Mallory não respondeu imediatamente à provocação de Natasha sobre o "império". Ele ficou olhando para ela. Ele já tinha visto muitos agentes à beira do abismo. Ele já tinha visto Bond quebrado, 006 traído, agentes duplos desesperados. Mas ele nunca tinha visto Natasha Romanoff assim. Ela estava vibrando com uma letalidade pura, uma bomba prestes a detonar, mas ao mesmo tempo, parecia feita de vidro rachado. A mulher que derrubava impérios estava ali, de ressaca, de jeans, segurando o choro e a raiva com as próprias mãos.
Ele suspirou, o som pesado no escritório silencioso. — Sente-se, Natasha — ele disse. Não foi uma ordem. Foi um pedido.
Natasha hesitou, mas a tontura venceu a teimosia. Ela puxou a cadeira de couro e sentou-se, ainda rígida, ainda na defensiva.
Mallory abriu uma gaveta trancada na lateral de sua mesa. Não era uma gaveta conectada à rede do MI6. Era analógica. Pessoal. Ele tirou um dossiê grosso, de capa parda, desgastado pelo tempo. O papel cheirava a mofo e segredos antigos. Não havia código de barras, apenas um carimbo vermelho desbotado em cirílico: "KGB - PROJETO VIÚVA NEGRA".
Ele deslizou o arquivo pela mesa até parar na frente dela. Natasha olhou para a capa. O coração dela falhou uma batida dolorosa. — O que é isso? — ela sussurrou.
— A sua vida — Mallory respondeu, suavemente. — A que a SHIELD tentou apagar. A que você tentou esquecer.
Natasha abriu a pasta com mãos trêmulas. A primeira coisa que ela viu a fez tirar os óculos escuros, ignorando a luz que feria seus olhos.
Era uma foto em preto e branco. Granulada. Uma sala de azulejos brancos. Berços de metal alinhados como celas de prisão. E num deles, uma criança. Ela. Natasha bebê. Talvez dois anos de idade. Ela não estava chorando. Ela estava segurando as grades do berço com mãos minúsculas, olhando para a câmera com uma expressão vazia, aterrorizante, desprovida de infância.
Ela virou a página. Registros médicos. "Cobaia 987. Teste de tolerância à dor: Aprovada. Resistência ao frio extremo: Aprovada. Teste de empatia: Falha (necessário reforço negativo)." Fotos de hematomas. Fotos de cicatrizes cirúrgicas. Relatórios de esterilização.
Natasha sentiu o ar sair de seus pulmões. Ela cobriu a boca com a mão, as lágrimas quentes enchendo os olhos, borrando as palavras datilografadas em russo. Aquilo era a prova física do seu inferno.
— Eu sei, Natasha — a voz de Mallory cortou o silêncio, não com autoridade, mas com uma compaixão profunda que ela nunca esperou dele. — Eu sei de tudo. — Quando eu te contratei... quando eu te dei a Diretoria... eu li cada página. Eu sei o que fizeram com você. Eu sei o preço que cobraram da sua alma antes mesmo de você saber falar.
Ele se inclinou para frente, olhando-a nos olhos. — Eu sei o quão difícil está sendo para você ver isso voltar. Eu sei que você construiu uma vida em cima dessas cinzas, e agora alguém está soprando a poeira de volta no seu rosto.
Natasha fechou a pasta com violência, como se pudesse prender os demônios lá dentro de novo. Ela estava tremendo. — Por que você guardou isso? — ela perguntou, a voz falhando.
— Para lembrar quem você é — Mallory disse. — E do que você sobreviveu.
Ele cruzou as mãos sobre a mesa, o olhar ficando tático, cirúrgico. — Agora, eu preciso que você seja honesta comigo. Não a Diretora. A Viúva. — Budapeste. O General Dreykov.
Natasha levantou a cabeça, limpando uma lágrima com as costas da mão, a raiva voltando para mascarar a dor. — O que tem ele?
— Você tem 100% de certeza de que ele morreu naquele dia? — Mallory perguntou, incisivo. — Você checou os sinais vitais? Você viu o cadáver carbonizado?
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
