Capitulo 65

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Apartamento de Natasha Romanoff. 04:15 da Manhã.

O quarto estava mergulhado naquela hora azulada que precede o amanhecer. A neve lá fora tinha parado, deixando apenas um silêncio abafado sobre Nova York.

Natasha acordou com um som que ela nunca pensou que ouviria.

Era um ronco. Leve, rítmico, quase um purrr grave no fundo da garganta. Vinha de James.

Ela virou a cabeça no travesseiro. O braço de metal dele estava jogado sobre a cintura dela, pesado e possessivo, mas o rosto dele estava enterrado no travesseiro, os traços relaxados de uma forma que a "máscara" do Soldado Invernal jamais permitiria. Ele parecia mais jovem. Parecia humano.

Um sorriso involuntário escapou dos lábios de Natasha. Era um sorriso pequeno, privado, de quem tinha conseguido roubar um momento de paz do universo.

Mas o sorriso durou pouco.

A realidade, fria e implacável como a neve lá fora, invadiu o pensamento dela. O peso da decisão que ela carregava no peito parecia ter dobrado durante o sono.

O sorriso murchou. Natasha soltou um suspiro. Não foi um suspiro de alívio, nem de cansaço pós-sexo. Foi um som trêmulo, carregado de culpa e despedida.

O ritmo da respiração de James mudou instantaneamente. O ronco parou.

Antes que ela pudesse disfarçar, os olhos azuis dele se abriram. Não havia sonolência neles, apenas alerta imediato. Ele sentiu a mudança na energia dela tão claramente quanto sentiria uma faca em suas costas.

James se apoiou no cotovelo, a mão de carne quente tocando o ombro nu dela. — O que foi? — a voz dele era rouca, grave pelo sono. — Pesadelo?

Natasha balançou a cabeça. Ela se sentou na cama, puxando o edredom branco para cobrir os seios, deixando as costas expostas ao ar frio do quarto. Ela abraçou os joelhos por cima do tecido, olhando para a parede à frente, incapaz de encarar a esperança nos olhos dele.

— Lembra da noite da festa? — ela começou, a voz baixa. — No terraço. Antes de você chegar e... antes de tudo aquilo.

James franziu a testa, sentando-se atrás dela. — Lembro. Você estava no telefone. Desligou rápido quando me viu.

— Não era a S.H.I.E.L.D., James — ela disse. — Eram os britânicos.

James ficou imóvel. — Britânicos?

— MI6 — Natasha soltou a sigla no ar frio. — O Chefe de Inteligência. Eles me ofereceram uma posição. Diretora de Operações de Campo. Baseada em Londres. Imunidade total, ficha limpa, salário oficial.

James processou a informação em silêncio. Londres. Europa. Perto da Escócia. — Perto da Emma — ele disse, ligando os pontos rapidamente.

— Quatro horas de trem — Natasha confirmou, ainda olhando para a parede. — Eu poderia ver os jogos dela. Eu poderia jantar com ela nos finais de semana. Eu não precisaria atravessar um oceano se ela me chamasse chorando.

O quarto ficou silencioso. O tipo de silêncio que precede uma explosão ou um enterro.

James olhou para as costas dela. Para a curva da coluna, para a pele pálida marcada por cicatrizes que ele beijara horas antes. Ele sabia o que aquela oferta significava. Ele sabia que o Reino Unido tinha os protocolos de segurança mais rígidos do mundo. E ele sabia que o Soldado Invernal era o terrorista mais caçado do hemisfério norte.

— Você aceitou? — ele perguntou, a voz falhando um pouco.

— Ainda não — Natasha respondeu.

James soltou o ar que prendia. Havia uma chance. — Mas você vai?

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora