Capítulo 165

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Biblioteca de Hogwarts. Quinta-feira, 14 de Novembro. Tarde.

A biblioteca de Hogwarts estava mais cheia do que o normal, mas não pelo amor repentino ao estudo. O ar estava saturado de sussurros, teorias da conspiração e apostas ilegais. A Primeira Tarefa do Torneio Tribruxo aconteceria em dez dias. E ninguém — exceto os diretores e o Ministério — sabia o que era.

Emma estava sentada numa mesa isolada com Hermione, cercadas por torres de livros. — Eu ouvi um aluno do quinto ano da Lufa-Lufa dizer que vão ser Cocatrizes — Emma sussurrou, folheando um livro sobre Bestas Mágicas Perigosas. — Eles disseram que o Hagrid encomendou dúzias de ovos de galinha para alimentar algo.

Hermione não respondeu imediatamente. Ela estava com um livro aberto, mas seus olhos castanhos não estavam no texto. Eles estavam fixos numa fresta entre as estantes da Seção de História da Magia. Emma seguiu o olhar da amiga. Lá, fingindo ler um livro que estava claramente de cabeça para baixo, estava Viktor Krum. O apanhador búlgaro, o ídolo internacional de 18 anos, estava... observando Hermione.

Emma sentiu um arrepio na espinha. E não foi um arrepio bom. A conversa com Natasha na noite anterior ainda ecoava em sua mente. Biologia masculina. Três anos é um abismo. Krum não tinha 17 anos como o Oliver Wood. Ele tinha 18. Ele era legalmente um adulto. Ele viajava o mundo, tinha fãs, dinheiro e uma vida que Emma e Hermione não conseguiam nem imaginar. E Hermione tinha 15 anos recém-completados.

— Mione? — Emma chamou baixinho, chutando levemente o pé da amiga por baixo da mesa.

Hermione piscou, corando violentamente, e voltou a olhar para o livro. — O quê? Ah, Cocatrizes. Duvido. O Ministério baniu a criação delas em 1750. Seria burocracia demais.

— Você estava olhando para ele — Emma acusou, mas sem maldade, apenas com preocupação.

— Eu não estava! — Hermione sibilou, mas suas orelhas estavam vermelhas. — Ele vem aqui todo dia. É irritante. Ele fica respirando alto e andando torto.

— Ele está olhando para você como se você fosse um Pomo de Ouro, Mione. — Emma baixou a voz, inclinando-se sobre a mesa. — Lembra do que a minha mãe disse? Sobre idades? Ele é muito mais velho. Tipo, homem mais velho.

Hermione revirou os olhos, mas parecia lisonjeada e nervosa ao mesmo tempo. — Ele não falou uma palavra comigo, Emma. Ele só... fica lá. É inofensivo.

Emma olhou para Krum de novo através da estante. Ele tinha uma expressão carrancuda, intensa. Inofensivo? A mãe dela diria que ninguém com aquela mandíbula e aquela postura era inofensivo. — Só... cuidado, tá? — Emma pediu. — Minha mãe diz que atletas famosos têm egos do tamanho de estádios.

— Eu sei me cuidar, Emma. Agora, vamos focar. Se não são Cocatrizes, o que pode ser? — Hermione mudou de assunto, puxando um livro sobre Elementais da Terra.

Corredor do Terceiro Andar. 16:30.

Natasha Romanoff caminhava em direção ao seu escritório improvisado. As lentes de contato Stark estavam ativas em modo passivo, apenas escaneando ameaças imediatas. Corredor: Limpo. Nível de Magia Ambiente: Estável.

— Sra. Romanoff!

Natasha parou e se virou. Ron Weasley vinha correndo pelo corredor, parecendo que tinha visto um fantasma. O rosto sardento estava pálido, contrastando com o cabelo vermelho fogo. Ele olhava para os lados, paranoico, para garantir que ninguém estava ouvindo.

— Sr. Weasley — Natasha disse, cruzando os braços. — Está tudo bem? Você parece que vai vomitar.

Ron parou na frente dela, ofegante. Ele engoliu em seco, torcendo as mãos. A angústia emanava dele. Ele estava brigado com Harry há semanas. A teimosia dos Weasley colidindo com o orgulho ferido de Harry. O dormitório dos meninos era um campo minado de silêncio gelado. Mas Ron, apesar de tudo, era leal.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora