Rua em frente ao Edifício. 01:30 da Manhã.
Eles ficaram ali por mais alguns minutos, sentados lado a lado no meio-fio gelado de Londres. A mala de James estava jogada aos pés deles como um corpo morto que eles não precisavam mais carregar.
Não houve conversa sobre comida chinesa ou café ruim. O silêncio entre eles era denso, pesado, feito de respirações descompassadas e do som distante de sirenes. Para Natasha, o tempo parecia ter se distorcido. Quarenta e oito horas de terror silencioso tinham se condensado naquele único momento de alívio tátil.
James parou de olhar para a rua vazia. Ele se virou para ela. Ele olhou para o cabelo ruivo emaranhado pelo vento úmido, para os lábios inchados que ela mordia para conter o tremor, para os olhos verdes que, pela primeira vez em anos, não estavam varrendo o perímetro em busca de ameaças, mas fixos nele.
Ele levantou a mão de carne. O polegar áspero traçou o contorno do maxilar dela, descendo para o queixo, um toque reverente, quase religioso.
— Nat... — ele começou, a voz rouca.
Mas Natasha não queria palavras. Palavras podiam ser mentiras. O corpo não mentia.
Ela se inclinou, cortando a distância. O beijo começou lento, arrastado. Foi um teste de realidade. A língua dele encontrou a dela com uma preguiça deliberada, saboreando o gosto amargo de nicotina e o salgado das lágrimas secas. Havia uma desesperança naquele toque inicial, como se ambos estivessem perguntando: Isso é real? Nós sobrevivemos mesmo?
Natasha suspirou contra a boca dele, um som que vibrou na garganta de James como um comando.
O ritmo mudou. A represa rompeu.
A mão de metal subiu para a nuca dela. O frio do vibranium contra a pele quente do pescoço dela enviou um choque elétrico pela espinha de Natasha. Ele segurou com firmeza, aprofundando o contato, possuindo a boca dela. O beijo deixou de ser "estou feliz que você está vivo" para se tornar "eu vou morrer se não sentir você agora".
Natasha se afastou apenas um centímetro, ofegante, as pupilas dilatadas engolindo o verde dos olhos. A Viúva Negra estava no controle, e ela estava faminta.
— Vamos subir — ela ordenou, a voz não mais que um rosnado baixo. — Agora.
James não precisou de um segundo comando. Ele pegou a mala com um movimento fluido, entrelaçou os dedos nos dela com força dolorosa, e eles entraram no prédio.
O Elevador de Serviço.
Assim que as portas de metal se fecharam, isolando-os do mundo, a gravidade mudou. O ar no cubículo pequeno tornou-se rarefeito, consumido pelo calor que emanava dos dois.
Natasha não esperou o elevador subir. Ela empurrou James contra a parede espelhada com uma violência que faria um civil recuar. A mala caiu no chão com um baque surdo.
Ela agarrou as lapelas da jaqueta de couro dele, puxando-o para baixo, atacando a boca dele com uma fome primitiva. Não havia gentileza. Havia dentes, mordidas, a necessidade urgente de marcar território.
As mãos de James estavam em toda parte. As mãos grandes, uma quente e uma fria, desceram pela cintura dela, apertando o quadril, subindo por baixo da camisa fina de algodão. O toque do metal frio na pele das costas nuas de Natasha a fez arquear o corpo contra ele, um gemido rouco escapando de seus lábios.
— Eu senti tanta falta disso — ele rosnou contra o pescoço dela, mordendo a pele sensível logo abaixo da orelha, sugando o pulso frenético que batia ali. — Do seu cheiro. Do seu gosto. De você.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
