Natasha não gostava de magia. Ela respeitava o poder, é claro, mas odiava a imprevisibilidade. Em seu mundo de espionagem e combate tático, as variáveis podiam ser controladas. Aqui, neste mausoléu de pedra verde e serpentes esculpidas, ela era a forasteira. Uma trouxa com brinquedos tecnológicos em um mundo de deuses e monstros. Mas se havia uma coisa que a Sala Vermelha lhe ensinara, era que qualquer deus podia sangrar se você encontrasse a artéria certa.
Natasha imediatamente se colocou entre Riddle e as crianças. Sua postura era perfeita, o centro de gravidade baixo, a arma apontada diretamente para o peito do rapaz.
— Afaste-se deles — Natasha ordenou. Sua voz era o gelo siberiano, sem espaço para negociação.
Riddle parou, inclinando a cabeça com uma curiosidade arrogante. Seus olhos escuros varreram Natasha de cima a baixo, demorando-se nas armas trouxas com um desprezo divertido.
— Ah, a guardiã trouxa — ele disse, um sorriso cruel curvando os lábios. — Eu estava me perguntando quando a escória do mundo não-mágico tentaria interferir. Diga-me, você realmente acha que essas... ferramentas de metal vão te ajudar aqui? Contra mim?
— Eu não preciso de magia para parar um coração, garoto — Natasha retrucou, o dedo indicador teso no gatilho. — Dê mais um passo e você descobre.
Emma se moveu para ficar ao lado de Natasha, a varinha levantada, embora sua mão tremesse. A presença de Riddle fazia sua própria magia parecer doente dentro dela, uma ressonância escura que ela odiava.
— Você é Voldemort — Emma sussurrou, a compreensão finalmente solidificando o terror. — É você. O tempo todo.
O sorriso de Riddle se alargou. — Inteligente, Emma Potter. Tão inteligente quanto sua mãe sangue-ruim, Lily. Sim. Eu sou o passado, o presente e o futuro. Lord Voldemort é meu passado, presente e futuro.
Harry se levantou, deixando Ginny. — Você não é nada além de uma memória, Riddle. Liberte a Ginny.
— Receio que não possa fazer isso, Harry. Veja, quanto mais fraca a pobre Ginny fica, mais forte eu me torno. Em breve, ela morrerá, e eu deixarei de ser uma memória. Lord Voldemort retornará, muito mais cedo do que o esperado.
Ele riu, um som alto e frio que ecoou nas paredes de pedra, fazendo as serpentes esculpidas parecerem se contorcer.
— E para celebrar meu retorno... eu trouxe meu animal de estimação para brincar.
Riddle virou-se para a estátua gigantesca de Slytherin. Ele abriu a boca e sibilou. Não eram palavras humanas. Era a língua das cobras, o Ofidioglossia, um som antigo e maligno que fez a espinha de Natasha gelar.
"Fale comigo, Slytherin, o maior dos Quatro de Hogwarts."
A boca da estátua de pedra, o rosto de um homem velho e simiesco, começou a se abrir. Um estrondo profundo sacudiu o chão da câmara.
— Olhem para baixo! — Harry gritou, agarrando o braço de Emma e puxando-a para trás de um pilar. — Não olhem nos olhos dele!
Natasha não precisou que lhe dissessem duas vezes. O dossiê que Emma e Hermione tinham montado sobre o Basilisco era claro: o olhar matava instantaneamente. Ela recuou, mantendo-se nas sombras, enquanto algo enorme, escamoso e verde-esmeralda deslizava para fora da boca da estátua. O som do corpo pesado da serpente batendo no chão de pedra era ensurdecedor.
— Matem-nos — Riddle sibilou em inglês agora, apontando a varinha de Harry para onde eles estavam escondidos. — O menino e a menina. Deixe a trouxa para mim. Eu quero ver como ela quebra.
O Basilisco ergueu sua cabeça colossal, sentindo o cheiro de medo no ar. Natasha viu o reflexo das escamas verdes na poça d'água aos seus pés. Era maior do que qualquer coisa que ela já tinha visto, um pesadelo pré-histórico trazido à vida.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
