Suíte Principal da Cobertura. Domingo, 10:00 da Manhã.
O quarto estava mergulhado numa penumbra confortável, cheirando a sono e segurança. Na cama king-size, havia uma "pilha de gente" que faria qualquer espião solitário chorar. Natasha acordou no meio do caos organizado. O braço de metal de James estava pesado sobre sua cintura, prendendo-a no colchão. O rosto dele estava enterrado no travesseiro ao lado do dela, a respiração profunda e rítmica de quem finalmente baixou a guarda após a crise da madrugada. Na frente de Natasha, enrolada como um gato, estava Emma. A cabeça da menina repousava no ombro de Natasha, a mãozinha agarrada à camiseta do pijama da mãe. E no pé da cama, atravessado de forma desajeitada, estava Harry, abraçado a um travesseiro extra, roncando baixinho.
Natasha ficou imóvel por um minuto, apenas sentindo o calor deles. Tum-tum. Tum-tum. O coração de Emma contra o seu braço. Mas então, a imagem do pesadelo piscou em sua mente. O flash verde. O corpo caindo. O calor na cama não era uma garantia. Era temporário. Se ela não tivesse o "Protocolo Banshee" funcionando quando voltassem para Hogwarts, aquele calor se transformaria em gelo.
Natasha deslizou para fora do abraço de James com a habilidade de uma sombra. Ele resmungou, tateando o espaço vazio, mas ela colocou um travesseiro no lugar dela rapidamente. Ele abraçou o travesseiro e voltou a dormir. Ela saiu da cama sem fazer um único som no tapete. Ela não trocou de roupa. Ela estava com o pijama de seda preto, descalça, o cabelo preso num coque frouxo e bagunçado.
Ela saiu do quarto, fechando a porta com um click silencioso. Ela caminhou pelo corredor até o escritório. Digitou o código. A porta destravou. Ela entrou e trancou a porta por dentro.
— Jarvis — Natasha disse para o ar vazio, a voz rouca de sono, mas afiada como navalha. — Isole a sala acusticamente. E abra uma linha segura de conferência. Protocolo Vingadores Nível 1. — Conecte Q na MI6 e Tony Stark em Nova York. Agora.
— Conectando, Sra. Romanoff, — a voz polida da IA respondeu. — O Sr. Stark pode estar indisponível devido ao fuso horário. São 5 da manhã em Nova York.
— Ele vai atender. — Natasha disse, a voz rouca. — Diga que é Código Viúva.
A tela piscou. Dois quadros de vídeo se abriram.
Em Londres, Q estava em sua mesa na MI6, segurando uma xícara de chá e parecendo irritado por ser interrompido no domingo. — Natasha? — Q ajeitou os óculos. — Eu espero que isso seja importante. Eu estava tentando recalibrar os sensores dos drones que a Emma pediu e...
Em Nova York (onde eram 5 da manhã), Tony Stark apareceu na tela da direita. Ele estava na oficina, com o rosto sujo de graxa, óculos de proteção na testa e uma chave inglesa na mão. — Romanoff? — Tony semicerrou os olhos para a tela. — Você sabe que horas são aqui? A menos que o mundo esteja sendo invadido por aliens de novo, você me deve um café da manhã. E por que você está com essa cara de quem acabou de sair de um filme de terror?
Natasha não respondeu às piadas. Ela não sorriu. Ela digitou um comando no teclado e enviou um arquivo pesado para os dois servidores. O arquivo se chamava:
PROJECT BANSHEE - SACRIFICE PROTOCOL.
— Abram o arquivo. — A voz de Natasha era seca, rouca e autoritária.
Tony largou a chave inglesa. Q colocou a xícara na mesa. Ambos abriram o arquivo. O silêncio que se seguiu durou longos trinta segundos. Apenas o som dos olhos deles correndo pelos dados e esquemas biológicos.
A expressão de Q mudou de irritação para confusão, e depois para horror puro. A expressão de Tony endureceu, a mente de engenheiro processando a física impossível que via ali.
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Daughter of No One
أدب الهواةHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
