Sala de Estar do Chalé do Guardião. Segunda-feira, 21:00.
A tempestade lá fora uivava como um lobo ferido, jogando neve contra as janelas reforçadas do chalé. Mas dentro, o ambiente era uma fortaleza de calor. A lareira estava rugindo, alimentada por toras de madeira mágica que queimavam com uma luz dourada e constante.
Emma estava sentada no tapete felpudo, bem em frente ao fogo. Ela parecia um rolinho primavera humano, enrolada em três camadas de cobertores grossos de lã, usando meias térmicas e o gorro de pompom que se recusava a tirar. Ela segurava uma caneca de chocolate quente com as duas mãos, tremendo levemente de vez em quando.
Natasha não estava sentada. Ela estava no "modo enfermeira de combate". Ela vestia calças de moletom e uma camiseta de manga longa, o cabelo preso num coque frouxo. Na mão, ela segurava um scanner médico portátil das Indústrias Stark.
Ela passou o scanner pela testa de Emma pela décima vez nos últimos vinte minutos. O aparelho bipou. — 36.2 graus — Natasha murmurou, franzindo a testa e olhando para o display holográfico. — Ainda está baixo. A média corporal humana ideal é 36.5 a 37. Você está três décimos abaixo da linha de base. Ela tocou o pescoço de Emma, checando o pulso. — Batimentos a 78. Aceitável, mas elevado. Pode ser o choque residual.
Natasha foi até a mesa lateral, pegou um frasco de poção pimenta (que roubara do estoque de Madame Pomfrey) e uma manta térmica de emergência prateada. — Emma, beba mais um gole da Poção Pimenta. E coloque essa manta por baixo da lã. O isolamento precisa ser hermético.
Emma baixou a caneca, olhando para a mãe com olhos cansados, mas divertidos. — Mãe... eu já tomei a poção. Saiu fumaça pelas minhas orelhas por uma hora. — E eu estou com três cobertores. Se eu colocar essa manta de alumínio, vou virar um peru assado.
— Você ficou submersa em água congelante por uma hora, Emma — Natasha retrucou, o tom não admitindo discussão. — A hipotermia é insidiosa. Ela engana o cérebro. Você acha que está quente, mas seus órgãos estão desligando. Ela se ajoelhou ao lado da filha, tentando enfiar a manta térmica por dentro do casulo de cobertores. — Eu não vou deixar você ter uma falência de órgãos na minha sala de estar.
Natasha estava prestes a passar o scanner novamente quando Emma soltou uma das mãos da caneca e segurou o pulso da mãe. O toque foi firme. A mão de Emma estava quente.
— Mãe — Emma disse. A voz dela era calma, cortando a frenesi de Natasha. — Para.
Natasha parou. Ela olhou para a filha. Os olhos verdes de Natasha estavam escuros, dilatados de medo. O medo que ela não mostrou no lago, o medo que ela engoliu quando pulou na água, estava saindo agora.
— Eu estou bem — Emma disse, olhando fundo nos olhos dela. — Sério. — Eu não estou com hipotermia. Eu não estou em choque. — Eu estou tremendo porque... bem, porque foi assustador. E porque está frio lá fora. E porque eu estou ansiosa pro Baile.
Emma apertou o pulso de Natasha. — Mas eu estou aqui. Eu estou quente. O Harry me salvou. Você me salvou. — Tá tudo bem, ok? Você pode desligar o scanner.
Natasha olhou para o aparelho na mão livre. Depois olhou para Emma. Ela soltou um suspiro longo, trêmulo, e os ombros dela caíram. A postura rígida de sentinela desmoronou. Ela desligou o scanner e o jogou no sofá.
— Desculpa — Natasha sussurrou, sentando-se no tapete ao lado de Emma. ela puxou os joelhos para o peito. — É que... ver você lá embaixo. Imóvel. Pálida. — A água estava escura, Emma. As lentes não conseguiam focar direito. — Por um minuto... quando o Harry parou de nadar... eu achei que tinha perdido os dois.
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Daughter of No One
Fiksi PenggemarHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
