O vento uivava mais forte agora, levantando a maresia e chicoteando os cabelos de Natasha e Sirius. Eles ainda estavam próximos, testa com testa, respirando o ar da liberdade e do reencontro.
Mas Natasha sabia que o tempo era curto. E ela sabia que não estava sozinha.
Ela se afastou um passo, mas manteve as mãos nos braços magros de Sirius para firmá-lo. — Sirius — ela disse, baixo. — Nós não estamos sozinhos.
Sirius tencionou instantaneamente. O corpo dele, treinado na guerra e endurecido por Azkaban, mudou. A ternura sumiu. O animal ressurgiu nos olhos. Ele olhou ao redor, farejando o ar, procurando Aurores, procurando Dementadores.
— Calma — Natasha apertou o braço dele. — Não são eles.
Ela apontou com a cabeça para o topo da falésia, duzentos metros acima, onde a escuridão era total. — Meu namorado. Ele está fazendo a segurança do perímetro. Ele está com um rifle apontado para cá, mas não vai atirar. A menos que você tente me morder.
Sirius relaxou um milímetro, mas franziu a testa, confuso e desconfiado. — Namorado? — Ele olhou para ela, incrédulo. — A Pequena Aranha tem um namorado? Quem é o suicida?
Natasha sorriu de lado, um sorriso nervoso. — É... complicado.
Sirius semicerrou os olhos cinzas. Ele era muitas coisas, mas nunca foi burro. Ele olhou para o topo da falésia novamente. Ele não podia ver James, mas podia sentir a presença. Uma presença pesada. Letal. E então, a memória de espião, as fofocas do submundo mágico e trouxa que chegavam até Azkaban... as peças se encaixaram.
Sirius olhou para Natasha. O rosto dele empalideceu ainda mais. — O homem com o braço de metal? — ele perguntou, a voz caindo para um sussurro perigoso. — O Fantasma Soviético?
Natasha assentiu, devagar. — James Barnes. O Soldado Invernal.
Sirius recuou um passo, como se ela tivesse dito que estava namorando Voldemort. A expressão dele se contorceu em horror e raiva. — Você está com ele? — Sirius sibilou, a voz tremendo de fúria. — Natasha... ele é a arma da Sala Vermelha! Ele foi o homem que treinou as Viúvas! Ele foi o homem que...
Sirius parou. Ele olhou para as cicatrizes invisíveis que ele sabia que ela carregava. — Ele te torturou, Natasha — Sirius acusou, a voz falhando, cheia de dor por ela. — Eu sei o que ele fez. Eu ouvi histórias. Ele quebrou você. E agora você está dormindo com ele?
Lá em cima, no topo da falésia, James Barnes ouviu cada palavra pelo microfone. Ele não se mexeu. O dedo de metal continuou fora do gatilho. Mas ele fechou os olhos de carne. A dor da acusação foi um tiro direto no peito. Porque era verdade. Ele tinha sido aquele monstro. Ele tinha sido o carrasco dela. Ouvir aquilo da boca de um estranho que a amava como irmã era uma punição que ele sabia que merecia.
Natasha não recuou diante da raiva de Sirius. Ela sustentou o olhar dele. — Ele não é mais aquele homem, Sirius — ela disse, firme, com a convicção de quem viu a alma de James ser reconstruída tijolo por tijolo. — A Hydra o quebrou tanto quanto a Sala Vermelha me quebrou. Nós nos consertamos.
— Ele é perigoso — Sirius insistiu, olhando para o topo da falésia com ódio.
— Ele me ama — Natasha cortou, a voz suave, mas inabalável. — Ele cuida de mim. Ele é o pai que a Emma nunca teve. Ele cozinha para ela. Ele ensina o Harry a se defender. Ele é minha família, Sirius. Assim como você era a família do James e da Lily.
O nome deles fez Sirius parar. A raiva murchou, substituída por uma dor agonizante. Ele olhou para Natasha, derrotado pela certeza nos olhos dela. Se ela dizia que o Soldado era confiável... quem era ele, um prisioneiro fugitivo e condenado, para julgar?
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
