Capitulo 178

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Sala de Aula de Transfiguração. Segunda-feira, 09:00 da Manhã.

O primeiro dia de volta às aulas sempre tinha um clima de ressaca coletiva. O Salão Principal estava mais silencioso no café da manhã, os corredores pareciam mais frios e a perspectiva de encarar McGonagall na primeira hora da manhã era desanimadora até para a Hermione.

Emma entrou na sala de aula sentindo o peso do uniforme escolar novamente, depois de semanas usando jeans e os suéteres descolados que Natasha comprara. Ela estava caminhando com Harry e Ron, rindo de algo que Ron dizia sobre Fred e George terem tentado contrabandear fogos de artifício no trem.

Eles se sentaram nas mesas habituais da frente. O lado da Grifinória da sala estava cheio. Infelizmente, a Transfiguração do quarto ano era uma das poucas aulas compartilhadas com a Sonserina.

O lado direito da sala era um mar de verde e prata. E no centro dele, como um rei em seu trono de madeira desconfortável, estava Draco Malfoy. Ele parecia mais pálido do que o normal depois das férias, o cabelo loiro platinado penteado para trás com uma precisão quase dolorosa. Ele estava conversando com Blaise Zabini, ignorando o resto da sala com sua arrogância habitual.

Até que ele viu Emma.

Ele parou no meio da frase. Seus olhos cinzentos frios focaram nela. Ele notou algo diferente. Não era o uniforme, era a postura. Ela parecia... mais segura. Menos a garotinha assustada que chegou no início do ano. E ela estava usando um gorro de lã cinza com um pompom ridículo que não fazia parte do uniforme, e que ela tirou assim que entrou, revelando o cabelo ruivo meio bagunçado.

— Olha só — a voz arrastada de Draco cortou o ar silencioso da sala antes mesmo da professora chegar. — A órfã voltou. E parece que gastou a mesada trouxa em trapos novos. Aquele gorro parecia algo que um gato vomitaria.

A mesa da Sonserina riu obedientemente. Crabbe e Goyle grunhiram. Harry, ao lado de Emma, tencionou imediatamente. A mão dele foi para a varinha no bolso. — Cala a boca, Malfoy — Harry rosnou, o instinto protetor de irmão mais velho ativando. — Ninguém falou com você.

Mas antes que Harry pudesse se levantar, Emma colocou a mão no braço dele, segurando-o. Ela não olhou para Harry. Ela olhou diretamente para Draco. Ela não corou. Ela não desviou o olhar. Ela lembrou das palavras de Natasha: "A inocência é o melhor disfarce. Mas quando o disfarce falha, use a arrogância deles contra eles."

Emma ergueu uma sobrancelha, imitando o movimento que vira sua mãe fazer tantas vezes. — Pelo menos eu não me visto como se estivesse indo para um funeral vitoriano todos os dias, Draco. Esse excesso de gel no cabelo está cortando a circulação do seu cérebro?

O riso da Sonserina morreu instantaneamente. Pansy Parkinson engasgou. Ron soltou uma risada alta e surpresa. Draco piscou. A máscara de príncipe intocável rachou por um segundo, revelando uma surpresa genuína. Ninguém falava assim com ele. Muito menos a "irmãzinha" do Potter.

Os olhos dele se estreitaram. O cinza ficou tempestuoso. — Cuidado com a língua, Romanoff. Você não tem sua mãe assassina aqui para te proteger.

— E você não tem seu papai Comensal para comprar suas notas — Emma retrucou no mesmo tom.

A tensão na sala era tão espessa que poderia ser cortada com um feitiço Diffindo. Era ódio puro. Mas debaixo do ódio, havia uma eletricidade estranha. Eles estavam travados um no outro, ignorando o resto da turma.

A porta da sala se abriu com um estrondo. A Professora McGonagall entrou, sentindo o clima imediatamente. — Silêncio! — ela ordenou, caminhando para a frente da sala. — É o primeiro dia de volta e já estão agindo como trasgos? 20 pontos a menos para a Sonserina, Sr. Malfoy, por começar a desordem. E 10 a menos para a Grifinória, Srta. Romanoff, por continuar.

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora