O silêncio da madrugada em Londres era enganoso. Para o resto do mundo, era apenas uma terça-feira chuvosa. Para a Diretora do MI6, era o início de uma deserção.
Natasha não estava vestida como a "Sra. Romanoff". O terninho de seda e os saltos agulha tinham ficado no closet. Ela vestia preto tático. Calça cargo reforçada, botas de combate silenciosas, uma jaqueta de couro que escondia dois coldres nas costelas e facas nas botas. O cabelo ruivo estava trançado apertado contra o crânio. Ela jogou uma mochila preta no banco do passageiro do Audi RS6 blindado — um carro "civil" que não constava nos registros oficiais da frota do governo.
Dentro da mochila: rações militares, um kit de primeiros socorros avançado, bloqueadores de sinal de satélite, e o Vira-Tempo enrolado em veludo.
Ela estava indo para a guerra. Sozinha.
— O motor está frio. A pressão dos pneus está ajustada para chuva e terreno irregular.
Natasha parou com a mão na maçaneta da porta do motorista. Ela não se virou. Ela conhecia aquela voz melhor do que a própria respiração. James saiu das sombras da coluna de concreto. Ele estava de moletom cinza e calça de pijama, descalço no chão frio da garagem. Os braços cruzados, o de metal brilhando sob a luz fluorescente fraca.
Ele não deveria estar ali. Eles tinham combinado que ele ficaria na cama, fingindo dormir, para ter uma negação plausível caso a segurança interna o interrogasse.
— Você deveria estar dormindo, Barnes — Natasha disse, baixo, finalmente se virando.
— E você deveria estar esperando uma autorização do Conselho de Segurança que nunca vai chegar — James rebateu, caminhando até ela. Ele parou a um metro de distância, invadindo o espaço pessoal dela com a gravidade de um planeta.
Ele olhou para o carro. Depois olhou para ela. — Mallory acha que você vai tirar dois dias de licença médica por "exaustão". Fudge acha que você está em casa. — Se eles descobrirem que você está dirigindo para a Escócia para encontrar o fugitivo mais procurado do mundo... — James trincou o maxilar. — ...eles vão mandar caças atrás de você, Nat. E Dementadores. Você vai ser considerada traidora dos dois mundos.
— Eu sei — Natasha respondeu, simples. — É por isso que você não vai. Alguém tem que sobrar para cuidar das crianças se eu for presa.
A menção das crianças fez o rosto de James se contorcer em dor. Ele odiava isso. Cada fibra do seu corpo modificado, cada instinto do Soldado Invernal gritava para ele entrar naquele carro e ser o escudo dela. Deixá-la ir sozinha para um castelo cercado por monstros sugadores de alma e um rato assassino era contra a natureza dele.
Mas ele sabia que ela estava certa. Se os dois fossem pegos, Harry e Emma ficariam sozinhos no sistema. Ele era a apólice de seguro. Ele era o segredo que o MI6 e o Ministério não sabiam: que o Soldado Invernal era cúmplice da traição da Diretora.
— Você tem o comunicador de longa distância? — ele perguntou, a voz rouca.
— Frequência encriptada. Só você pode ouvir. — Natasha tocou o brinco pequeno na orelha direita.
James assentiu, mecânico. Ele olhou para o chão, depois para ela. A tensão nele era palpável, vibrando no ar como eletricidade estática. Natasha suspirou e deu um passo à frente, quebrando a distância. Ela colocou as mãos no peito dele, sobre o moletom macio. — Ei. Eu sou a Viúva Negra. Eu sei desaparecer. Eu vou, encontro o Sirius, pego o rato e volto antes que o Mallory perceba que o café esfriou.
Ela tentou sorrir, aquele sorriso confiante e arrogante que costumava acalmá-lo. Mas James não sorriu. Ele olhou para ela com uma intensidade aterrorizante. Ele olhou para cada sarda, cada curva do rosto dela, gravando a imagem no cérebro.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
