Capitulo 114

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Cobertura de Londres. 08 de Outubro. 02:15 da Manhã.

A escola ainda não tinha acabado. Emma ficou em Hogwarts, sob a vigilância redobrada de Dumbledore e com a promessa de que o "rato" estava longe. Hermione e Harry ficaram para garantir que ela não explodisse mais nada. Natasha voltou sozinha.

A viagem de volta da Escócia foi um borrão de analgésicos trouxas e magia de cura mal feita que coçava sob as bandagens. Quando o elevador privativo se abriu na cobertura, o silêncio não era de paz. Era de tempestade.

As luzes estavam baixas. James Barnes estava sentado no sofá, de cotovelos nos joelhos, a cabeça baixa. Ele não estava dormindo. No momento em que a porta do elevador se abriu, ele levantou a cabeça. Ele parecia péssimo. A barba por fazer de dois dias, olheiras profundas, os olhos azuis injetados de café e pânico.

Natasha deu um passo para dentro, mancando levemente. James se levantou num pulo. A velocidade foi assustadora. — Onde. Você. Estava? — Ele não gritou, mas a voz vibrou com uma fúria contida que era pior que qualquer grito.

Natasha tentou manter a postura. — James, eu...

— DOIS DIAS, NATASHA! — Ele explodiu, chutando a mesa de centro com a perna de carne, mandando revistas voando. Ele começou a andar na direção dela, gesticulando violentamente. — Quarenta e oito horas! Sem um telefonema! Sem um sinal de rádio! O comunicador ficou mudo assim que você cruzou a fronteira de Hogwarts!

Ele parou na frente dela, o peito subindo e descendo. — Eu liguei para o Q. Eu ameacei quebrar os dedos dele se ele não achasse você. Ele tentou rastrear seus sinais vitais pelo implante subcutâneo. James passou a mão de metal pelo rosto, o som do vibranium raspando na barba. — Sabe o que apareceu na tela? Nada. Linha reta. Morta. Por causa daquela maldita interferência mágica!

Ele estava tremendo. Não de frio, mas de adrenalina acumulada pelo terror. — Eu estava a um passo de pegar o jato e bombardear aquele castelo! Eu achei que você estava morta! Eu achei que o lobisomem tinha te pegado! Eu achei...

Ele parou, a voz falhando, engasgada pelo medo que ele sentiu nas últimas 48 horas. — Você não tem o direito de fazer isso comigo. Você não tem o direito de sair em uma missão suicida e me deixar no escuro achando que perdi minha esposa!

Natasha ouvia tudo, parada no meio da sala. Normalmente, a reação dela seria defensiva. A "Velha Natasha" teria cruzado os braços. Teria dito: "Eu sei me cuidar". Teria dito: "Você está exagerando, Barnes, eu sou a Viúva Negra, eu não preciso de babá". Teria transformado aquilo em uma briga de egos sobre independência e competência.

Mas Natasha estava cansada. As costelas doíam a cada respiração. Os cortes do lobisomem ardiam. E as palavras de Emma na floresta ainda ecoavam em sua mente: "Meu medo é que você morra achando que a gente consegue viver sem você."

Ela olhou para James. Ela viu o terror nos olhos dele. Ele não estava tentando controlá-la. Ele estava apenas amando-a, do jeito desesperado e traumático que dois soldados quebrados se amam.

Natasha não discutiu. Ela levou a mão ao zíper da jaqueta de couro. Ela puxou o zíper para baixo devagar. Quando ela tentou tirar a jaqueta dos ombros, o movimento repuxou o ferimento no flanco e as costelas quebradas. — Ahhh... — um gemido de dor escapou involuntariamente dos lábios dela.

James parou no meio de uma frase sobre "irresponsabilidade tática". Ele viu a careta de dor. Viu a postura curvada. Viu as bandagens brancas manchadas de vermelho por baixo da blusa preta. A raiva dele vacilou, lutando com o instinto médico. — Nat... — ele começou, confuso, dando um meio passo à frente.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora