Capítulo 182

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Entrada do Labirinto (Antigo Campo de Quadribol). 24 de Fevereiro, 18:30.

A decisão de antecipar a Terceira Tarefa para fevereiro tinha sido controversa, mas os juízes alegaram "razões de segurança" e "aproveitamento do clima adverso". O resultado era um cenário de pesadelo: as sebes do labirinto não eram apenas verdes e altas; estavam cobertas de geada e gelo, brilhando sob a luz da lua cheia como dentes afiados. O frio era brutal, cortando através das capas mais grossas.

Na tenda aquecida reservada para os familiares e campeões antes da entrada, a tensão era palpável. Harry andava em círculos, esfregando as mãos para mantê-las aquecidas e ágeis. Ele parecia pálido, seus olhos verdes dardejando para a entrada da tenda a cada som de fogos de artifício lá fora.

Natasha estava encostada em uma viga de madeira, observando-o. Ela vestia um casaco tático pesado, preto, com o comunicador discreto no ouvido e a postura relaxada de quem está pronta para explodir em ação. Ela viu Harry parar e respirar fundo, tremendo. Natasha desencostou da viga e foi até ele. Ela não era a mãe dele — Lily Potter tinha esse título sagrado —, mas enquanto ela ajeitava a gola da capa dele e segurava seus ombros com firmeza, o amor que sentia era feroz, possessivo e absoluto.

— Respire, Potter — Natasha disse, a voz calma e baixa, um âncora no meio da tempestade emocional dele. — Você conhece os feitiços. Você tem os reflexos. — O labirinto é apenas um quebra-cabeça grande e perigoso. Não deixe ele te intimidar. Você é mais rápido que ele.

Harry olhou para ela, o medo diminuindo um pouco diante da certeza inabalável dela. — E se eu encontrar algo que não sei combater?

— Então você corre — Natasha disse sem hesitar. — E lança as chispas vermelhas. Não há vergonha em sobreviver para lutar outro dia. Eu prefiro um campeão desistente vivo do que um herói morto. Entendeu?

Harry assentiu, engolindo em seco. — Entendi. Obrigado, Nat.

Natasha apertou o ombro dele e sorriu de canto. — Vá lá e mostre a eles.

Ela se virou para voltar ao seu posto, mas parou. Emma estava sentada num banco no canto da tenda. Ela deveria estar desejando boa sorte a Harry, mas estava quieta. Imóvel. Ela segurava a própria cabeça com uma mão, os olhos fechados com força.

O "Sentido Aranha" de Natasha formigou na base da nuca. Ela cruzou a tenda em dois passos largos. — Emma?

Emma abriu os olhos. As pupilas estavam dilatadas, negras, engolindo o verde da íris. Ela estava pálida, uma palidez doentia que contrastava com o cabelo ruivo. — Mãe... — ela sussurrou, a voz arrastada. — Tem algo errado.

— Você está enjoada? É ansiedade? — Natasha se agachou na frente dela, tirando a luva para tocar a testa da filha. Estava fria, mas suada.

— Não... — Emma balançou a cabeça e, com o movimento, gemeu e pendeu para o lado. — O mundo... tá girando. É como um zumbido. Um puxão no umbigo, mas na cabeça. Ela agarrou o braço de Natasha com força, os dedos cravando no casaco. — Tá muito forte. Alguém tá... alguém tá com raiva. Muita raiva. E fome.

De repente, as pernas de Emma cederam enquanto ela tentava se levantar. A vertigem a atingiu com força total. Natasha agiu por instinto, segurando a filha pela cintura e puxando-a contra o peito antes que ela atingisse o chão. — Eu te peguei. Shhh. Eu te peguei.

Harry, que estava saindo, parou e olhou para trás, assustado. — Emma?

— Vá, Harry! — Natasha ordenou, sem olhar para ele, focada em estabilizar a filha. — É só uma queda de pressão. Vá para a linha de partida. O canhão vai soar.

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora