Capitulo 79

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O silêncio que se seguiu à destruição de Tom Riddle era pior do que os seus gritos. Era um silêncio úmido, pesado, que cheirava a tinta, veneno e sangue.

Emma largou a presa do basilisco. Suas mãos tremiam incontrolavelmente, manchadas com a tinta negra do diário e, pior, com o sangue vermelho vivo que ela tentara estancar na têmpora de Natasha minutos antes.

A magia explosiva que a preenchera havia desaparecido, deixando para trás apenas uma menina de doze anos aterrorizada, ajoelhada no chão frio de uma câmara de horrores, entre as duas pessoas que ela mais amava no mundo.

Harry estava cinza, o veneno terminando seu trabalho. Natasha estava mortalmente pálida, a poça de sangue sob sua cabeça aumentando lentamente, sua respiração reduzida a um chiado quase imperceptível.

— Não... — Emma soluçou, o som ecoando pateticamente nas paredes de pedra. Ela se arrastou o meio metro que a separava de Natasha.

Emma colocou as mãos — aquelas mãos pequenas, sujas de tinta e sangue — no rosto de Natasha. O contraste do vermelho quente contra a pele fria e branca da mãe era horrível.

— Nat? Mãe? — Emma chamou, a voz quebrada. — Por favor, abre os olhos. Você é a Viúva Negra. Você não morre. Você prometeu que ia ficar.

Ela acariciou as bochechas de Natasha, deixando rastros de sangue, tentando desesperadamente aquecê-la, trazê-la de volta. Mas os olhos verdes de Natasha permaneciam fechados, e o chiado em seu peito estava ficando mais espaçado.

— Harry... — Emma olhou para o irmão, dividida entre dois lutos iminentes. — Alguém me ajuda! Por favor!

E então, uma música suave cortou o ar viciado da Câmara.

Fawkes, a fênix, pousou suavemente no chão molhado entre eles. O pássaro magnífico, com suas penas vermelhas e douradas, parecia a única coisa viva e quente naquele lugar.

Fawkes foi primeiro até Harry. O pássaro inclinou a cabeça e chorou. Grossas lágrimas peroladas caíram sobre o ferimento roxo e horrível no braço de Harry. O efeito foi instantâneo: onde havia veneno e carne morrendo, a pele começou a se fechar, o tom cinza do rosto de Harry começou a dar lugar a uma cor saudável. Ele arfou, o ar voltando aos seus pulmões.

Emma observou, um pingo de esperança surgindo. — Fawkes...

A fênix então se virou. Seus olhos negros e inteligentes, antigos como a própria magia, fixaram-se em Natasha. O pássaro pareceu hesitar por um segundo — afinal, ela não era do seu mundo. Mas então, ele olhou para Emma, viu o desespero puro no rosto da menina que carregava o sangue de Lily Potter.

Fawkes saltitou sobre o corpo imóvel de Natasha. Ele não foi até o ferimento na cabeça. Ele pousou em seu peito, bem acima de onde o coração lutava para bater.

A fênix chorou novamente.

As lágrimas caíram sobre o uniforme tático rasgado de Natasha, penetrando o tecido, tocando a pele.

Não foi uma cura mágica instantânea como a de Harry. Não houve fumaça ou feridas se fechando visivelmente. Foi mais sutil, mas infinitamente mais poderoso.

Quando as lágrimas tocaram a pele de Natasha, um calor dourado pareceu se espalhar a partir do peito dela. O chiado horrível em seus pulmões parou, substituído por uma inspiração profunda e súbita, como alguém emergindo de um afogamento. O sangramento na têmpora diminuiu até parar.

A cor não voltou totalmente ao rosto dela — ela havia perdido sangue demais —, mas a palidez mortal de cadáver desapareceu.

Os olhos de Natasha se abriram.

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