UMA SEMANA DEPOIS
Estádio da Copa Mundial de Quadribol. Camarote de Honra. Final da Tarde.
Cem mil bruxos. Era essa a estimativa que Arthur Weasley tinha dado, mas olhando para o mar de cores, bandeiras e faíscas que preenchia o estádio colossal, Natasha Romanoff achava que o número era modesto. O estádio era uma impossibilidade arquitetônica, uma tigela dourada gigantesca que parecia flutuar contra a lei da gravidade, desafiando todas as leis da física que Natasha conhecia.
Natasha estava sentada na primeira fila do Camarote de Honra, o lugar mais alto e prestigiado do estádio. Ela usava roupas civis "trouxas" discretas — jeans escuros, botas de combate (porque ela nunca saía de casa sem elas) e uma jaqueta de couro preta sobre uma blusa verde-musgo. Ao lado dela, Emma vibrava, vestida com um chapéu verde da Irlanda e segurando um onióculo. Do outro lado de Emma estava Harry, com a mesma expressão de deslumbramento no rosto. Natasha observava os dois. Gêmeos separados pelo destino, unidos pelo sangue e, agora, sentados lado a lado como crianças normais.
— Incrível, não é? — Arthur Weasley perguntou, radiante, apontando para o campo lá embaixo.
— É muito... alto — Natasha comentou, seu olhar tático varrendo as saídas de emergência (que eram inexistentes para quem não voava). Ela esticou o braço sutilmente, ajeitando a gola da jaqueta de Harry, um gesto automático de verificação.
O Ministro da Magia, Cornélio Fudge, estava logo atrás, suando em suas vestes risca-de-giz, tentando explicar algo para um bruxo búlgaro. Mas o clima azedou quando a porta do camarote se abriu novamente.
Lucius Malfoy entrou, seguido por Narcisa e Draco. O patriarca Malfoy exalava arrogância. O cabelo loiro platinado caía sobre uma capa de viagem cara. Ele olhou para Arthur Weasley com um desdém que beirava o nojo.
— Arthur — Lucius disse, arrastando as vogais. — O Ministro me disse que você conseguiu ingressos. Vendeu a casa para pagar, imagino? Ou será que o Ministério criou uma cota para... caridade?
Arthur ficou vermelho, mas manteve a postura. — Lucius.
O olhar frio de Lucius deslizou para Hermione, para Ron e, finalmente, parou no trio: Harry, Emma e Natasha. Ele franziu o nariz, como se sentisse um cheiro ruim. — E vejo que trouxe... convidados exóticos. — Ele olhou para Natasha com desprezo, depois para os gêmeos. — Potter e a irmã perdida. E sua... babá trouxa. Ouvi dizer que o Ministério está permitindo trouxas no camarote principal agora. Realmente, Fudge, os padrões de segurança estão caindo.
Natasha não se levantou. Ela não precisava. Ela girou o corpo na cadeira lentamente e encarou Lucius Malfoy. Ela não tinha varinha. Não tinha magia. Mas ela tinha o olhar da Viúva Negra. Um olhar que dizia: Eu sei 14 maneiras de te matar antes que você consiga levantar esse pedaço de madeira.
— Segurança é a minha especialidade, Sr. Malfoy — Natasha disse, a voz calma, mas com um peso metálico. — E eu garanto que os padrões estão mais altos do que o senhor imagina. Especialmente quando se trata da segurança destas crianças.
Lucius piscou, surpreso pela audácia da "trouxa". Ele viu algo nos olhos dela — uma escuridão que ele reconhecia, mas não em alguém sem magia. Ele recuou um passo, instintivamente.
Draco, ao lado do pai, olhou para Harry e Emma. — Aproveitem a vista, Potters — Draco zombou, baixo. — É a última vez que vocês vão ver algo de cima.
Harry fechou a cara, mas Emma segurou o braço do irmão. — Não vale a pena, Harry. O jogo vai começar.
Ludo Bagman apontou a varinha para a garganta e sua voz trovejou pelo estádio: — LADIES AND GENTLEMEN... BEM-VINDOS À FINAL DA COPA MUNDIAL DE QUADRIBOL!
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
