Capitulo 100

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O silêncio voltou ao escritório, pesado e morno, contrastando com o vendaval que tinha passado por ali minutos antes.

As persianas de aço ainda estavam fechadas, banhando a sala na luz vermelha de segurança. No chão, as doze pastas de crises globais formavam um tapete de segredos espalhados.

Natasha estava de pé no centro da sala. A saia de linho e a camisa de seda tinham sido descartadas em uma cadeira. Ela estava vestindo novamente a pele da Viúva Negra.

Ela puxou o macacão tático de polímero preto pelas pernas, o tecido ajustando-se como uma segunda derme, cobrindo as marcas vermelhas que os dedos de James tinham deixado em sua coxa.

James estava encostado na mesa, os braços cruzados, observando-a. A respiração dele já tinha voltado ao normal, mas os olhos ainda estavam escuros, focados nela com uma intensidade devota.

Natasha vestiu as mangas, ajeitando o tecido nos ombros. Ela alcançou as costas para puxar o zíper longo, mas James se moveu antes que ela precisasse se esforçar.

Ele caminhou até ela, ficando atrás de suas costas.

Com a mão de metal — fria e precisa — ele segurou o puxador do zíper na base da coluna dela. Com a mão de carne, ele afastou o cabelo ruivo do pescoço dela, segurando os fios com gentileza.

Zzzzzzt.

O som do zíper subindo foi alto no silêncio da sala. James fechou o traje até a nuca dela, selando a armadura.

Ele não se afastou. Ele apoiou o queixo no ombro dela, envolvendo a cintura dela com os braços, agora cobertos pelo tecido tático, não mais pela pele nua.

— Desculpa — ele sussurrou perto da orelha dela. — Pela cena no hangar. Pelo ciúmes do Bond. Eu sei que foi ridículo.

Natasha colocou as mãos sobre as mãos dele em sua cintura, inclinando a cabeça para trás, apoiando-se nele.

— Foi ridículo — ela concordou, suavemente. — Mas foi... eficaz.

James suspirou, virando-a nos braços dele para que ficassem frente a frente. Ele segurou o rosto dela, os polegares acariciando as maçãs do rosto.

— Eu não quero que a gente seja isso, Nat. Eu não quero que nosso relacionamento sobreviva à base de explosões de raiva e sexo de reconciliação para apagar a mágoa. É intenso... Deus sabe que é intenso... mas não é saudável.

Ele olhou nos olhos verdes dela, sério.

— Eu quero paz com você. Eu quero que a gente consiga discordar sem precisar trancar a porta e quebrar protocolos de segurança.

Natasha sorriu, um sorriso pequeno e cansado, mas genuíno. Ela levou a mão à nuca dele, brincando com o cabelo que precisava de um corte.

— Nós somos dois soldados aprendendo a ser civis, James. A paz é um idioma estrangeiro para nós. Mas... nós estamos aprendendo.

Ela ficou na ponta dos pés e deu um selinho nele. Demorado. Carinhoso. Sem a mordida de antes.

— Eu te amo, seu idiota possessivo.

— Eu te amo, minha Viúva — ele respondeu.

Natasha se afastou com relutância. Ela olhou para o relógio na parede.

— Eu tenho que ir. A janela de extração para a Wanda está fechando. O jato está esperando.

Ela se abaixou para pegar uma das pastas no chão — a pasta da Operação Caos: Transia.

James se abaixou para ajudar, recolhendo os papéis espalhados.

Ele viu o relatório de missão na mão dela.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora