Capitulo 42

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Gabinete do Diretor. Manhã do Último Dia Letivo.

A porta de carvalho maciço do escritório de Albus Dumbledore não foi batida. Ela foi aberta com uma força que fez as dobradiças de bronze gritarem em protesto e baterem contra a parede de pedra com um estrondo que acordou todos os retratos dos ex-diretores.

Fawkes, a fênix, soltou um pio alarmado e voou para o topo da estante mais alta.

Natasha Romanoff entrou.

Ela não vestia vestes de bruxo. Ela vestia uma jaqueta de couro preta, calça tática e botas pesadas que faziam um som seco e militar no chão de pedra. Seu cabelo ruivo estava solto, e seus olhos verdes eram duas pedras de gelo.

Ela não parecia uma mãe preocupada. Ela parecia uma assassina enviada para liquidar um alvo.

Dumbledore, que estava sentado calmamente atrás de sua mesa examinando um instrumento de prata, levantou os olhos. Pela primeira vez em muitos anos, o brilho divertido em seus olhos azuis desapareceu completamente.

— Srta. Romanoff — disse ele, com um tom cauteloso. — Eu esperava sua visita, mas talvez não com tanta... entrada dinâmica.

Natasha caminhou até a mesa dele. Ela apoiou as duas mãos na superfície de madeira polida e se inclinou para frente, invadindo o espaço pessoal do bruxo mais poderoso do mundo como se ele fosse um estagiário da S.H.I.E.L.D.

— Onde ela está? — A voz de Natasha era baixa, rouca e terrível.

— Emma está na Ala Hospitalar, sendo liberada neste exato momento — respondeu Dumbledore, mantendo a voz suave. — Ela está bem, Natasha. Alguns arranhões, exaustão mágica, mas...

Bem?! — O grito de Natasha quebrou a compostura fria.

Ela puxou um relatório amassado do bolso — o relatório que a coruja de McGonagall tinha enviado — e o jogou na mesa.

— Um cachorro de três cabeças. Uma planta assassina. Um jogo de xadrez gigante que esmaga pessoas. E um bruxo das trevas possuindo um professor na nuca! — Natasha listou as ameaças, a voz tremendo de fúria contida. — Você chama isso de escola, Albus? Porque na minha linha de trabalho, nós chamamos isso de zona de extermínio.

— Foi uma sequência de eventos lamentáveis e imprevisíveis... — tentou Dumbledore.

Imprevisíveis? — Natasha riu, uma risada sem humor. — Você guardou a coisa mais perigosa do mundo numa escola cheia de crianças de onze anos! Você usou a minha filha e o irmão dela como iscas!

Natasha contornou a mesa. Dumbledore girou a cadeira, ficando de frente para ela. Ele podia sentir a aura letal dela. Ele enfrentou Grindelwald e Voldemort, mas a fúria de uma mãe humana treinada pela KGB era um tipo diferente de magia negra.

— Eu confiei em você — sibilou Natasha. — Eu mandei ela para cá porque você disse que era o lugar mais seguro do mundo. Eu a mandei para cá para ela aprender a controlar a magia, não para virar soldado na sua guerra particular!

— Natasha, entenda...

— Não! Você entenda! — Natasha apontou o dedo no rosto dele. — Acabou. Eu vou pegar a Emma. Vou pegar as coisas dela. E nós vamos embora. Ela nunca mais vai pisar neste castelo.

Dumbledore suspirou. Ele parecia subitamente muito velho.

— Você vai levá-la para onde, Natasha? Para a Torre dos Vingadores? Para viver cercada de armas e tecnologia, fugindo do que ela é?

— Para um lugar onde ninguém tente matá-la antes da aula de álgebra! — retrucou Natasha.

— Lilian Potter teria entendido — disse Dumbledore, calmamente.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora