Capitulo 57

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Quinjet dos Vingadores. Espaço Aéreo Internacional. 10:30.

O zumbido dos motores do jato era constante, mas dentro da cabine principal, o som dominante era o rasgar de velcro e o cheiro metálico de sangue misturado com antisséptico.

Clint Barton estava deitado na maca médica retrátil, com a lateral do uniforme rasgada, expondo um ferimento feio na linha da cintura onde um disparo de plasma da Hidra tinha queimado a pele e o músculo.

Natasha estava sentada no banco ao lado dele, as pernas cruzadas, observando a Dra. Cho — que tinha vindo no suporte — limpar a ferida. O rosto de Natasha era uma máscara perfeita de tédio profissional. Nem um músculo tremia. Ninguém diria que seu coração tinha parado por dois segundos quando ouviu o grito de dor dele pelo comunicador na floresta.

Clint era sua família. Antes de Steve, antes de Emma, antes de tudo... havia Clint. Ele era a única razão pela qual ela não era apenas uma memória sangrenta em um livro de contabilidade da KGB.

— Beba — Tony Stark apareceu na frente dela, interrompendo seus pensamentos sombrios.

Ele estendeu um copo contendo um líquido verde-musgo espesso e borbulhante.

— O que é isso? — Natasha perguntou, olhando para o copo com a mesma desconfiança que olharia para uma granada sem pino.

— Clorofila, eletrólitos, couve e um pouco de nanotecnologia regenerativa para o sistema imunológico — Tony disse, virando o próprio copo com uma careta. — Gosto de grama batida com tristeza, mas faz maravilhas para a adrenalina pós-combate. Beba, Romanoff. Você parece pálida.

Natasha pegou o copo, sentindo o cheiro vegetal invadir suas narinas. Ela tomou um gole pequeno e quase engasgou, mas manteve a compostura.

— Delicioso, Tony — ela mentiu, a voz seca. — Tem gosto de... pântano.

Na maca, Clint soltou um gemido sibilado enquanto a Dra. Cho aplicava um gel anestésico. A mão de Natasha, que descansava no joelho dela, fechou-se com tanta força que as juntas ficaram brancas. Ela queria segurar a mão dele. Queria dizer "eu estou aqui". Mas havia soldados na sala. Havia o Capitão e o Soldado Invernal sentados no fundo do jato em um silêncio mortal.

Então, ela fez o que fazia de melhor: disfarçou.

— Você é um bebê chorão, Barton — disse ela, tomando outro gole da bebida horrível e fazendo uma careta para ele. — Foi só um arranhão.

Clint abriu um olho, o suor escorrendo pela têmpora, e deu aquele sorriso torto que ela conhecia tão bem. Ele viu através da máscara dela. Ele viu o medo nos olhos verdes.

— Eu estou bem, Nat — ele sussurrou, rouco. — Não vou morrer e te deixar sozinha com esses egocêntricos.

Natasha relaxou os ombros, imperceptivelmente.

Tony, que estava mexendo nos controles do piloto automático e parecia vibrar com energia maníaca agora que o Cetro estava seguro, girou a cadeira para encarar a equipe.

— O laboratório está pronto, o Cetro está seguro e a Hidra foi decapitada... de novo. — Tony bateu palmas. — Sabem o que isso significa?

— Descanso? — sugeriu Bruce Banner, que estava encolhido em um canto com um cobertor, recuperando-se do "Outro Cara".

— Não. Festa — decretou Tony, apontando para eles. — Sábado à noite. Torre dos Vingadores. Eu vou convidar todo mundo. Veteranos, políticos, modelos... talvez até a Pepper se ela não estiver ocupada dirigindo minha empresa. Vamos celebrar a vitória. Thor, traga aquele hidromel que faz a gente ver o tempo passar ao contrário.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora