Triskelion, Washington D.C.
O escritório de Nick Fury estava, como sempre, na penumbra, iluminado apenas pelas telas holográficas que monitoravam ameaças globais.
Natasha Romanoff entrou, caminhando com uma rigidez quase imperceptível. Suas costelas estavam enfaixadas sob o uniforme tático, mas sua postura era impecável. Ao lado dela, Steve Rogers colocou a maleta de contenção com o Tesseract sobre a mesa de vidro.
— O pacote está seguro, Diretor — disse Steve. — E o Loki... bem, o Thor está cuidando disso.
Fury olhou para o Tesseract, depois para Steve, e finalmente fixou seu olho único em Natasha. Ele a estudou por um longo momento, procurando as rachaduras na armadura.
— Relatório médico diz que você deveria estar de repouso por duas semanas, Romanoff — disse Fury, a voz grave. — E, no entanto, aqui está você. E o MI6 me enviou um memorando furioso perguntando como uma paciente com três costelas quebradas desaparece de um bunker seguro em Londres.
Natasha não piscou.
— Eu não confio em hospitais estrangeiros, senhor. Preferi a recuperação em campo.
— Em campo? — Fury ergueu uma sobrancelha. — Meus satélites perderam você por doze horas. Barton também ficou incomunicável. Coincidência?
— Eu precisava dormir, Nick — disse Natasha, cortando o jogo de gato e rato. — A missão foi cumprida. O Tesseract está aqui. O que mais você quer?
Fury se recostou na cadeira. Ele sabia que ela estava escondendo algo. Algo grande. Ele viu o jeito como ela estava diferente desde o incidente do incêndio com as crianças Potter. Mas ele também sabia que pressionar a Viúva Negra era a melhor maneira de fazê-la se fechar.
— Eu quero que você descanse — disse Fury, surpreendendo-a. — Você está de folga, Romanoff. Uma semana. Sem missões. Sem monitoramento. Vá para casa.
Natasha assentiu, aliviada.
— Obrigada.
Ela se virou para sair. Steve tocou levemente no ombro dela.
— Se precisar de alguma coisa, Nat... sabe onde me encontrar.
— Eu sei, Cap. Obrigada.
Ela saiu do escritório, sentindo o peso do segredo de Dumbledore pressionando seu peito mais do que as faixas médicas.
Apartamento de Natasha.
A casa estava vazia e silenciosa. Mas, ao entrar na sala, Natasha notou algo que não pertencia à decoração minimalista.
Pousada no encosto da sua poltrona de leitura, havia uma coruja. Uma coruja-das-torres, branca e fantasmagórica, com olhos negros profundos. Ela não se assustou quando Natasha entrou. Apenas piou suavemente e estendeu a perna, onde um pequeno cilindro de metal vazio estava amarrado.
O mensageiro de Dumbledore.
Natasha trancou a porta, tirou a jaqueta e serviu um copo de água. Ela olhou para a coruja.
— Você é paciente, hein?
A ave piscou.
Natasha sentou-se à escrivaninha. Ela puxou um papel timbrado simples, sem logos da S.H.I.E.L.D. Ela pegou uma caneta.
Sua mão tremeu. Escrever relatórios de assassinato era fácil. Escrever para uma menina de dez anos que ela abandonou... isso era aterrorizante.
Ela respirou fundo, lembrando-se dos olhos verdes. E começou a escrever.
Querida Emma,
Disseram-me que você gosta de olhar pela janela esperando notícias. Desculpe a demora. O trabalho me manteve ocupada, e eu não sou muito boa com despedidas, nem com cartas.
Quero que você saiba de uma coisa: eu não esqueci de você. Nem por um segundo.
Eu sei que só passamos três dias juntas naquele hospital. Parece pouco tempo. Mas, às vezes, três dias valem mais do que uma vida inteira. Eu sinto como se te conhecesse desde sempre, Little Red. Como se você fizesse parte de uma história que eu ainda estou tentando entender.
Eu soube que você está segura e que a família Weasley é barulhenta e feliz. Aproveite isso. Coma bolo. Suje os sapatos no jardim. Seja uma criança. Você merece essa paz.
Não pense que eu fui embora porque não me importo. Eu fui embora porque queria garantir que o mundo fosse seguro o suficiente para você viver nele.
Seja corajosa. E lembre-se: você nunca está sozinha.
Com carinho,
Nat.
Natasha releu a carta. Não falava sobre Lilian. Não falava sobre ser madrinha. Não falava sobre magia. Era cedo demais. Emma precisava de tempo. E Natasha também.
Ela dobrou o papel e o colocou no cilindro da coruja.
— Leve para ela — sussurrou Natasha, acariciando as penas brancas.
A coruja abriu as asas e saiu voando pela janela aberta, desaparecendo na noite de Washington.
Natasha ficou olhando para o céu. A primeira parte estava feita.
Agora, a parte difícil.
Ela pegou outro papel. Dessa vez, a carta era para Albus Dumbledore.
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Daughter of No One
Fiksi PenggemarHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
