Lino Jordan soltara fogos de artifício que escreviam "POTTER VENCE O DRAGÃO" no teto. Todo mundo queria apertar a mão de Harry, inclusive pessoas que, horas antes, usavam distintivos de "Potter Fede". Harry odiava aquilo. A hipocrisia, o barulho, o calor.

Então, quando Natasha apareceu na porta do retrato (após convencer a Mulher Gorda com um olhar que dispensava senhas), foi um resgate. — Vamos — ela disse apenas. — O chalé está quieto. E eu tenho pizza que o James mandou via Flu.

Agora, eles estavam na sala segura do chalé. Era uma cena de paz doméstica surreal. Harry estava jogado no sofá, o braço enfaixado apoiado numa almofada, segurando uma fatia de pizza de pepperoni. Ron, perdoado e reintegrado ao grupo, estava sentado no chão, devorando um pedaço de quatro queijos e rindo de algo que Emma dizia. Hermione estava na poltrona, analisando o Ovo de Ouro que repousava na mesa de centro como se fosse um artefato alienígena. Emma estava radiante, servindo refrigerante trouxa para todos.

Natasha observava da cozinha, encostada no balcão, com uma caneca de chá na mão. Ela usava roupas confortáveis, mas as lentes de contato Stark ainda estavam em seus olhos. Ela tinha esquecido de tirá-las na correria do pós-prova. Elas estavam em modo Standby, apenas monitorando vitais básicos e mantendo a conexão criptografada com a base em Londres, caso James precisasse falar.

Ele parece bem, — a voz de James sussurrou no ouvido dela via micro-transmissor. — A adrenalina baixou. Os níveis de cortisol estão normais.

— Ele é forte — Natasha sussurrou de volta, tomando um gole de chá. — Mais forte do que imagina.

— Então, Harry... — Ron disse, limpando molho de tomate do queixo. — O que tem dentro? O Bagman disse que é uma pista para a Segunda Tarefa.

— Deve ser ouro — Emma sugeriu. — Ou pedras preciosas. É pesado.

Hermione franziu a testa. — Não seja boba, Emma. É uma pista. Deve ser um pergaminho, ou um mapa. Talvez um holograma mágico?

Harry olhou para o ovo. Ele brilhava à luz da lareira, liso e perfeito. — O Krum não abriu o dele. O Cedric também não. — Harry comentou. — Mas o Bagman disse para "decifrar".

— Abre logo, Harry! — Emma incentivou, sentando-se ao lado dele no sofá. — Eu estou curiosa! A gente quase morreu de susto hoje, merecemos um spoiler!

Harry deu de ombros, sorrindo. Ele colocou a pizza de lado e puxou o ovo pesado para o colo. — Tá bom. Vamos ver o segredo.

Natasha, da cozinha, sentiu uma pontada de intuição. — Cuidado — ela avisou, dando um passo à frente. — Magia de torneio raramente é agradável.

Mas Harry já tinha girado a trava no topo do ovo. As "pétalas" de ouro se abriram. Não havia ouro. Não havia pergaminho.

O que houve foi som. Não um som normal. Um som que não pertencia ao ar.

Foi um lamento agudo, estridente, uma cacofonia de gritos e arranhados que parecia vir do fundo do inferno. Era como se cem pessoas estivessem sendo torturadas ao mesmo tempo, mixado com o som de unhas num quadro-negro amplificado por megafones. O som preencheu a sala pequena do chalé instantaneamente, ricocheteando nas paredes de pedra, vibrando nos vidros das janelas.

Harry tapou os ouvidos imediatamente, chutando o ovo para fechar, mas ele escorregou e caiu no tapete, ainda gritando. Ron se encolheu no chão, cobrindo a cabeça. Hermione e Emma gritaram de susto, as mãos voando para as orelhas.

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora