A Sala Vermelha. Fortaleza Aérea.
O tempo não existia ali. Não havia relógios, não havia sol, não havia silêncio. Havia apenas dor e a cor vermelha.
Natasha estava encolhida no chão de uma cela acolchoada, iluminada por luzes estroboscópicas carmesim que piscavam em uma frequência desenhada para induzir enxaqueca e pânico. Mas o pior não eram as luzes. Eram as vozes. Alto-falantes embutidos nas paredes transmitiam um áudio distorcido, sobreposto, ensurdecedor.
Não eram vozes aleatórias. Eram gravações. "Você é uma assassina, Natalia." (A voz de Madame B.) "Você abandonou a sua irmã." (A voz de Yelena, editada.) "Mamãe, por que você não me protegeu?" (Uma voz sintética que imitava uma Emma de cinco anos chorando.) "Você quebrou o Soldado. Você é um monstro." (A voz de Dreykov.)
O som vinha de todos os lados, num loop infinito, misturado com sons de estática e gritos de outras Viúvas sendo torturadas. Natasha estava com as mãos pressionadas com força contra os ouvidos, os olhos apertados, o corpo tremendo violentamente. — Parem! — ela gritava, a voz rouca, a garganta em carne viva. — Calem a boca! SAIAM DA MINHA CABEÇA!
Mas as vozes continuavam. Elas entravam pelos poros. Elas reescreviam a narrativa da vida dela, minuto a minuto, substituindo o amor que ela tinha construído por culpa, vergonha e ódio. Ela estava quebrando. A "Vingadora" estava se dissolvendo. A "Mãe" estava se escondendo em um bunker mental profundo. Só restava a menina assustada na cadeira elétrica. E ela estava sozinha.
Residência de Q. Londres. 09:15 da Manhã.
A sala de estar de Q cheirava a café queimado e desespero estagnado. Q estava curvado sobre três monitores, os olhos vermelhos de cansaço, digitando códigos que não levavam a lugar nenhum. Clint estava sentado no chão, afiando uma faca ritmicamente, um som shhhk-shhhk que era a única coisa que impedia o silêncio de ser ensurdecedor.
Bucky estava de pé junto à janela quebrada, agora coberta com plástico preto e fita adesiva. Ele olhava para a rua chuvosa de Londres, segurando o telefone com força. Ele queria ligar para alguém, pedir ajuda, chamar os Vingadores, chamar o exército... mas ele sabia que ninguém chegaria a tempo.
A porta da frente se abriu sem aviso. Todos se viraram, armas levantadas.
Mas não era um inimigo. Era M. Gareth Mallory entrou no apartamento, molhado pela chuva, apoiando-se pesadamente em sua bengala. O rosto dele não tinha a habitual máscara de burocrata impassível. Ele parecia velho. Derrotado.
— Baixem as armas — M ordenou, a voz grave. — E liguem a televisão. Canal de notícias. Agora.
Q pegou o controle remoto e ligou a TV de tela plana na parede. A tela brilhou com o logotipo vermelho da BBC Breaking News.
A imagem que ocupava a tela fez o sangue de Bucky gelar. Não era uma foto de paparazzi. Era a foto oficial do dossiê de Natasha. Ela estava de terno, olhando para a câmera com aquele olhar penetrante de Diretora.
A manchete em letras garrafais amarelas dizia: "CRISE EM LONDRES: DIRETORA DO MI6 SEQUESTRADA EM ATAQUE NOTURNO."
A âncora falava com urgência: — "...fontes confirmam que Natasha Romanoff, a Vingadora conhecida como Viúva Negra e atual chefe do Serviço Secreto de Inteligência, foi levada de uma residência em Kensington durante a madrugada. Testemunhas relatam uma aeronave não identificada sobrevoando a área. O Primeiro-Ministro convocou uma reunião de emergência..."
Q desligou a TV, deixando a tela preta. — Vazou — Q sussurrou. — Agora o mundo inteiro sabe. Dreykov não tem mais motivo para se esconder.
Bucky passou as mãos pelo rosto, puxando o cabelo para trás, a respiração ficando irregular. — Eles vão matá-la — Bucky disse, a voz trêmula de pânico. — Agora que é público... eles vão executá-la para mandar uma mensagem. Eles vão cortar a garganta dela na frente de uma câmera.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
