O ambiente da sala de interrogatório parecia sugar o oxigênio de qualquer um que não estivesse acostumado com a pressão. Natasha estava imóvel, a coluna ereta, o rosto uma máscara de indiferença absoluta. Mas, para o homem sentado à sua frente, aquela máscara era feita de papel.
James inclinou o corpo para a frente, o peso do braço de metal fazendo a mesa de aço gemer levemente. O som dos servos mecânicos era um sussurro que Natasha conhecia em seus pesadelos mais profundos.
— Ouvi dizer que agora te chamam de Natasha — ele disse. A voz era baixa, um timbre áspero que vibrou diretamente na boca do estômago dela.
Natasha não moveu um músculo. Seus olhos verdes sustentaram o azul profundo de James com a frieza de um iceberg. — Nomes mudam, Sargento. Identidades também. Estamos aqui para falar sobre o que restou da Hidra, não sobre mim.
James deu um sorriso amargo, um canto dos lábios subindo de forma cínica. Ele reduziu a distância entre eles até que Natasha pudesse sentir o calor que emanava do corpo dele. O cheiro de metal, sabão e a essência crua de James — o cheiro da Sibéria — invadiu o espaço dela.
— Para mim, você sempre vai ser Natalia — ele sussurrou. — Eu conheço cada linha do seu rosto. Conheço a micro-expressão no canto dos seus olhos quando você está mentindo para si mesma. Você está nervosa. Seu pulso está acelerado, bem aqui...
Ele estendeu o dedo indicador de carne e apontou para a base do pescoço dela, onde a artéria pulsava visivelmente contra o couro preto do traje. Natasha não recuou, mas a tensão sexual entre eles estalou como eletricidade estática. Era um cabo de guerra entre dois soldados que sabiam exatamente onde as armaduras um do outro eram mais finas.
— Stark quer os relatórios da Sibéria — ela disse, a voz saindo cortante, ignorando a proximidade dele. — Ele quer saber das células remanescentes e dos experimentos de Strucker.
James inclinou a cabeça, observando-a com uma intensidade predatória. Ele desceu o olhar para os lábios dela por um segundo longo demais antes de voltar para os olhos. — Você quer ser a Viúva Negra hoje? Tudo bem. Vamos brincar de espionagem, Natalia.
Ele se recostou, mas a energia não se dissipou. — A Hidra não morreu com o Pierce. Strucker está em Sokovia. Ele está fazendo coisas que fariam a Sala Vermelha parecer um jardim de infância. Ele encontrou dois voluntários. Gêmeos. Wanda e Pietro Maximoff. Um é rápido demais para ser visto. A outra... a outra entra na sua cabeça e te mostra o que você mais teme. Eles odeiam o que você representa agora.
Natasha processou a informação rapidamente, mas James não tinha terminado. Ele colocou a mão de metal sobre a mesa, os dedos de Vibranium brilhando sob a luz fluorescente.
— Por que você não veio, Natalia? — a voz dele caiu para uma oitava mais baixa, carregada de uma mágoa que ele não conseguia esconder. — Por que me deixou naquele quarto branco por uma semana? Eu esperei o som dos seus passos todos os dias.
Natasha sentiu um nó se formar na garganta, mas o treinamento falou mais alto. Ela não podia admitir que passara as noites em claro balançando a correntinha dele. Não podia admitir que tinha medo de que ele fosse a única pessoa no mundo capaz de fazê-la abandonar tudo.
— Eu sou uma Vingadora agora, James. Tenho responsabilidades. Você é uma fonte de informação tática. Nada mais.
James soltou uma risada curta e sem vida. Ele se levantou, a cadeira arrastando com um guincho metálico, e se apoiou na mesa, ficando cara a cara com ela. A tensão entre eles era quase insuportável; se um dos dois cedesse, o prédio inteiro parecia que viria abaixo.
— Você é uma mentirosa — ele sussurrou, a centímetros da boca dela. — E o pior de tudo é que você sabe que eu sei disso. Você pode usar esse traje, pode mudar de nome, mas você ainda é a mulher que eu treinei. A mulher que me amou no gelo.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
