O cheiro de manteiga derretida e baunilha dominava o apartamento. Natasha estava em frente ao fogão, virando panquecas com uma destreza que geralmente reservava para desarmar adversários. Ela usava uma calça de moletom cinza e uma camiseta branca simples, o cabelo ruivo preso num coque frouxo que deixava alguns fios caírem sobre o pescoço.
James estava encostado no balcão de mármore, segurando uma caneca de café fumegante. Ele vestia a camiseta preta que Natasha tinha jogado nele — que ficava um pouco justa nos braços — e sua própria calça jeans.
Ele a observava com um sorriso bobo, quase incrédulo.
Doze anos atrás, na Sala Vermelha, a ideia de ver Natalia Alianovna Romanova fazendo panquecas em uma manhã de domingo em Nova York era tão impossível quanto ver neve no Saara. Mas ali estava ela. Cuidando dele. Cuidando da casa.
Natasha sentiu o olhar dele queimando em suas costas. Ela olhou por cima do ombro, erguendo uma sobrancelha. — Se você continuar me olhando assim, vai queimar as panquecas com a força do pensamento.
James riu baixo, tomando um gole do café. — Só estou admirando a técnica. É muito... letal.
— Panquecas exigem precisão, Barnes. Um segundo a mais e elas viram borracha.
Nesse momento, passos arrastados soaram no corredor.
Emma apareceu na porta da cozinha. Ela estava usando um pijama enorme de flanela com estampas de hipogrifos e o cabelo ruivo estava num emaranhado glorioso de "acabei de acordar". Ela esfregava os olhos, bocejando, e em seus braços, sendo carregado como um bebê relutante, estava o gato preto.
A postura de Natasha mudou instantaneamente. A frieza tática desapareceu, substituída por um calor maternal que fez o coração de James apertar no peito.
— Bom dia, Little Red — Natasha disse, desligando o fogo e virando-se para a menina. Ela caminhou até Emma, beijando o topo da cabeça bagunçada dela. — Dormiu bem?
— Mmm-hmm — Emma resmungou, ainda acordando. — O Bucky tentou comer meu pé as três da manhã, mas fora isso, tudo bem.
James engasgou com o café. Ele tossiu violentamente, batendo no próprio peito. — Cof... cof... O quê?
Emma finalmente abriu os olhos direito, percebendo que havia um estranho gigante na cozinha. Ela endireitou a postura, segurando o gato com mais firmeza, avaliando a ameaça.
Natasha lançou um olhar de "comporte-se" para James e voltou a sorrir para Emma.
— Emma, este é James Barnes — Natasha apresentou, gesticulando para ele com a espátula, como se ele fosse um móvel novo e não o amor de sua vida. — Ele é um... antigo colega de trabalho. Trabalhou com o Steve. Ele veio trazer uns documentos confidenciais de Sokovia cedo e eu ofereci café da manhã em troca do serviço de correio.
A mentira era lavada, lisa e profissional. Natasha nem piscou.
O gato preto nos braços de Emma soltou um miado alto e agressivo, fixando seus olhos amarelos em James como se soubesse que aquele humano era um impostor.
James apontou para o animal, cauteloso. — E esse... pequeno terrorista? Qual é o nome dele mesmo?
— Bucky — Emma respondeu naturalmente, fazendo carinho na cabeça do gato. — Em homenagem ao Sargento Bucky Barnes. O amigo do Capitão América que caiu do trem.
James piscou, surpreso com a ironia. — Bucky... Barnes?
— É. O Harry me contou a história e eu achei heroico — Emma explicou, dando de ombros. — Além disso, ele tem uma pata dianteira cinza que parece de metal. E ele é meio mal-humorado de manhã. Combinou.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Daughter of No One
Fiksi PenggemarHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
