Capítulo 190

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Suíte Principal. Domingo, 05:00 da Manhã.

O mundo lá fora ainda era um borrão de azul-escuro e cinza-chumbo. Londres mal começava a respirar, o trânsito era apenas um sussurro distante. No quarto, o ar estava quente, preservado pelo edredom pesado e pelos corpos entrelaçados.

Natasha acordou no segundo em que o som começou. Toc. Toc. Toc.

Não era na porta. Era na janela da varanda. Seus olhos se abriram imediatamente, a mente indo de zero a cem em alerta. Ela estava nua, deitada de lado, com as costas pressionadas contra o peito de James. O braço de metal dele estava pesado sobre a cintura dela, a mão fria repousando em seu quadril, enquanto a mão humana estava enroscada nos lençóis.

James se mexeu, um grunhido baixo de ameaça começando a se formar na garganta dele ainda dormindo. O instinto de soldado dele reconheceu o ruído como intrusão. Natasha agiu rápido. Ela colocou a mão sobre a mão de metal dele, acariciando-a para acalmá-lo. — Shhh... — ela sussurrou, a voz rouca de sono. — É só uma coruja, James. Volte a dormir. O perímetro está limpo.

James soltou um suspiro longo, o corpo relaxando novamente contra o colchão, confiando cegamente nela. Ele virou o rosto para o travesseiro e apagou.

Natasha deslizou para fora da cama com cuidado para não deixar o ar frio entrar no ninho deles. O chão de madeira estava gelado sob seus pés descalços. Ela caminhou até a cadeira onde tinha deixado algumas roupas. Pegou uma camiseta de manga comprida cinza — que ficava enorme nela, roubada de James — e uma calça de pijama de flanela xadrez. Vestiu-se rapidamente, estremecendo levemente com a mudança de temperatura.

Ela foi até a porta de vidro da varanda. Lá fora, empoleirada na grade de metal, uma coruja marrom de aspecto severo batia o bico no vidro com impaciência. Ela carregava um envelope de pergaminho amarrado na perna.

Natasha destrancou a porta e abriu apenas uma fresta. O vento frio de Londres entrou, cheirando a chuva e asfalto. A coruja estendeu a perna, piou uma vez de forma profissional e, assim que Natasha desamarrou a carta, levantou voo, desaparecendo na neblina da cidade. Nenhuma espera por resposta.

Natasha fechou a porta e trancou. Ela não acendeu a luz principal. A luz fraca da aurora era suficiente. Ela olhou para o envelope. Não havia selo oficial de Hogwarts. Apenas o nome dela escrito numa caligrafia cursiva, maternal, mas que parecia ter sido escrita com pressa ou tremor: Natasha Romanoff.

Ela rasgou o envelope e tirou o pergaminho.

Querida Natasha,

Arthur me contou o que aconteceu no laboratório. E Harry... Harry nos contou o resto. Não consigo imaginar o que você está sentindo agora, mas saiba que você não está sozinha. Dumbledore reativou a Velha Guarda. A Ordem da Fênix está viva novamente.

Nós não podemos falar muito por carta — é perigoso —, mas Sirius ofereceu a casa da família dele como sede. É o lugar mais seguro fora de Hogwarts. Daqui a dois meses, no auge do verão, queremos que você, Harry e Emma venham para cá. Precisamos planejar. Precisamos nos proteger. Por favor, cuide deles. E cuide de si mesma. Com amor e coragem,

Molly.

Natasha leu a carta duas vezes. Ordem da Fênix. O nome soava dramático, típico de bruxos. Mas o significado era claro: era uma milícia. Era um grupo de resistência. Molly estava com medo — a letra trêmula entregava —, mas estava se organizando.

"Dois meses", Natasha pensou. Eles tinham dois meses de "férias". Dois meses para treinar. Dois meses para o Q terminar as armas. Dois meses para ela preparar a mente de Emma e o corpo de Harry. E depois, eles iriam para a cova dos leões, para a casa dos Black, para a guerra.

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora