Capítulo 180

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Chalé do Guardião. Madrugada de 1º de Janeiro. 02:15.

O chalé estava imerso naquele silêncio profundo que só existe depois de muita música e barulho. No quarto de Emma, a porta estava entreaberta. Natasha espiou para dentro. Emma estava "capotada". Não havia outra palavra. Ela tinha tirado o vestido (que estava jogado numa cadeira de qualquer jeito, um crime contra o veludo), mas tinha desabado na cama vestindo uma camiseta velha do Harry que usava para dormir e calcinha. Um pé estava para fora do cobertor, ainda com a marca vermelha da tira do sapato. O cabelo, antes um coque elaborado, agora era uma juba ruiva espalhada pelo travesseiro. Ela roncava baixinho, exausta de tanta felicidade.

Natasha sorriu, fechando a porta com cuidado. Alvo seguro e neutralizado pelo cansaço.

Ela foi para o seu próprio quarto. O fogo na lareira do quarto principal estava morrendo, restando apenas brasas alaranjadas. Natasha sentou-se na beira da cama. Ela já tinha tirado o vestido verde-esmeralda e a maquiagem, vestindo agora um pijama de seda simples. Ela pegou o celular seguro — um aparelho modificado por Stark que funcionava via satélite independente, ignorando as interferências mágicas de Hogwarts.

Ela discou o número rápido. Um toque. — Romanoff. — A voz de James atendeu imediatamente. Rouca. Grave. Voz de quem estava acordado esperando, ou de quem dormia com o telefone no peito.

— Sou eu — Natasha disse, a voz baixa, relaxando os ombros instantaneamente ao ouvir o som dele. — A operação "Cinderela" foi um sucesso. A princesa está apagada no quarto ao lado. Nenhuma sapatilha de cristal perdida, mas acho que ela perdeu um brinco.

Ela ouviu o som de James se ajeitando na cama em Londres. Ela podia visualizar a cena: ele no escuro, o braço de metal refletindo a luz da rua, o lençol bagunçado. — Ela se divertiu? — James perguntou.

— Muito. — Natasha recostou-se na cabeceira, puxando os joelhos para o peito. — Ela dançou com o Harry, com o Ron, com o Neville. Até o Krum cumprimentou ela. — Ela estava linda, James. O vestido preto... ela parecia uma mulher. Por umas cinco horas, ela não foi uma órfã, nem uma bruxa perseguida. Ela foi só uma garota bonita num baile.

Fico feliz, — James disse, sincero. — Você fez um bom trabalho, Nat. O resgate no lago, o vestido, a dança... você está dando a ela tudo o que a gente não teve.

Natasha sorriu triste para o quarto vazio. — É o mínimo.

Houve um silêncio na linha. Não era um silêncio tático. Era um silêncio reflexivo. Natasha ouvia a respiração dele. Ele ouvia a dela. A distância física entre a Escócia e Londres parecia aumentar a cada segundo.

Sabe... — James começou, a voz um pouco mais baixa, hesitante. — Eu estava pensando aqui.

— Perigoso — Natasha brincou, tentando manter o clima leve.

Mas James não riu. — Eu nunca levei você a um baile, Nat.

Natasha parou. A respiração dela travou por um segundo. Ela olhou para as brasas da lareira. — James...

É sério. — Ele continuou. — Nós tivemos missões em festas de gala. Nós dançamos para manter disfarces. Nós nos infiltramos em casamentos.Mas eu nunca bati na sua porta, te dei flores e te levei pra dançar sem ter uma arma no coldre ou um alvo na mira.Nós pulamos essa parte. A parte da valsa. A parte do romance sem risco de morte.

Natasha abriu a boca para responder, mas nenhum som saiu. Ela queria dizer que não importava. Que eles eram soldados, não adolescentes. Que o amor deles foi forjado em sangue e sobrevivência, e que isso valia mais que qualquer valsa. Mas a verdade... a verdade inconveniente... era que a imagem dela e James, num salão iluminado, dançando apenas por dançar, fez o peito dela doer.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora