Corredor da Cobertura. 07:15 da Manhã.
Emma acordou com um som que não reconheceu de imediato. Não era o alarme de segurança. Não era o toque do telefone de emergência da mãe. Era uma risada. E não era aquela risada curta, cínica e profissional que Natasha usava em festas do MI6 ou jantares com diplomatas. Era uma risada solta, rouca, genuína.
Emma esfregou os olhos, ainda meio tonta de sono, e saiu da cama. O piso de madeira estava frio sob seus pés descalços. Ela ajeitou o pijama de hipogrifos e caminhou até a porta do quarto, que estava entreaberta (provavelmente culpa do Bucky, o gato, que agora dormia satisfeito no tapete do corredor).
Ela ouviu o som de talheres batendo em pratos e o cheiro doce de panquecas e café forte.
Emma avançou pelo corredor na ponta dos pés. A Viúva Negra a tinha treinado bem, mesmo sem querer: peso na parte externa do pé, respiração controlada, silêncio absoluto.
Ela chegou à quina da parede que dava para a cozinha em conceito aberto. E parou, espiando pelo canto.
A cena que ela viu fez o coração dela aquecer de um jeito que nenhuma magia jamais conseguiria.
Natasha estava sentada na banqueta alta da ilha da cozinha. Ela usava um roupão de seda preto, amarrado frouxamente na cintura, o tecido escorregadio revelando as pernas nuas cruzadas de forma relaxada. O cabelo ruivo estava preso num coque bagunçado, com fios soltos caindo no rosto.
James estava de pé entre as pernas dela, encostado no balcão. Ele não usava camisa, apenas uma calça de moletom baixa na cintura, o braço de metal brilhando sob a luz da manhã.
— Abre — James disse, cortando um pedaço triangular perfeito de panqueca encharcada de xarope.
Natasha revirou os olhos, mas abriu a boca, sorrindo um sorriso preguiçoso. Ele deu a panqueca na boca dela, e depois limpou um pingo de xarope do canto dos lábios dela com o polegar de metal, num gesto de uma delicadeza impressionante.
Natasha mastigou, fechando os olhos de prazer, e disse algo baixo que fez James jogar a cabeça para trás e rir, aquela risada que fazia os olhos dele ficarem pequenos nos cantos. Em seguida, ele se inclinou e a beijou, um beijo lento e carinhoso.
Eles pareciam... leves. Não havia armas na mesa. Não havia tensão nos ombros da mãe. Pela primeira vez desde que Emma conhecia Natasha, a "Viúva Negra" tinha desaparecido completamente. Ali, naquela cozinha, havia apenas Natalia.
Emma sentiu um sorriso enorme se espalhar pelo próprio rosto. Um sorriso que doía as bochechas.
Ela não entrou. Ela sabia que aquele momento era sagrado demais, frágil demais. Era deles.
Em silêncio, tão furtiva quanto chegou, Emma deu meia-volta e retornou para o quarto.
Ela caminhou até a escrivaninha de madeira escura, onde sua coruja, uma ave de penas acobreadas chamada Sokol, dormiscava no poleiro perto da janela aberta. Emma puxou um pedaço de pergaminho e uma caneta trouxa (porque penas exigiam tinta e paciência, e ela tinha pressa).
Ela escreveu rápido, a letra cursiva cheia de emoção e exclamações:
Harry,
Você não vai acreditar!
Acordei agora e espiei na cozinha. Ele voltou. O namorado da mamãe, o James. Voltou DE VERDADE.
A Nat está rindo, Harry. Rindo de verdade! Ela está lá na cozinha, toda relaxada naquele roupão preto chique dela, sentada no balcão enquanto ele dá comida na boca dela. Juro por Merlin! Eles parecem aqueles casais melosos de filme trouxa que a gente viu no cinema, só que com mais cicatrizes.
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Daughter of No One
Fiksi PenggemarHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
