O bar no Village era exatamente como Natasha descrevera: escuro, com cheiro de madeira envelhecida e notas de saxofone flutuando na fumaça azulada. Era um lugar onde o tempo parecia passar mais devagar, longe dos escombros de Midtown e dos gritos dos Chitauri.
Eles estavam em uma mesa no canto, isolados pelas sombras.
Sobre a mesa, entre eles, havia uma barreira invisível feita de respeito mútuo e uma barreira visível feita de copos vazios.
Steve Rogers bebia bourbon puro. Ele bebia como quem bebe água. O metabolismo acelerado pelo soro queimava o álcool antes mesmo que ele pudesse sentir o zumbido. Para ele, a bebida era apenas um ritual de camaradagem, não uma fuga.
Natasha Romanoff, por outro lado, era humana. Uma humana geneticamente aprimorada pela Sala Vermelha, sim, mas ainda humana.
Ela estava no seu quinto shot de vodka premium.
A adrenalina da batalha estava baixando, deixando para trás um vazio elétrico, uma necessidade crua de sentir algo que não fosse o recuo de uma arma ou o medo de perder a filha. Ela precisava de calor. Precisava de contato.
Ela girou o copo vazio na mesa, observando Steve. Ele estava com a camisa xadrez desabotoada no colarinho, as mangas dobradas revelando os antebraços fortes. Ele olhava para o palco, perdido em pensamentos, provavelmente contando os mortos ou pensando em como o mundo tinha ficado estranho.
— Você pensa demais, Rogers — disse Natasha. A voz dela saiu um pouco mais rouca, um pouco mais arrastada do que o normal. O sotaque russo, que ela escondia tão bem, deslizou pelas vogais.
Steve virou-se para ela, um sorriso gentil e sóbrio nos lábios.
— É um defeito de fábrica, Romanoff.
— Você não sente nada? — Ela apontou para o copo dele.
— O soro... — ele começou a explicar, pela terceira vez.
— Eu sei, eu sei. Metabolismo de beija-flor atômico. — Natasha riu, inclinando a cabeça para trás. O movimento fez seu cabelo ruivo cair sobre os ombros, expondo o pescoço pálido.
Ela sentiu o olhar de Steve descer por um segundo, involuntário, antes de voltar respeitosamente para os olhos dela. Ele era tão... bom. Tão correto. Chegava a ser irritante. E, naquela noite, incrivelmente atraente.
Natasha se inclinou sobre a mesa. O espaço entre eles diminuiu.
— Eu sinto — disse ela, sussurrando. — Eu sinto tudo rodar um pouco. É bom. Faz as bordas afiadas do mundo ficarem macias.
Steve franziu a testa, a preocupação de "Capitão" ativando.
— Nat, talvez seja hora de parar. Você teve um dia longo. Deve estar exausta. Eu posso te levar para casa.
Ele fez menção de chamar o garçom para pedir a conta, agindo como o cavalheiro de 1940 que protegia as damas de sua própria indulgência.
Mas Natasha estendeu a mão e segurou o pulso dele. A pele dela estava fria; a dele, fervendo.
— Eu não quero ir para casa para dormir, Steve — disse ela. O polegar dela acariciou a parte interna do pulso dele, sentindo a pulsação forte.
Steve parou. Ele olhou para a mão dela, depois para o rosto dela. As pupilas de Natasha estavam dilatadas. Seus lábios estavam entreabertos, vermelhos não por batom, mas pelo álcool e pela mordida nervosa.
— Natasha... — ele começou, a voz ficando rouca. — Você está bêbada.
— Estou — admitiu ela, sem vergonha. — Estou bêbada, estou viva e estou cansada de lutar sozinha.
Ela se levantou, contornando a mesa pequena. Steve girou na cadeira para encará-la, mas não se levantou. Natasha parou entre as pernas dele, suas coxas roçando nos joelhos dele.
A proximidade era perigosa. Mais perigosa que qualquer alienígena.
— Steve — ela disse o nome dele não como uma patente, mas como um convite. Ela colocou as mãos nos ombros largos dele, sentindo a tensão muscular sob o tecido da camisa.
Steve colocou as mãos na cintura dela, instintivamente, para ampará-la, mas seus dedos apertaram o couro da jaqueta dela com um pouco mais de força do que o necessário. Ele estava lutando contra si mesmo.
— Eu não vou me aproveitar de você, Nat — disse ele, baixo, olhando nos olhos dela com aquela honestidade dolorosa. — Você não está no seu juízo perfeito. Amanhã você vai se arrepender.
Natasha riu, um som baixo e gutural. Ela se inclinou, roçando os lábios na orelha dele, sentindo o estremecimento que percorreu o corpo do super soldado.
— Você é tão antiquado, Rogers — sussurrou ela, o hálito quente e alcoólico batendo na pele sensível do pescoço dele. — Escute bem, porque eu não vou repetir. Se eu não quisesse isso... se eu não quisesse você... eu não teria nem aceitado subir nessa moto.
Ela mordiscou o lóbulo da orelha dele, sentindo as mãos dele na cintura dela puxarem-na para mais perto, a resistência dele desmoronando como uma represa rompida.
— Eu sou a Viúva Negra, Steve. Eu sei exatamente o que eu quero. E eu quero saber se o Capitão América é tão forte quanto dizem.
Steve soltou um som que foi meio gemido, meio rosnado. Ele afastou o rosto apenas o suficiente para olhar para ela. A dúvida tinha sumido dos olhos azuis, substituída por um fogo escuro, uma fome que ele reprimia há setenta anos.
— Vamos sair daqui — disse ele, a voz grossa.
— Achei que nunca fosse pedir.
Eles deixaram as motos. Natasha não tinha condições de pilotar e Steve não ia deixá-la tentar. Eles pegaram um táxi amarelo.
O trajeto até o Upper West Side foi um borrão de toques roubados e respiração pesada. No banco de trás, Natasha não perdeu tempo. Ela puxou Steve para um beijo faminto, desesperado.
Não havia técnica, não havia a frieza calculada da espiã. Havia apenas língua, dentes e a necessidade de apagar o horror da guerra com o prazer da carne. Steve correspondia com uma intensidade assustadora, suas mãos grandes segurando o rosto dela, devorando-a como se ela fosse o oxigênio que ele perdeu no gelo.
Quando o táxi parou em frente ao prédio dela, eles levaram alguns segundos para se compor. Natasha ajeitou o cabelo, Steve limpou o batom borrado da boca.
Eles subiram no elevador em silêncio, mas o ar entre eles crepitava. A tensão elétrica era tão palpável que poderia acender as luzes de Manhattan.
Natasha encostou a mão no painel biométrico. O elevador se abriu na cobertura.
Eles tropeçaram para dentro do apartamento, os lábios colados novamente antes mesmo que as portas se fechassem. Steve a imprensou contra a parede do hall de entrada, levantando-a do chão. Natasha envolveu as pernas na cintura dele, as mãos emaranhadas no cabelo loiro, puxando-o com urgência.
O beijo era molhado, quente, com gosto de bourbon e vodka. Steve beijou o pescoço dela, descendo para a clavícula, e Natasha jogou a cabeça para trás, gemendo alto.
E então, o som do próprio gemido ativou um alarme na parte sóbria do cérebro dela.
A casa.
O quarto no fim do corredor.
Emma.
A realidade atingiu Natasha como um balde de água fria.
Ela parou, a mão espalmada no peito de Steve, empurrando-o levemente.
— Espera — ofegou ela.
Steve parou instantaneamente, os olhos turvos de desejo, mas obedecendo.
— O que foi? — perguntou ele, a voz falha. — Você quer parar?
Natasha olhou para o corredor escuro. A porta do quarto de Emma estava fechada. A menina devia estar dormindo profundamente, exausta pela ansiedade do dia. Mas se ela acordasse... se ela saísse para beber água e visse o Capitão América devorando a tia Nat na parede da sala...
Droga, Romanoff. Você é uma mãe agora. Aja como tal.
Natasha olhou para Steve. O desejo ainda pulsava nela, inegável, exigente. Ela não ia parar. Mas precisava ser tática.
— Não — sussurrou ela, descendo do colo dele, mas segurando a mão dele com firmeza. — Eu não quero parar. Mas aqui não.
Ela colocou o dedo nos lábios, pedindo silêncio.
— Minha... afilhada — mentiu ela, parcialmente. — Ela está dormindo aqui hoje. No quarto de hóspedes.
Os olhos de Steve se arregalaram. A moralidade dele entrou em conflito com a libido.
— Uma criança? Nat, nós não devíamos...
— Shhh. — Natasha o puxou pela mão, guiando-o na direção oposta ao quarto de Emma, em direção à sua suíte master. — Ela dorme como uma pedra. E as paredes são à prova de som. Só... faça silêncio até chegarmos lá.
Steve assentiu, caminhando na ponta dos pés, o corpo gigante tentando ser furtivo, o que seria cômico se a situação não fosse tão carregada de tensão sexual.
Eles entraram no quarto de Natasha.
Era um santuário de tons neutros e lençóis de seda cinza. A única luz vinha da cidade lá fora.
Natasha fechou a porta. Ela girou a tranca. Click.
O som da fechadura foi o sinal verde. O mundo lá fora — a S.H.I.E.L.D., a invasão, e até mesmo a doce responsabilidade no quarto ao lado — ficou trancado do lado de fora.
Ali dentro, eram apenas Natasha e Steve.
Ela se virou para ele, encostando-se na porta trancada, e sorriu. Um sorriso predatório e vulnerável ao mesmo tempo.
— Agora — disse ela, puxando o zíper da jaqueta de couro. — Onde estávamos?
Steve não respondeu com palavras. Ele cruzou o quarto em dois passos largos.
Ele a beijou com uma fome renovada, as mãos descendo pelas costas dela, apertando, mapeando. Natasha se livrou da jaqueta, deixando-a cair no chão. As mãos de Steve foram para a camisa dela, os dedos grandes desajeitados com os botões pequenos.
— Deixa que eu faço — sussurrou ela, impaciente. Num movimento rápido, ela tirou a camisa, ficando apenas de sutiã de renda preta.
Steve parou por um segundo, o olhar percorrendo o corpo dela. Ele não olhou apenas para as curvas. Ele olhou para as cicatrizes. A marca de bala no abdômen. O corte recente na costela. A pele pálida marcada pela violência de uma vida inteira.
— Você é linda — disse ele, com uma reverência que fez o coração de Natasha falhar. — Até com as marcas.
— As marcas provam que eu sobrevivi, Steve. — Ela estendeu a mão e começou a desabotoar a camisa xadrez dele. — Me mostre as suas.
Eles se despiram com uma mistura de urgência e adoração. Quando a pele de Steve tocou a dela, o contraste foi chocante. Ele era quente, sólido como mármore, cada músculo definido pelo soro. Ela era suave, fria e letal.
Eles caíram na cama, um emaranhado de membros e lençóis.
Não houve preliminares longas e românticas. Eles não precisavam disso. Eles precisavam sentir. Precisavam confirmar a existência.
Natasha subiu no colo dele, beijando-o com ferocidade, mordendo o lábio inferior dele até sentir gosto de ferro. Steve segurou os quadris dela, suas mãos grandes quase cobrindo a cintura inteira dela, controlando o ritmo, guiando-a.
— Steve... — ela gemeu o nome dele quando ele inverteu as posições, prendendo-a no colchão com o peso do corpo dele.
Era avassalador. O Super Soldado não tinha apenas força para lutar; ele tinha uma resistência e uma intensidade que nenhuma vodka poderia igualar. Ele a tocava com uma posse desesperada, como se tivesse medo de que ela fosse desaparecer se ele a soltasse.
E Natasha, que sempre estava no controle, que sempre manipulava a situação, finalmente se permitiu soltar as rédeas.
Ela arranhou as costas dele, sentindo os músculos das costas se contraírem sob suas unhas. Ela arqueou o corpo contra o dele, buscando mais atrito, mais calor, mais pressão.
Foi um ato de exorcismo.
A cada toque, eles expulsavam as imagens dos Chitauri. A cada beijo, apagavam o medo da morte. A cada movimento, eles celebravam o fato improvável de estarem vivos.
Havia algo primitivo na forma como se moviam juntos na penumbra. O suor brilhava na pele deles. A respiração de Steve era pesada e irregular no pescoço dela. Os gemidos de Natasha eram abafados contra o ombro dele, contidos apenas pela lembrança distante da porta trancada.
Quando o clímax chegou, foi como a queda de uma bomba silenciosa. Natasha enterrou o rosto no travesseiro para abafar o grito, o corpo todo retesado, uma onda de prazer elétrico varrendo a dormência do álcool. Steve a acompanhou segundos depois, um tremor percorrendo todo o corpo maciço dele, um suspiro profundo e quebrado escapando de seus lábios.
Eles ficaram ali por um longo tempo, o silêncio do quarto quebrado apenas pelas respirações ofegantes que tentavam voltar ao ritmo normal.
Steve rolou para o lado, puxando o lençol para cobri-los, mas manteve Natasha perto. Ele passou o braço por baixo da cabeça dela, puxando-a para seu peito.
Natasha descansou a cabeça no peitoral dele, ouvindo o coração do Capitão América bater lento e forte. Tum... tum... tum.
O álcool ainda estava lá, uma névoa suave nas bordas da mente dela, mas agora havia também uma exaustão boa, física e completa.
Natasha acordou com a ausência de calor.
Ela abriu os olhos, piscando contra a penumbra azulada do quarto. O álcool tinha evaporado, deixando para trás apenas uma leve dor de cabeça e uma clareza mental afiada e impiedosa.
A cama ao lado dela estava vazia, os lençóis cinzas ainda emaranhados, testemunhas silenciosas da tempestade que ocorrera horas antes.
Natasha se sentou, o lençol de seda escorregando de seu corpo nu. O ar condicionado estava frio em sua pele, mas ela não se cobriu.
Ela olhou para o pé da cama.
Steve estava lá.
Ele estava de costas, a silhueta larga recortada contra a luz da janela. Ele estava vestindo a cueca boxer preta, movendo-se com aquele cuidado silencioso de quem não quer acordar a parceira. Ele parecia uma estátua grega que ganhou vida, mas carregava nos ombros curvos uma gentileza que nenhuma pedra poderia ter.
Natasha observou as costas dele. As marcas de unhas dela ainda estavam lá, vermelhas contra a pele pálida.
Ela não sentiu arrependimento pelo sexo. O corpo dela precisava daquilo. A alma dela precisava daquilo. Foi consensual, foi intenso e foi necessário.
Mas então, o cérebro de espiã dela rebobinou a fita da noite.
"Minha afilhada. Ela está dormindo aqui hoje."
Ela tinha usado a existência de Emma — um segredo nível 10 da S.H.I.E.L.D. — como uma desculpa conveniente para arrastar o Capitão América para o quarto. Ela tinha aberto uma porta que deveria ter mantido trancada.
Steve Rogers agora sabia que havia uma criança na casa. E Steve Rogers, sendo quem era, faria perguntas. Ele se importaria. Ele vorria saber se a menina estava bem.
Natasha suspirou, passando a mão nos cabelos ruivos bagunçados. Ela tinha cometido um erro tático. Mas, olhando para Steve... ela percebeu que talvez não fosse um erro.
Ela confiava em Clint com sua vida.
E, depois de Nova York, depois do Helicarrier, depois dessa noite... ela percebeu que confiava em Steve também.
Se ele ia ser parte da vida dela — mesmo que fosse apenas nessas madrugadas roubadas —, ele precisava saber a verdade. Não a mentira da "afilhada". A verdade completa.
Natasha saiu da cama. Seus pés descalços tocaram o chão frio.
Ela caminhou até onde suas roupas estavam espalhadas. Ela pegou sua calcinha preta de renda e a vestiu. Depois, pegou a primeira coisa que viu: a camiseta branca que Steve usava no bar, que estava jogada perto da poltrona.
Ela vestiu a camiseta. Ficou enorme nela, cobrindo até a metade das coxas, cheirando a ele — uma mistura de bourbon, sabão e homem.
O movimento fez Steve se virar.
Ele parou de procurar as calças. Seus olhos percorreram Natasha, da camiseta larga aos pés descalços, e subiram para o rosto dela. Havia um brilho escuro ali, uma admiração crua que fez o estômago de Natasha revirar.
— Eu te acordei? — perguntou ele, a voz rouca de sono e sexo.
— Não. Minha consciência acordou — respondeu ela, caminhando até ele.
Steve sorriu de lado, um sorriso torto e cansado.
— Sua consciência deve ser barulhenta.
Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela com a familiaridade de quem a conheceu intimamente há poucas horas. Ele segurou o rosto dela com as duas mãos grandes e quentes.
O beijo não foi suave. Foi intenso, profundo, uma reivindicação. Steve a beijou como se quisesse prolongar a noite, como se quisesse gravar o gosto dela na memória antes que o sol nascesse e eles voltassem a ser soldados. Natasha correspondeu, agarrando os bíceps dele, deixando-se levar pela onda de calor por um momento.
Quando eles se separaram, as testas encostadas, Natasha manteve os olhos fechados por um segundo.
— Steve... — começou ela.
— Nat, sobre hoje... — ele começou ao mesmo tempo. — Eu não quero que você pense que eu...
— Cala a boca, Rogers — ela disse, mas sem morder. Ela abriu os olhos e olhou para ele, séria. — Eu não me arrependo. Foi... bom. Foi ótimo.
Steve relaxou visivelmente.
— Foi incrível.
— Mas precisamos estabelecer regras de engajamento — disse Natasha, a voz voltando ao tom prático. — Clint é meu parceiro. Meu irmão. Ele sempre vai ser a pessoa que eu chamo primeiro se o mundo estiver acabando.
Steve assentiu, respeitoso.
— Eu entendo. Clint chegou primeiro.
— Mas depois do Clint... — Natasha passou a mão no peito dele, sobre o coração. — Eu te considero meu melhor amigo, Steve. E agora... — ela sorriu de canto, aquele sorriso perigoso — ...melhor amigo com benefícios, aparentemente.
Steve riu, corando levemente nas orelhas.
— "Amigos com benefícios". Eu li sobre isso. Parece... complicado.
— Nós somos complicados, Steve. — Natasha ficou séria de novo. Ela se afastou um passo, cruzando os braços sobre a camiseta dele que vestia. — E é por isso que eu preciso te contar uma coisa. Uma coisa real.
Steve percebeu a mudança de tom. A postura dele mudou de amante para confidente.
— O que foi?
Natasha olhou para a porta trancada do quarto. Depois olhou para a direção do corredor onde o quarto de Emma estava.
— Aquela história sobre a "afilhada"... — Natasha hesitou. Era difícil dizer em voz alta. — Não é toda a verdade.
— Ela não é sua afilhada? — perguntou Steve, confuso.
— Ela é... — Natasha respirou fundo. — O nome dela é Emma. Emma Potter Romanoff.
Steve piscou, processando o sobrenome.
— Romanoff? Ela é sua parente? Eu achei que você não tivesse família.
— Eu não tinha. Eu a adotei, Steve. — Natasha soltou a bomba. — Legalmente. Magicamente. De todas as formas que importam.
Os olhos de Steve se arregalaram.
— Você... adotou uma criança?
— Sim. — Natasha começou a andar pelo quarto, nervosa. — A mãe dela, Lilian, foi minha amiga em uma missão antiga. Ela morreu para salvar a Emma. Eu prometi que cuidaria dela. E agora... ela mora aqui. No quarto ao lado.
Ela parou e olhou para Steve, esperando o julgamento. Esperando que ele dissesse que era loucura, que uma assassina como ela não podia criar uma criança, que era perigoso demais.
— Por isso você estava com medo no Helicarrier — disse Steve, suavemente. A peça que faltava no quebra-cabeça se encaixou para ele. — Quando o Loki ameaçou o Clint... quando o Hulk se soltou... você não estava com medo de morrer. Você estava com medo de deixá-la sozinha.
— Sim — sussurrou Natasha.
Steve não a julgou. Ele não recuou.
Ele caminhou até ela e a envolveu num abraço forte, protetor. Natasha enterrou o rosto na curva do pescoço dele, sentindo o cheiro dele, sentindo a solidez dele.
— Ela tem sorte — disse Steve, a voz vibrando contra o corpo dela.
— Sorte? — Natasha riu, abafado. — Ela tem a Viúva Negra como mãe. Isso é uma maldição, Steve.
— Não — corrigiu ele, afastando-se para olhar nos olhos dela. — Ela tem alguém que enfrentou um exército alienígena e pulou em cima de um jato em movimento só para garantir que o bairro dela ficasse seguro. Isso não é maldição, Nat. Isso é uma heroína.
Natasha sentiu os olhos arderem. Maldito Capitão América e sua capacidade de ver o melhor nela.
— Eu queria que você soubesse — disse ela. — Porque se vamos ser... isso... o que quer que sejamos... você precisa saber o que está em jogo. Se você entrar na minha vida, você entra na vida dela também. E isso é perigoso. O segredo dela é mais perigoso que o Tesseract.
Steve segurou a mão dela.
— Eu sou bom em guardar segredos, Nat. E sou bom em proteger coisas perigosas.
Ele beijou a testa dela, selando um novo tipo de pacto.
— Quer me apresentar a ela? — perguntou ele. — Quer dizer, não agora, às quatro da manhã. E talvez quando eu estiver vestindo calças.
Natasha soltou uma risada baixa e rouca, balançando a cabeça enquanto se afastava um passo dele. A camiseta branca dele escorregou um pouco pelo ombro dela.
— Ei, calma lá, Capitão — provocou ela, com um brilho divertido e perigoso nos olhos. — Não confunda as coisas. Eu disse que confio em você e que somos amigos com benefícios. Não disse que somos namorados.
Ela colocou as mãos na cintura, sorrindo de lado.
— Apresentar a filha para o homem que dormiu na sua cama? Isso é coisa de relacionamento sério, Rogers. Nós somos apenas... descomplicados. Lembra?
Steve parou por um segundo, processando a barreira que ela colocou. Mas, em vez de recuar ou ficar ofendido, um sorriso lento e desafiador cresceu no rosto dele. O tipo de sorriso que ele geralmente reservava para quando o plano dava errado e ele decidia improvisar.
— Amigos com benefícios. Entendido.
Ele se levantou da cama num movimento fluido. A altura dele e a largura dos ombros pareciam preencher o quarto inteiro.
Antes que Natasha pudesse piscar ou calcular o movimento, Steve avançou. Ele passou um braço pelas pernas dela e o outro pelas costas, levantando-a do chão como se ela não pesasse mais que uma pena.
— Steve! — Natasha engasgou, surpresa, agarrando-se aos ombros dele instintivamente.
Ele a segurou firme contra o peito nu, olhando para cima, direto nos olhos dela. A expressão de "bom moço" tinha desaparecido, substituída por uma intensidade crua e dominante que fez o coração de Natasha falhar uma batida e depois acelerar violentamente.
— Se não somos namorados — disse ele, a voz grossa vibrando contra o corpo dela —, então eu não preciso me preocupar em ser o bom moço que espera o café da manhã.
Ele caminhou com ela até a cama, mas não a soltou imediatamente.
— Faltam duas horas para o amanhecer, Romanoff — sussurrou ele, roçando os lábios no pescoço dela, fazendo-a arquear as costas. — Se somos apenas "benefícios"... então é bom você me usar bem antes que o sol nasça.
Natasha sentiu um arrepio elétrico descer pela espinha. O desafio foi aceito.
— É uma ordem, Capitão? — ela sussurrou de volta, mordendo o lábio dele.
— É um desafio.
Steve a jogou na cama, o colchão amortecendo a queda, e subiu sobre ela imediatamente, sem dar tempo para ela pensar, respirar ou argumentar.
A camiseta branca que ela vestia foi puxada para cima num segundo. As mãos dele estavam em toda parte — possessivas, famintas, exigentes. Não havia mais a hesitação da primeira vez, nem a conversa séria sobre segredos. Havia apenas pele contra pele e a promessa de aproveitar cada segundo daquelas duas horas restantes.
Natasha puxou Steve para baixo, envolvendo as pernas na cintura dele com força, beijando-o com uma ferocidade que dizia que ela pretendia, de fato, usá-lo até a última gota de energia do super soldado.
Se a manhã traria conversas difíceis ou despedidas estranhas, isso era problema para a Natasha do futuro. A Natasha de agora tinha o Capitão América na sua cama, e ela não ia desperdiçar nenhum dos benefícios dessa amizade.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
