O silêncio do coma induzido foi quebrado não por um suspiro, mas por um grito de pânico absoluto. Natasha sentou-se na maca abruptamente, os olhos arregalados, o peito subindo e descendo violentamente. O suor frio encharcava a camisola hospitalar. A mente dela não estava mais vazia. Dumbledore tinha devolvido tudo. E "tudo" incluía o terror de saber que ela tinha sido levada, que tinha esquecido a filha, e que a última imagem que tinha de Emma era apenas um fragmento de sonho.
— EMMA! — ela gritou para o vidro blindado, a voz arranhada pelo desuso. — ONDE ELA ESTÁ?!
Ela tentou descer da maca, mas as pernas fraquejaram e ela caiu de joelhos no chão frio. Ela não tentou levantar. Ela se arrastou até o vidro, batendo com a palma da mão aberta. — EMMA! EU QUERO A MINHA FILHA! TRAGAM ELA PRA MIM!
Do lado de fora, a cena era de partir o coração. James Barnes estava encostado na parede oposta, as lágrimas correndo silenciosamente pelo rosto, as mãos trêmulas enfiadas nos bolsos para esconder a vontade de socar aquela porta até ela cair. Albus Dumbledore estava sentado em uma cadeira no canto, com uma menina ruiva ao seu lado. Emma. Ela tinha chegado há uma hora. Ela estava pálida, segurando a varinha com tanta força que os dedos estavam brancos, olhando para a mãe através do vidro com uma expressão de terror e esperança.
Natasha continuava gritando, olhando em volta, os olhos varrendo o vazio, a confusão pós-trauma misturando realidade e alucinação. — Não me deixem aqui! Eu preciso vê-la! Por favor!
M observava os monitores de sinais vitais, que estavam no vermelho. — Q — M perguntou, a voz tensa. — Isso é seguro? Ela está instável. Os níveis de adrenalina sugerem que ela ainda está em modo de combate ou fuga. Se a menina entrar lá e Natasha tiver um episódio dissociativo...
Q hesitou, olhando para os gráficos. — A ciência diz para esperar, senhor. Pelo menos mais 24 horas de observação. O risco de ela não reconhecer a realidade ainda existe.
Emma soltou um soluço baixo ao ouvir aquilo, dando um passo em direção ao vidro, como se fosse um ímã.
James Bond, que estava parado ao lado de M, ajeitou o terno impecável. Ele olhou para Natasha se arrastando no chão, implorando pela filha. Ele olhou para Bucky chorando. Ele olhou para a menina assustada. A paciência do 007 acabou.
Bond se virou para seu chefe. — Com todo o devido respeito, senhor... — Bond disse, com aquele sotaque britânico polido e gelado. — Vá se foder.
M virou a cabeça lentamente, chocado. Q deixou o tablet cair. — Como é, 007?
— Você ouviu — Bond não recuou. Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço de M. — Aquela mulher passou por meses de tortura física e psicológica. Ela teve o cérebro frito e remontado por um mago. Ela não precisa de "observação". Ela não precisa de protocolos de segurança. Bond apontou para o vidro. — Ela precisa da âncora dela. Ela sobreviveu ao inferno por causa dessa menina. — Deixe a garota entrar. Agora. Ou eu mesmo abro essa porta e as consequências para a minha carreira serão a menor das suas preocupações.
O silêncio na sala de controle foi absoluto. Bucky olhou para Bond com gratidão eterna. M olhou para Bond. Viu a seriedade mortal nos olhos de seu melhor agente. M suspirou, derrotado pela humanidade da situação. — Q — M ordenou, sem olhar para trás. — Abra a porta.
TCHHHHH. O som das travas magnéticas se soltando foi o som mais bonito do mundo naquele momento. A porta de vidro deslizou.
Emma não esperou permissão. Ela correu. Ela passou por Bucky, passou por Bond, e entrou na sala estéril.
Natasha, que estava de joelhos no chão, com a cabeça baixa, chorando, ouviu os passos rápidos. Ela levantou a cabeça. Através das lágrimas, a visão embaçada focou. Não era uma alucinação. Não era um truque de Dreykov. Cabelo ruivo. O suéter Weasley. O rosto sardento.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
