Capitulo 105

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Escritório de Natasha. 21:30.

O escritório estava mergulhado na penumbra, iluminado apenas pelo brilho azulado de algumas projeções holográficas e pela luz amarela do abajur de leitura.

Natasha não se movia há horas.

Ela estava recostada na cadeira, girando uma caneta entre os dedos, os olhos fixos em uma foto ampliada do rato "Perebas" dormindo no ombro de Ron Weasley em uma foto de férias no Egito.

Faltava um dedo na pata dianteira.

A mente dela já tinha traçado três planos diferentes para capturar o roedor, interrogá-lo (se é que isso era possível com um rato) e entregá-lo — vivo ou morto — para limpar o nome de Sirius Black.

O estômago dela roncou, um som alto e indigno no silêncio do escritório, mas ela o ignorou. A fome era uma distração. A verdade era o alimento.

— Sra. Romanoff? — A voz de JARVIS interrompeu o raciocínio dela.

Natasha nem piscou.

— Agora não, Jarvis. Estou no meio de uma linha de raciocínio.

— Eu entendo, senhora, — a IA respondeu, com aquele tom britânico polido. — No entanto, o Sr. Barnes está parado do outro lado da porta há dez minutos. Ele não solicitou o código de override, mas me pediu para transmitir uma mensagem específica.

Natasha suspirou, esfregando as têmporas. Ela olhou para a porta trancada.

— O que ele disse?

JARVIS pareceu hesitar, como se estivesse processando o sarcasmo humano.

— O Sr. Barnes pediu para informar que, apesar do Soro do Super Soldado e de suas muitas habilidades aprimoradas, a senhora ainda não desenvolveu a capacidade biológica de sobreviver através de fotossíntese. Especialmente à noite.

Natasha parou. Um sorriso involuntário curvou o canto dos lábios dela.

— Idiota.

— Ele também pediu para avisar que a comida italiana chegou, — JARVIS continuou. — Ele pediu o Carbonara trufado do Luigi's, o seu favorito. E acrescentou que "os monstros", referindo-se às crianças, já estão dormindo e alimentados. Ele solicita a sua presença fora do bunker, nem que seja por vinte minutos.

O cheiro imaginário de massa e trufas negras pareceu invadir o escritório, competindo com o cheiro de papel velho e mistério.

Natasha olhou para a foto do rato uma última vez.

O rato não ia fugir hoje à noite. Ele estava gordo e preguiçoso no quarto de hóspedes.

Mas o Carbonara esfriava. E James estava esperando.

Ela abriu a gaveta e guardou a pasta "Projeto Marotos". Trancou a gaveta com chave e biometria.

Ela se levantou, sentindo as juntas estalarem. Ela ajeitou o cabelo, apagou as telas holográficas e caminhou até a porta.

Click.

Ela destrancou e abriu.

James estava encostado na parede do corredor, de braços cruzados, esperando pacientemente. Ele já tinha tomado banho e trocado a roupa de trabalho por uma camiseta preta macia e calça de moletom. Ele parecia cansado, mas o olhar que ele lançou a ela era de puro alívio.

— Eu estava prestes a pedir pro Jarvis cortar o oxigênio da sala para te obrigar a sair — ele disse, desencostando da parede.

— Você não sabe a senha do override? — Natasha perguntou, arqueando uma sobrancelha.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora