Capítulo 195

5 1 0
                                        

Sala de Estar da Cobertura. Sexta-feira, 19:30.

A chuva fina de Londres batia na janela, mas dentro da cobertura, o clima era de uma calmaria pós-tempestade. Natasha estava aninhada no canto do sofá em "L", com uma perna esticada sobre o estofado e a outra dobrada. Ela vestia um short de moletom cinza curto e uma camiseta de manga longa preta do James, que ficava larga nela, cobrindo as mãos até a metade.

Na coxa esquerda, exposta pelo short, havia uma faixa grossa de gaze branca. No centro da faixa, uma mancha de sangue seco, do tamanho de uma moeda, denunciava que o ferimento de Macau ainda estava fresco e protestando contra qualquer movimento brusco.

Mas Natasha não parecia se importar. Ela segurava um sanduíche de queijo quente e presunto com as duas mãos e comia com uma vontade que não tinha há dias. O apetite tinha voltado. O nó no estômago, causado pelo terror do pesadelo e pela incerteza do plano, tinha se desfeito. Eles tinham o vibranium. O metal estava em um laboratório seguro, sendo moldado pelas mãos de Stark e Q. Ela tinha uma chance.

O som da fechadura eletrônica bipou. A porta se abriu e o silêncio da casa foi preenchido pela energia caótica e bem-vinda de adolescentes.

— ...e aí o Clint disse que se eu acertasse o centro, ele me dava o arco antigo dele! — A voz de Harry vinha do corredor, animada. — Você errou por um milímetro, Harry. Não vale roubar — Emma riu.

Eles entraram na sala, jogando as mochilas no chão com aquela despreocupação típica da idade. James Barnes entrou por último, fechando a porta com o pé. Ele trazia algumas sacolas de mercado e uma caixa quadrada branca de confeitaria, amarrada com uma fita vermelha.

— Mãe! — Emma foi a primeira a ver Natasha. O sorriso dela vacilou por um segundo quando seus olhos desceram para a perna enfaixada. — O que aconteceu com a sua perna?

Harry parou ao lado dela, franzindo a testa, a preocupação de "filho" aparecendo. — Você se machucou? O Clint disse que foi só "burocracia".

Natasha engoliu o pedaço de sanduíche e sorriu para eles. Um sorriso leve, sem a tensão das últimas semanas. — Foi burocracia agressiva — ela brincou, passando a mão na faixa. — Digamos que eu achei que ainda podia fazer acrobacias de circo no meio de uma negociação acalorada. — Tentei pular uma mesa de vidro. A mesa ganhou. Acontece nas melhores famílias.

Emma revirou os olhos, mas sorriu, aliviada pelo tom de voz da mãe. Se Natasha estava fazendo piada, não era grave. — Você não tem mais vinte anos, Viúva Negra. Cuidado com a osteoporose.

— Olha o respeito, mocinha — Natasha jogou uma almofada nela com a mão livre, rindo. — Ou eu coloco você de castigo sem acesso aos satélites da NASA.

James caminhou até a sala, ignorando a batalha de almofadas. Ele foi direto para Natasha. Ele colocou as sacolas no chão, mas manteve a caixa branca na mão. Ele olhou para a faixa na perna dela. Depois olhou para o rosto dela. Viu a cor nas bochechas. Viu o prato com o sanduíche quase acabado. Os ombros de James relaxaram visivelmente.

— Como está a dor? — ele perguntou baixo, só para ela, enquanto Harry e Emma ligavam a TV.

— Suportável — Natasha respondeu, olhando nos olhos dele. — Melhor agora.

James sorriu de canto. Aquele sorriso que fazia o coração dela errar a batida mesmo depois de tudo. Ele colocou a caixa branca no colo dela, sobre a perna boa. — Eu trouxe reforços.

Natasha abriu a caixa. O cheiro doce invadiu suas narinas. Era um bolo Red Velvet. O favorito dela. Camadas de bolo vermelho escuro, úmido, intercaladas com um creme de cream cheese branco e generoso. Não era um bolo qualquer. Era da confeitaria favorita dela em Paris, que James magicamente (ou através de conexões da SHIELD) conseguira trazer para Londres.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora