Capitulo 117

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Q-Branch. Sede do MI6. 00:30.

O zumbido dos computadores parecia perfurar os tímpanos de Natasha. Ela estava sentada na cadeira de metal, os olhos fixos na barra de progresso da tela de Q, que parecia congelada em 2%.

Q parou de digitar. Ele tirou os óculos, limpou-os na ponta do pijama de flanela e suspirou.

— Diretora... Natasha.

Ele usou o primeiro nome dela. Era um sinal de rendição.

— Não adianta você encarar o monitor. Eu preciso rodar a sequência genética completa. Eu preciso comparar os marcadores de 1995 com a amostra atual e cruzar com a base de dados toxicológica.

Natasha abriu a boca para exigir velocidade, para ordenar um milagre, mas Q levantou a mão.

— A ciência não pode ser intimidada, nem por você. Se eu apressar, posso ter um falso negativo. E acho que você não quer errar nisso.

— Vá para casa. Eu preciso de 24 horas. Volte amanhã à noite.

Natasha olhou para ele. 24 horas.

Um dia inteiro sem saber se a irmã estava sendo torturada quimicamente. Um dia inteiro com a imagem daquele sorriso de seis anos queimando em sua retina.

Ela se levantou. A cadeira raspou no chão com um som agudo.

— Eu não vou para casa — ela disse, a voz vazia.

Ela olhou para Clint.

— Eu preciso beber.

Clint Barton não perguntou "você tem certeza?". Ele não disse "você tem trabalho amanhã". Ele viu o abismo nos olhos dela.

Ele apenas assentiu.

— Eu conheço um lugar.

The Rusty Anchor. Um pub nos arredores de Londres. 01:15 da Manhã.

O lugar cheirava a cerveja choca, madeira podre e decisões ruins. Era perfeito.

Eles estavam numa mesa no fundo, longe dos olhares, protegidos pelas sombras.

Na frente de Natasha, havia uma garrafa de vodka barata. Já estava pela metade.

Ela não estava bebendo para apreciar. Ela estava bebendo como se estivesse tentando apagar um incêndio dentro do estômago.

Ela virou o copo de uma vez. O líquido transparente desceu queimando, entorpecendo a garganta, mas não a memória.

Clint observava, girando seu próprio copo de uísque intocado.

Em quatorze anos de parceria, Clint tinha visto Natasha Romanoff bêbada apenas duas vezes.

A Viúva Negra tinha um controle metabólico e mental absurdo. Ela podia beber generais russos e diplomatas americanos até eles caírem, enquanto ela permanecia sóbria o suficiente para roubar os segredos e sair andando de salto alto.

Ficar bêbada era uma escolha. Uma rendição voluntária.

A primeira vez foi em Budapeste.

Depois que o prédio caiu. Depois que a poeira baixou e eles acharam que tinham matado Dreykov e a filha. A adrenalina sumiu, deixando apenas o horror do "dano colateral". Natasha bebeu três garrafas de vinho barato num quarto de hotel sujo, tentando lavar o sangue invisível das mãos. Ela chorou naquela noite até desmaiar no tapete.

A segunda vez foi em uma Clínica Clandestina em Kiev.

Anos depois. Quando Natasha teve uma esperança tola de que a esterilização da Sala Vermelha pudesse ser revertida. Quando o médico olhou para ela com pena e disse que não havia útero, não havia ovários, não havia nada além de tecido cicatrizado. Que ela era, biologicamente, uma máquina oca.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora