Upper West Side, Nova York. 03:15 da manhã.
O elevador biométrico abriu com um ding suave, quase imperceptível.
Natasha Romanoff entrou em seu apartamento como um espectro. Ela tinha deixado as botas táticas na entrada para não fazer barulho no piso de madeira. Seus pés, protegidos apenas por meias grossas, moviam-se sem som.
O apartamento estava mergulhado na penumbra, iluminado apenas pelo brilho azulado da cidade que entrava pelas janelas panorâmicas.
No sofá da sala, iluminada apenas pela luz de um tablet, estava a Agente 13 — Sharon Carter.
Sharon levantou a cabeça instantaneamente, a mão indo para a arma no coldre de tornozelo, mas relaxou ao ver o cabelo ruivo.
— Romanoff — sussurrou Sharon, levantando-se e esticando as costas. — Você demorou. O relatório dizia Calcutá.
— O trânsito estava horrível — respondeu Natasha, a voz rouca de cansaço. Ela jogou a jaqueta de couro sobre uma poltrona. — Como ela está?
— Dormindo desde as dez. — Sharon pegou sua bolsa. — Ela tentou ficar acordada te esperando, mas o sono venceu. Ela é... uma boa garota. Um pouco questionadora sobre as regras de "não usar magia na sala", mas boa.
Natasha permitiu-se um meio sorriso cansado.
— Ela puxou a mãe. A rebeldia vem de fábrica.
Sharon caminhou até o elevador.
— Fury mandou avisar que o transporte para o Helicarrier sai às 07:00. Você tem menos de quatro horas.
— É mais do que eu costumo ter. Obrigada, Carter.
Sharon assentiu e entrou no elevador. As portas se fecharam, deixando Natasha sozinha no silêncio do seu santuário.
O primeiro instinto dela foi ir para o quarto de Emma.
A porta estava entreaberta. Natasha empurrou-a com a ponta dos dedos.
O quarto cheirava a lavanda e sono tranquilo. Emma estava espalhada na cama gigante, um braço pendurado para fora, o pijama xadrez amassado. Bucky, o gato preto, estava aninhado na curva dos joelhos dela, abrindo um olho amarelo preguiçoso para encarar Natasha antes de voltar a dormir.
Na mesa de cabeceira, a varinha de cerejeira estava ao lado de um copo de água.
Natasha se aproximou da cama. Ela não tocou na menina. Ela estava "suja" — suja de sangue de interrogatório, suja de poeira da Índia, suja de medo por Clint. Ela não queria contaminar a paz de Emma com sua guerra.
Ela apenas observou o peito da filha subir e descer. Tum-tum. Tum-tum. O ritmo que a mantinha sã.
Ela saiu do quarto, fechando a porta com cuidado.
Agora, a cozinha.
Natasha abriu o congelador. A luz branca e fria iluminou seu rosto cansado. Atrás dos potes de sorvete de Emma, escondida no fundo, estava sua "medicina".
Uma garrafa de vodka Beluga importada.
Ela pegou a garrafa. O vidro estava congelante, queimando a ponta dos seus dedos.
Ela não pegou um copo. Ela se sentou no chão da sala, encostada na ilha da cozinha, na escuridão, e abriu a garrafa.
O cheiro do álcool forte subiu. Cheiro de Rússia. Cheiro de esquecimento.
Ela deu um gole longo, direto da garrafa. O líquido desceu como fogo líquido, aquecendo seu estômago e anestesiando as arestas afiadas de sua ansiedade.
Natasha fechou os olhos e encostou a cabeça nos armários atrás dela.
Em quatro horas, ela estaria num porta-aviões voador, cercada por egos gigantes — Stark, Rogers, Banner — tentando impedir uma invasão alienígena liderada por um deus nórdico que tinha o controle da mente do seu melhor amigo.
Era o cenário de um pesadelo.
Mas ali, no chão da cozinha, com o gosto da vodka na boca e o som da respiração de Emma no quarto ao lado, Natasha encontrou seu foco.
Ela não estava lutando por S.H.I.E.L.D. ou pelo Conselho de Segurança.
Ela estava lutando para garantir que o mundo continuasse girando para que, em setembro, ela pudesse levar uma menina ruiva até a Plataforma 9 ¾.
Natasha deu mais um gole, fechou a garrafa e se levantou.
— Hora do banho, Romanoff — disse ela para o apartamento vazio. — Você tem uma guerra para vencer.
Porta-Aviões Aéreo da S.H.I.E.L.D. (Helicarrier). 07:30 da Manhã.
O vento no convés de voo era forte o suficiente para arrancar a pele de um homem, mas Natasha Romanoff caminhava contra ele como se fosse uma brisa de verão. Ela tinha dormido três horas. O gosto da vodka tinha sido substituído por café forte e pasta de dente de menta, e a "mãe" tinha sido guardada na gaveta.
Agora, ela era a Agente Romanoff.
Ela viu o Quinjet pousar e a rampa descer. Phil Coulson desceu primeiro, com aquele sorriso de fã-clube que ele tentava disfarçar, seguido por Steve Rogers.
O Capitão América.
Natasha o observou por um segundo antes de se aproximar. Ele parecia deslocado. Não apenas pelo uniforme ou pelo fato de ser um homem de 1940 em 2012, mas porque ele tinha uma aura de honestidade que doía nos olhos de alguém como ela, acostumada às sombras.
— Agente Romanoff — cumprimentou Steve, educado, mas com os olhos varrendo o convés, avaliando ameaças. — O Coulson me disse que você tirou o Dr. Banner da Índia.
— Ele concordou em vir — disse Natasha, caminhando ao lado dele. — O que é uma vitória, considerando que a última vez que alguém tentou, o Harlem virou entulho.
Steve olhou para ela. Seus olhos azuis eram intensos, mas gentis.
— Você parece tensa, Romanoff.
Natasha quase riu. Tensa era eufemismo. Ela estava apavorada. Clint estava nas mãos de Loki. Emma estava em casa com uma babá armada. E ela estava prestes a se trancar numa lata de sardinha voadora com o Hulk.
— É a brisa do mar — desconversou ela. — Vamos. O Dr. Banner está esperando.
Eles entraram na ponte de comando. O caos controlado da S.H.I.E.L.D. estava em pleno funcionamento. Agentes corriam, telas piscavam.
Bruce Banner estava lá, parecendo um professor de física perdido numa rave de militares.
— Doutor — disse Steve, estendendo a mão. — É um prazer. Ouvi dizer que você pode rastrear o cubo.
— É essa a ideia — respondeu Banner, nervoso.
Enquanto Fury fazia seu discurso sobre "há uma guerra chegando", Natasha se manteve no fundo, observando os monitores. Ela procurava um rosto. O rosto de Clint.
Mas a tela só mostrava estática e mapas globais.
— Senhores — a voz de Fury cortou o ar. — Vamos caçar umas pedras.
Stuttgart, Alemanha. A Noite da Ópera.
A missão em Stuttgart foi o primeiro teste real. Loki apareceu, fez um discurso grandioso sobre como a humanidade ansiava por submissão e começou a atacar civis.
Natasha pilotava o Quinjet, suas mãos firmes no manche.
— Ele está na praça pública — informou ela pelo rádio. — Capitão, você é o elemento de solo. Eu dou cobertura aérea.
— Entendido — respondeu Steve.
Lá embaixo, Steve Rogers pulou do jato sem paraquedas, aterrissando entre Loki e um velho alemão que se recusava a ajoelhar.
— Sabe, a última vez que estive na Alemanha e vi um homem se achando superior a todos os outros, a gente acabou discordando — disse Steve, o escudo erguido.
A luta começou. Loki era rápido. Forte. Magia asgardiana contra soro de super soldado.
Natasha manobrou o Quinjet, armando a metralhadora giratória.
— Capitão, ele está te cercando! — avisou ela. — Abaixe-se!
Steve obedeceu instantaneamente, uma confiança cega que surpreendeu Natasha. Ela disparou. As balas ricochetearam na armadura de Loki sem fazer nada além de irritá-lo.
Loki levantou o cetro e disparou uma rajada de energia azul pura contra o jato.
Natasha puxou o manche com violência, desviando por milímetros. O jato tremeu, alarmes soaram.
— Droga! — praguejou ela, recuperando a estabilidade.
E então, AC/DC explodiu nos alto-falantes de comunicação.
Tony Stark chegou como um cometa dourado e vermelho, explodindo Loki com repulsores e pousando com aquela arrogância típica.
— Saudade de mim? — perguntou a voz metálica do Homem de Ferro.
Loki se rendeu. Fácil demais.
Natasha pousou o jato para extraí-los. Enquanto Steve e Tony traziam Loki algemado para dentro, Natasha sentiu um arrepio. Loki estava sorrindo. Aquele era o sorriso de alguém que já ganhou o jogo e está apenas esperando os outros perceberem.
De Volta ao Helicarrier. A Tempestade.
A viagem de volta foi tensa. Thor apareceu, sequestrou Loki, houve uma briga na floresta (homens e seus medidores de testosterona, pensou Natasha), e finalmente, todos estavam de volta à base.
Loki foi preso na cela de vidro projetada para o Hulk.
Natasha assistiu pelo monitor na sala de conferências. Ela viu Loki andar pela cela, calmo, predador.
— Ele tem um plano — disse Steve, entrando na sala. Ele tinha tirado o capacete, e o cabelo loiro estava levemente bagunçado. Ele parecia exausto.
— Thor diz que ele tem um exército — comentou Banner, mexendo em seu tablet. — Os Chitauri.
— Um exército — Natasha repetiu, encostada na mesa. — Ótimo. Porque nós não somos um exército. Somos uma bomba-relógio.
Steve olhou para ela.
— Você acha que não podemos trabalhar juntos?
— Eu acho que o Stark não confia no Fury. O Banner não confia em si mesmo. O Thor só quer levar o irmão para casa. E você... — Natasha o encarou. — Você está chocado com o fato de que o mundo não é mais preto e branco como em 1945.
Steve sustentou o olhar dela.
— E você, Romanoff? Em quem você confia?
A pergunta a pegou desprevenida. Em quem eu confio?
Há um mês, a resposta seria "Clint". Hoje, a resposta era "uma menina de dez anos e um documento de adoção". Mas ela não podia dizer isso.
— Eu confio que o Loki quer estar aqui — disse ela, desviando. — Ele se deixou capturar. Por quê?
— Para chegar perto do Banner? — sugeriu Steve. — Soltar o Hulk dentro da nave?
— É uma possibilidade. — Natasha se desencostou da mesa. — Eu vou descobrir.
— Como? — perguntou Steve.
— Do meu jeito. — Natasha caminhou até a porta. — Vou ter uma conversinha com o nosso convidado.
Steve deu um passo à frente, bloqueando levemente o caminho dela. Não de forma agressiva, mas protetora.
— Ele é perigoso, Natasha. Ele é um deus. Ele mexe com a mente das pessoas.
Natasha olhou para cima, encontrando os olhos azuis preocupados dele. Pela primeira vez, alguém não estava questionando a competência dela, mas sim cuidando dela.
— Capitão — disse ela, a voz suave, quase íntima no meio da sala cheia de tecnologia. — Eu lido com monstros manipuladores desde que tinha a idade que... desde muito nova. Eu sei me cuidar.
— Eu sei que sabe — disse Steve, baixando o tom de voz também. — Mas se ele tentar algo... grite.
Natasha sorriu, um sorriso minúsculo e genuíno.
— Eu não grito, Rogers. Eu mordo.
Ela contornou o Capitão América, sentindo o calor do corpo dele ao passar, e foi para a cela de Loki.
O Interrogatório e a Revelação.
A conversa com Loki foi um jogo de xadrez verbal. Natasha jogou a carta da vulnerabilidade. Fingiu estar apavorada pelo destino de Clint. Fingiu que o "vermelho em seu livro-razão" era sua única fraqueza.
E Loki caiu.
— Você mente e mata a serviço de mentirosos e assassinos... — sibilou Loki, o rosto colado ao vidro. — Você finge ser separada, ter seu próprio código... algo a compensar, não é? Eu não vou tocar no Barton. Não até que ele te mate. Devagar. Intimamente. De todas as formas que ele sabe que você teme.
Natasha fingiu chorar. Ela virou de costas, tremendo.
— Você é um monstro!
— Ah, não... você trouxe o monstro.
Natasha parou. O choro falso cessou instantaneamente. Ela se virou, o rosto limpo de emoção, os olhos afiados.
— Então é isso. Banner. Esse é o seu jogo.
Loki piscou, o sorriso morrendo. Ele percebeu tarde demais que tinha sido enganado.
— O quê?
— Loki planeja soltar o Hulk — disse Natasha no comunicador, já correndo para a saída. — Mantenham Banner no laboratório.
Ela correu pelos corredores, o coração batendo forte. Mas não era apenas medo tático. As palavras de Loki ecoavam em sua mente. "De todas as formas que ele sabe que você teme."
Clint sabia sobre Emma. Se Loki fizesse Clint ir atrás da Emma...
A respiração de Natasha falhou. Ela teve que parar por um segundo no corredor vazio para se recompor.
— Não — sussurrou ela para si mesma. — O Clint é forte. O Clint não contaria. O Protocolo Laura protege ela.
— Romanoff?
Ela se virou, assustada. Steve Rogers estava vindo pelo corredor oposto. Ele parou ao ver o estado dela. Ela estava pálida, tremendo levemente.
— Você estava certa? — perguntou ele, aproximando-se.
— Sim. Ele quer o Hulk. Temos que ir para o laboratório agora.
Steve assentiu, mas não se moveu. Ele olhou para ela com aquela percepção irritante de super soldado.
— O que ele disse para você? — perguntou Steve, suavemente. — Você está tremendo.
— Ele... ele é bom em encontrar pontos fracos — admitiu Natasha. — Ele ameaçou o Clint. Disse que faria o Clint me matar.
Steve colocou a mão no ombro dela. O toque era firme, quente e incrivelmente sólido.
— Nós vamos impedir isso, Nat. Nós vamos trazer o Clint de volta. E ele vai voltar a ser o seu parceiro.
— E se ele não voltar? — A pergunta escapou dos lábios dela antes que ela pudesse impedir. — E se ele estiver quebrado, Steve? E se... houver coisas que ele sabe que não podem ser ditas?
Steve não perguntou "que coisas". Ele apenas apertou o ombro dela.
— Então nós cuidaremos disso também. Juntos.
Naquele momento, naquele corredor de metal frio, Natasha sentiu algo que não sentia há muito tempo com um homem que não fosse Clint: segurança.
Steve Rogers não era apenas um soldado. Ele era um escudo. E por um segundo, Natasha quis se esconder atrás desse escudo e contar sobre a menina ruiva em Nova York que estava esperando por ela.
Mas o momento foi quebrado.
Uma explosão sacudiu o Helicarrier.
O chão inclinou violentamente. Natasha e Steve foram jogados contra a parede. As luzes piscaram e ficaram vermelhas.
— O que foi isso?! — gritou Steve.
— Motor três! — Natasha ouviu no comunicador. — Detonação externa! Estamos caindo!
— Barton — sussurrou Natasha. Só podia ser ele. Ele veio resgatar Loki.
— Vamos! — Steve agarrou a mão dela, puxando-a para cima. — Temos que chegar ao Banner antes que ele...
Tarde demais.
Um rugido animalesco, que não pertencia a nenhum ser humano, ecoou pelos dutos de ventilação, fazendo o metal vibrar.
O Hulk estava solto.
Caos no Laboratório.
Natasha e Steve chegaram ao nível inferior. O chão estava cheio de destroços. Canos estourados soltavam vapor quente.
E no fim do corredor, Bruce Banner estava no chão, se contorcendo, a pele ficando verde, os músculos rasgando a camisa roxa.
— Doutor! — gritou Steve. — Tente lutar contra isso!
Banner olhou para eles. Seus olhos já não eram castanhos. Eram verdes neon, puro ódio radioativo.
— SAIAM DAQUI! — rugiu a voz distorcida de Banner.
Natasha sabia que era inútil. Ela empurrou Steve.
— Vá! — gritou ela. — Vá para a ponte! Ajude a manter essa coisa no ar! Eu cuido dele!
— Você não pode lutar com ele sozinha! — protestou Steve, segurando o braço dela. — Natasha, ele vai te esmagar!
— Eu sou mais rápida! — Natasha se soltou. — Steve, vá! Se essa nave cair, milhões morrem! Incluindo...
Ela quase disse incluindo minha filha.
— Incluindo Nova York! — corrigiu ela.
Steve hesitou. O conflito estava estampado em seu rosto. O instinto de proteger a companheira contra o dever de salvar a nave.
— Eu volto para buscar você — prometeu ele, sério.
— Apenas vá!
Steve correu para a esquerda, em direção aos motores.
Natasha se virou para a direita, bem a tempo de ver o Hulk se levantar completamente. Ele era imenso. Uma montanha de músculos verdes e raiva irracional.
Ele rugiu para ela, um som que fez os dentes de Natasha doerem.
E então ele investiu.
Natasha correu. Ela não lutou. Ela correu como nunca tinha corrido na vida. Ela deslizou por baixo de canos, pulou sobre caixas, usou sua agilidade para se manter um passo à frente da morte verde que vinha atrás dela, destruindo as paredes como se fossem papel.
Ela rolou para dentro de uma sala de manutenção, escondendo-se atrás de um gerador.
Hulk entrou na sala, derrubando a porta. Ele parou, farejando o ar.
Natasha estava encolhida, a respiração presa. Sua mão foi instintivamente para o pescoço, onde, por baixo do uniforme, ela usava uma corrente fina com um pequeno pingente de lírio de prata — o presente de Lilian, recuperado do fundo de suas memórias e de uma caixa de achados e perdidos da KGB.
Emma.
Se ela morresse aqui, esmagada por um monstro num laboratório voador... Emma ficaria sozinha. O documento de adoção seria apenas um papel numa gaveta.
O medo paralisante ameaçou tomar conta.
Mas então, o Hulk rugiu e jogou o gerador longe.
Natasha se moveu. Ela atirou num cano de vapor acima da cabeça dele, cegando-o momentaneamente, e correu para a passarela superior.
Hulk pulou atrás dela. O impacto quebrou a passarela. Natasha voou longe, batendo as costas na parede com força suficiente para tirar seu ar.
Ela caiu no chão, atordoada. O Hulk estava vindo.
E então, um vulto azul e vermelho colidiu com o gigante verde.
Thor.
O Deus do Trovão atingiu o Hulk com o Mjölnir, jogando-o para a outra sala.
Natasha ficou no chão, tossindo, tentando puxar o ar de volta para os pulmões. Ela estava viva.
— Agente Romanoff! — A voz de Steve soou no comunicador, cheia de estática e pânico. — Natasha! Responda! Você está viva?
Natasha levou a mão trêmula ao ouvido.
— Estou... estou aqui, Rogers. — A voz dela saiu um sussurro doloroso. — Thor... Thor pegou ele.
Houve um suspiro audível de alívio do outro lado.
— Saia daí. Vá para a enfermaria. Isso é uma ordem.
— Não recebo ordens de você, Capitão — retrucou ela, tentando se levantar, mas suas pernas falharam. — Eu tenho que... tenho que achar o Clint.
— O Clint está a bordo — disse Steve. — Eu o vi. Ele está indo para a área de detenção. Nat, ele está vindo para você.
O sangue de Natasha gelou. Clint estava vindo.
Não o Clint que trazia café na cama para a Laura. Não o Clint que ensinou Emma a segurar um arco de brinquedo.
O Gavião controlado por Loki. O assassino.
Natasha ignorou a dor nas costelas, ignorou a ordem de Steve e se levantou. Ela puxou suas pistolas.
— Onde ele está, Steve?
— Passarela 4. Nível de detenção.
— Estou indo.
— Natasha, espere! Eu estou indo com você!
— Não dá tempo. — Natasha começou a correr, mancando levemente. — Se for o Clint... tem que ser eu. Só eu posso trazê-lo de volta.
Ela desligou o rádio.
No corredor escuro e cheio de fumaça, Natasha Romanoff caminhou para enfrentar seu melhor amigo.
Ela pensou em Emma, segura em Nova York. Pensou em Steve, tentando salvar a nave lá em cima.
E pensou em Clint.
— Por favor, não me faça matar você — sussurrou ela para o corredor vazio. — A Emma nunca me perdoaria.
Ela recarregou as armas e virou a esquina, pronta para a luta mais difícil de sua vida: a luta para salvar a família que lhe restava.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
