Capitulo 83

155 13 0
                                        

Escritório de Natasha Romanoff. 04:10 da Manhã.

A luz azul dos monitores era a única coisa acesa na sala trancada.

Natasha sentou-se na cadeira de couro, os dedos voando sobre o teclado holográfico. Ela acessou o servidor local de segurança — o "Blackbox" do prédio —, passando por três firewalls que ela mesma havia desenhado.

Na tela principal, a filmagem apareceu. Câmera Externa 44 (Leste). 23:42.

A imagem era granulada, em visão noturna verde e preta, mas inconfundível. Uma figura humana escalando a fachada de pedra vitoriana com a agilidade de uma aranha e a força de uma máquina. James Barnes. O Soldado Invernal. Invadindo a residência da Chefe de Inteligência Britânica.

Natasha assistiu por um momento, hipnotizada pela eficiência letal dele. Ele evitou os sensores térmicos por milímetros. Ele usou as sombras como cobertura. Era uma obra de arte de infiltração.

Se fosse qualquer outro agente de segurança vendo aquilo, o alarme de nível nacional teria soado. Helicópteros estariam circulando.

Natasha digitou um comando simples: PURGE /ALL.

Tem certeza de que deseja apagar permanentemente os registros das últimas 6 horas? — o sistema perguntou.

— Sim — Natasha murmurou, apertando Enter.

A barra de progresso encheu rapidamente. 100% Concluído. Registros Deletados. Logs de Acesso Substituídos por "Falha de Sistema/Manutenção de Rotina".

O fantasma tinha desaparecido. Para o mundo, James Barnes nunca estivera ali.

Natasha fechou o laptop, sentindo o peso do segredo se acomodar em seus ombros junto com o roupão de seda.

Sala de Estar. 04:30.

O sono tinha ido embora junto com James.

Natasha estava sentada no sofá, as pernas cruzadas, olhando para a lareira apagada. A garrafa de cerveja que ela tinha aberto horas atrás estava quente e intocada na mesa de centro.

Ela pensou na mensagem dele. "A paz fica bem em você."

Ela pensou no sorriso dele quando ela disse que estava "trabalhando no escritório".

Ele acreditava nisso. Ele precisava acreditar nisso. James estava lutando contra o mundo inteiro para limpar o nome dele, motivado pela imagem de um futuro onde eles poderiam ser normais. Onde ele poderia cozinhar panquecas e ela poderia voltar para casa às 17h, reclamar da papelada e assistir TV com a Emma.

Ele achava que ela era apenas a Diretora. A administradora. A estrategista que movia peças atrás de uma mesa segura em Kensington.

Natasha passou a mão pelo rosto, sentindo a cicatriz na têmpora que a fênix curara, mas que ainda formigava.

Ele não sabia.

Ele não sabia que o cargo de "Diretora de Operações de Campo" era apenas a metade pública do título. Ele não sabia que, nos arquivos ultra-secretos do MI6, acessíveis apenas ao Primeiro-Ministro e a M, o nome Natasha Romanoff tinha uma nova designação.

Uma designação que o MI6 não usava levianamente. Uma designação que dava a ela licença total para matar, discrição absoluta e autoridade para agir sozinha em qualquer lugar do globo.

Agente 00.

Não 007. Ela era algo novo. Algo mais sombrio.

Ela não estava apenas assinando papéis. Ela ainda estava em campo. As missões "normais" contra cartéis? Ela não as comandava pelo rádio. Ela ia. Ela infiltrava. Ela eliminava.

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora