Capitulo 112

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O cheiro de antisséptico mágico (uma mistura de álcool e hortelã-pimenta) era enjoativo. A Ala Hospitalar estava mergulhada em um silêncio tenso, quebrado apenas pelo som de Madame Pomfrey abrindo e fechando potes de vidro com uma violência que demonstrava sua insatisfação com a segurança da escola.

Ron Weasley estava na cama da ponta, apagado por uma Poção do Sono Sem Sonhos, a perna engessada magicamente e flutuando levemente acima do colchão. Harry e Hermione estavam sentados na cama ao lado, sujos de terra e lágrimas secas. Eles pareciam derrotados. A notícia tinha chegado rápido: Sirius Black estava trancado na Torre Oeste. O Ministro Fudge tinha sido chamado. Os Dementadores estavam a caminho para realizar o Beijo. Não havia julgamento. Não havia defesa. Apenas a execução de um fugitivo "perigoso".

E na cama central, cercada por cortinas semi-abertas, estava Natasha Romanoff.

Ela estava sentada na beirada da cama, sem camisa, apenas com um top esportivo preto (agora manchado de sangue seco) que permitia a Madame Pomfrey acessar as costelas e o flanco esquerdo. Os ferimentos eram feios. Três linhas paralelas e profundas rasgavam a pele branca do lado do corpo, pulsando com uma cor roxa e vermelha — a marca registrada de magia negra residual de lobisomem. 

— Você tem sorte de ter ossos densos, Sra. Romanoff — Madame Pomfrey resmungou, aplicando uma pasta verde e fedorenta sobre os cortes. — Se fosse um aluno, teria sido partido ao meio. Lobo classe 5... é irresponsabilidade pura...

Natasha não respondeu. Ela olhava para o nada, com aquela expressão vazia que ela usava quando estava processando cenários táticos em alta velocidade. Ela não gemia de dor. Ela nem piscava quando a pasta ardia.

Emma estava parada ao pé da cama, de braços cruzados. Ela não estava chorando. Ela estava observando a mãe com a intensidade de um falcão. Emma conhecia Natasha. Ela sabia que o silêncio da mãe não era derrota. Era cálculo.

A porta da enfermaria se abriu e Albus Dumbledore entrou. O rosto dele estava grave, sem o brilho habitual nos olhos azuis. Atrás dele, ouvia-se a voz estridente de Cornelius Fudge no corredor, dando ordens histéricas para os Dementadores se posicionarem nos portões.

Harry levantou a cabeça, desesperado. — Professor Dumbledore! O senhor tem que pará-los! Sirius é inocente!

Dumbledore levantou a mão suavemente. Ele não olhou para Harry. Ele olhou diretamente para Natasha. Houve uma troca silenciosa entre o Diretor de Hogwarts e a Diretora do MI6. Um entendimento de generais que sabem que a batalha no campo acabou, mas a guerra política está apenas começando.

— Eles estão esperando, Natasha — Dumbledore disse, a voz calma, mas carregada de urgência. — O Ministro Fudge. E o Sr. Mallory.

Natasha desceu da cama. Madame Pomfrey tentou protestar. — Sra. Romanoff! Suas costelas! O impacto foi severo, você tem luxações múltiplas e precisa de repouso absoluto!

— São apenas hematomas e um ombro fora do lugar, Poppy. Já sobrevivi a quedas piores — Natasha mentiu sobre a dor (que era lancinante), vestindo a jaqueta de couro rasgada sobre as bandagens com uma estoicidade que assustou Ron.

Ela se virou para Emma. A menina estava pálida, segurando a varinha como se fosse atacar o Ministro da Magia se ele entrasse. Natasha segurou o rosto da filha com a mão boa. Ela viu os arranhões no rosto de Emma, a sujeira, o medo. Mas viu a coragem. Ela se inclinou e beijou o topo da cabeça de Emma, demorando um segundo ali, respirando o cheiro de fumaça e cabelo de criança.

— Fique aqui — Natasha sussurrou. — Cuide do seu irmão. Eu vou ter uma conversa com os adultos.

— Mãe... — Emma tentou argumentar.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora