Beco Diagonal. Escadarias de Gringotes. Sexta-feira à Tarde.
O sol da tarde batia forte no mármore branco e imaculado do Banco Gringotes.
Natasha Romanoff desceu os degraus com a elegância predadora de quem acabou de fazer negócios com criaturas que poderiam matar por um galeão mal contado.
Ela ajeitou os óculos escuros no rosto.
Era uma anomalia estatística — e social — uma trouxa ter uma conta em Gringotes.
A maioria dos bruxos guardava seu ouro em cofres de família antigos. Nascidos trouxas trocavam dinheiro na entrada. Mas Natasha? Natasha exigiu uma conta.
Ela tinha liquidado ativos de antigas identidades da KGB, fundos de emergência da SHIELD que "desapareceram" durante a queda da agência, e investimentos de alto risco do mercado de ações de Londres. Ela converteu uma quantia obscena de libras esterlinas em montanhas de ouro bruxo.
Os duendes, criaturas avarentas e desconfiadas por natureza, torceram o nariz para a "sangue-ruim" sem varinha no início. Mas quando viram a quantia e, mais importante, quando Natasha negociou as taxas de câmbio com uma frieza que faria um banqueiro suíço chorar, eles cederam.
Agora, o Cofre 713 (sublocado, claro) era dela. Dinheiro não comprava felicidade, mas comprava equipamentos de proteção contra magia negra, e isso era o suficiente por enquanto.
Ela chegou ao final da escadaria, observando o movimento do Beco Diagonal. Bruxos e bruxas corriam com listas de material escolar, caldeirões batendo e corujas piando.
O chip em seu braço esquerdo zumbia baixo, um lembrete constante de sua conexão com o mundo tecnológico, mas a dor estava controlada.
— Mãe! Mãe, olha isso!
A voz de Emma cortou a multidão.
Natasha se virou a tempo de ver um borrão ruivo correndo em sua direção, desviando de um vendedor de fígado de dragão.
Emma parou na frente dela, ofegante e sorridente, segurando duas casquinhas de sorvete gigantescas que desafiavam a gravidade.
— Sorvete de Manteiga de Amendoim e Geleia de Lesma... não, espera, Geleia de Framboesa! — Emma corrigiu rápido, rindo. — O Sr. Fortescue disse que é por conta da casa porque... bem, porque você é assustadora e ele leu no Profeta Diário que você apontou uma arma para o Crouch.
Natasha arqueou uma sobrancelha, pegando o sorvete que a filha oferecia.
— Minha reputação me precede, e me alimenta. Excelente.
Logo atrás de Emma, uma sombra gigantesca cobriu o sol.
Rubeus Hagrid caminhava pela rua, as pessoas se afastando para dar passagem ao meio-gigante. Ele carregava pacotes enormes que pareciam caixas de fósforos em suas mãos, mas o sorriso em seu rosto barbudo era gentil.
— Boa tarde, Natasha! — Hagrid trovejou, sua voz fazendo os vidros das lojas vibrarem. — Como está o braço? E a cabeça? Arthur me contou da confusão na Copa.
— Estou inteira, Hagrid. — Natasha sorriu. Ela gostava de Hagrid. Ele era honesto, leal e tinha uma força bruta que ela respeitava. — E pronta para outra.
Hagrid parou na frente delas, limpando o suor da testa com um lenço do tamanho de uma toalha de mesa. Ele enfiou a mão no bolso do casaco de pele de toupeira (que devia ter mais espaço que a bolsa de Hermione) e começou a revirar.
— Ah, sim... quase esqueci. Tenho uma coisa pra você. Diretamente do Professor Dumbledore.
Ele puxou um envelope grosso, feito de pergaminho amarelado, pesado e selado com o brasão da fênix. Não era uma carta comum de Hogwarts.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
