Sala de Segurança da Torre dos Vingadores. Nova York. 04:15 da manhã.
A luz azulada dos monitores era a única iluminação na sala fria e silenciosa.
Natasha Romanoff estava sentada na cadeira giratória, os pés apoiados na mesa, encarando uma tela cheia de relatórios da S.H.I.E.L.D. sobre células remanescentes da Hidra na Europa Oriental.
Seus olhos percorriam as linhas de texto, mas seu cérebro não processava nada.
Onde deveria estar lendo "Movimentação de carga em Sokovia", ela via neve caindo. Onde deveria ver "Agentes hostis", ela via olhos azuis-acinzentados cheios de dor. Onde deveria sentir o teclado sob seus dedos, ela sentia o metal frio de um braço biônico apertando sua cintura.
— Sua. Diz que você é minha.
A voz de James ecoou em sua mente tão nítida que Natasha estremeceu, fechando o arquivo com um clique agressivo do mouse.
— Foco, Romanoff — sussurrou ela para si mesma, esfregando as têmporas. — Foco. Você não é uma adolescente apaixonada. Você é uma Vingadora.
Ela odiava quando sua mente lhe pregava peças. O sonho da noite anterior tinha aberto uma comporta que ela levou anos para cimentar. Agora, a água estava vazando, inundando seu trabalho, sua rotina, sua sanidade.
O som da porta deslizando a fez girar a cadeira instantaneamente, a mão indo para a Glock presa embaixo da mesa.
Mas era apenas Clint Barton.
Ele estava com o cabelo despenteado de quem acabou de acordar (ou não dormiu), vestindo moletom e segurando duas canecas fumegantes.
— Calma, Viúva — disse ele, entrando sem cerimônia. — Sou eu. Não atire no entregador de cafeína.
Clint chutou uma cadeira para perto da mesa dela e se sentou, estendendo uma das canecas.
— Café preto. Sem açúcar. Tão amargo quanto a sua alma às quatro da manhã.
Natasha pegou a caneca, sentindo o calor passar para suas mãos frias.
— Engraçadinho. O que você está fazendo acordado?
— O mesmo que você — Clint tomou um gole barulhento. — Tentando cansar o cérebro para ver se ele desliga.
Ele a observou por cima da borda da caneca. Aquele olhar de Gavião. O olhar que via um alvo a quilômetros de distância e que, infelizmente, via através das defesas de Natasha a centímetros de distância.
— Qual é o problema, Nat? — perguntou ele, o tom de brincadeira sumindo.
— Trabalho — mentiu ela, gesticulando para as telas. — A Hidra está se reagrupando. Tenho muitos casos para revisar, relatórios da Emma para ler, protocolos de segurança para...
— Besteira — cortou Clint.
Natasha parou. Ela olhou para ele, desafiadora.
— Desculpe?
— Eu disse que é besteira. — Clint colocou a caneca na mesa. — Eu conheço essa sua cara, Nat. É a cara de "estou tentando resolver uma equação impossível". E não tem nada a ver com a Hidra.
Ele se inclinou para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos.
— Eu te conheço desde que você tinha 20 anos, Natasha. Desde aquele dia em Budapeste, quando eu deveria ter te matado e, em vez disso, te ofereci uma chance.
Clint sorriu, um sorriso nostálgico e cansado.
— São doze anos, Nat. Doze anos cobrindo as costas um do outro. Doze anos tirando estilhaços, dividindo quartos de hotel baratos e ouvindo você respirar pelo comunicador. Eu sei quando você está cansada, sei quando está machucada e sei quando está assombrada.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
