Capítulo 188

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Largo Grimmauld, Número 12. Cozinha. Sábado, 19:00.

A casa antiga e decrépita da família Black cheirava a mofo, poeira e magia negra adormecida. Mas na cozinha do porão, o cheiro era de ansiedade e chá forte. A Ordem da Fênix estava sendo reconvocada. Dumbledore tinha dado o sinal apenas duas horas após o fim do Torneio.

Molly Weasley estava andando de um lado para o outro, o avental amarrado com força na cintura. Suas mãos tremiam tanto que a xícara de chá que ela tentava segurar batia no pires com um tlim-tlim-tlim enervante.

Arthur Weasley estava sentado à mesa longa de madeira, com a cabeça entre as mãos, parecendo exausto. Do outro lado, Sirius Black (agora em sua forma humana, mas com a magreza e a palidez de quem viveu em cavernas) e Remus Lupin estavam sentados, as expressões sombrias iluminadas apenas pela lareira baixa.

— É suicídio, Arthur! — Molly explodiu, a voz embargada, parando de andar para encarar o marido. — Dumbledore quer que ela volte para o castelo em setembro? Sozinha? — Vocês ouviram o Harry! Vocês ouviram o que Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado disse!

Molly largou a xícara na mesa com um estrondo, o chá transbordando. — "Eu vou matá-la na frente da menina." — Molly repetiu as palavras de Harry, estremecendo. — Ele foi específico. Ele não quer apenas matar a Natasha. Ele quer torturá-la. Ele quer quebrá-la.

— Molly, querida... — Arthur tentou, estendendo a mão para ela. — A Natasha não é indefesa. Nós vimos do que ela é capaz. Ela tem magia agora. Ela tem treinamento.

— Ela é uma bruxa há seis meses, Arthur! — Molly gritou, as lágrimas começando a cair. — Voldemort tem setenta anos de conhecimento das Artes das Trevas! Ele duelou com Dumbledore! — A Natasha é corajosa, eu sei. Eu amo aquela mulher por tudo que ela fez pelo Harry. Mas ela é... ela é humana demais para essa guerra. — Uma arma trouxa não para uma Maldição da Morte!

Sirius suspirou, passando a mão pelo cabelo longo e embaraçado. Ele recostou-se na cadeira, olhando para o teto escuro. — A Molly tem um ponto — Sirius disse, a voz rouca. — A Natasha é perigosa. Eu não gostaria de brigar com ela num beco escuro. Mas contra o Voldemort? Cara a cara? — E o pior... o James não pode ir.

Lupin assentiu gravemente, mexendo em sua xícara vazia. — Esse é o maior problema tático. As proteções de Hogwarts foram reforçadas séculos atrás. Elas repelem trouxas. A Natasha conseguiu a vaga porque tem o núcleo mágico ativo agora. — Mas o James... ele é um "trouxa" aos olhos das proteções antigas. Mesmo com a força dele, ele não pode atravessar os portões e morar lá. Ele não pode ser contratado.

— Exatamente! — Molly disse, torcendo as mãos no avental. — Então a Natasha vai estar lá dentro, cercada. Com o Harry e a Emma para proteger. E o marido dela, o parceiro dela, vai estar preso em Londres! — Ela vai estar sozinha contra os Comensais, contra o Snape — Molly lançou um olhar desconfiado para a cadeira vazia onde Snape costumava sentar —, contra o próprio Voldemort se ele decidir invadir.

Arthur se levantou e foi até Molly, abraçando-a. Ela soluçou contra o ombro dele. — Eu tenho medo por ela, Arthur. Eu tenho tanto medo. Ela é mãe agora. E ele quer usar isso para destruí-la. — Ninguém deveria carregar esse alvo nas costas. Muito menos alguém que acabou de entrar no nosso mundo.

O silêncio caiu na cozinha. O relógio de parede tiquetaqueava ominosamente.

Então, Remus Lupin falou. Sua voz era calma, ponderada, a voz do professor que ele sempre seria. — Você está certa em ter medo, Molly. O perigo é real e absoluto. — Mas eu acho que vocês estão esquecendo de uma coisa.

Molly levantou o rosto, limpando as lágrimas. — O quê?

Lupin olhou para Sirius, depois para os Weasleys. Um brilho âmbar, quase de lobo, surgiu em seus olhos. — Nós estamos julgando a Natasha pelos padrões de bruxos. Estamos pensando em duelos de varinha, em regras de combate mágico. — Mas a Natasha não luta como um bruxo. Ela não luta por honra. Ela não luta para desarmar. — Ela é a Viúva Negra.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora