Campo de Quadribol de Hogwarts. Sexta-feira, 16:00.
O céu estava daquele cinza-chumbo típico da Escócia, ameaçando neve, mas ainda seco. O vento cortava o campo aberto, mas para Emma, que voava a quinze metros de altura, o frio era apenas um detalhe. Mesmo com a Copa de Quadribol cancelada, Madame Hooch permitia o uso do campo para treinos recreativos. E voar era a terapia de Emma. Era o único lugar onde ela não era "a irmã do Harry Potter" ou "a filha da Viúva Negra". Ela era apenas uma garota numa vassoura, desafiando a gravidade.
Ela fez um mergulho arriscado, puxando o cabo da Nimbus 2001 (um presente de Sirius Black, para competir com a Firebolt de Harry) no último segundo, sentindo o estômago ir para a garganta. Ela riu sozinha, o som levado pelo vento.
— Boa recuperação! Mas você está abrindo demais o cotovelo na subida!
A voz veio de baixo, das arquibancadas. Emma quase caiu da vassoura de susto. Ela estabilizou e olhou para baixo. Lá, encostado na balaustrada de madeira, estava Oliver Wood.
Ele não estava com uniforme escolar. Ele usava um agasalho de treino azul-marinho com o brasão do Puddlemere United no peito. O cabelo castanho estava bagunçado pelo vento, e ele tinha aquele ar de "homem adulto que joga na liga profissional" que fazia as garotas de Hogwarts suspirarem. Ele estava visitando a escola para a Primeira Tarefa, claro. Mas por que ele estava ali, sozinho, vendo ela treinar?
Emma desceu, pousando suavemente na grama a alguns metros dele. O coração dela começou a bater num ritmo que o HUD das lentes de Natasha classificaria como Alerta Vermelho. Ela lembrou da conversa na sala. Biologia agressiva. Testosterona. Nojo. Ela engoliu em seco.
— Oi, Oliver — ela disse, tentando parecer casual e falhando miseravelmente. — O que você está fazendo aqui?
Oliver sorriu, aquele sorriso torto e confiante. Ele pulou a balaustrada e caminhou até ela. — Vim ver o velho campo. Nostalgia, sabe? E... — Ele coçou a nuca, parecendo subitamente um pouco menos confiante. — Eu vi alguém voando. Reconheci o estilo. Agressivo, mas gracioso. Pensei: "Só pode ser a Emma".
Emma sentiu as bochechas queimarem. — Ah. Obrigada. Eu só estava... limpando a cabeça.
— Eu entendo. — Oliver parou na frente dela. Perto. Não a "distância de vassoura" que Natasha tinha exigido. Ele estava na zona de perigo. Cerca de quarenta centímetros. Ele olhou para a vassoura dela. — Nimbus 2001. Boa máquina. Mas no Puddlemere, a gente está testando as novas Cleansweep. O equilíbrio é diferente.
Ele estendeu a mão e tocou o cabo da vassoura que Emma segurava. A mão dele era grande, quente, áspera de calos de goleiro. Os dedos dele roçaram os dedos dela "acidentalmente".
A voz de Natasha ecoou na cabeça de Emma: Eles pensam em contato físico. Muito contato físico. Emma quis recuar. Mas os pés dela pareciam colados na grama. Havia um cheiro vindo dele. Não cheiro de adolescente suado como o Ron. Cheiro de... menta. E couro. E algo amadeirado. Era bom. Irritantemente bom.
— Emma... — Oliver disse, a voz ficando um pouco mais rouca. Ele olhou nos olhos dela, depois para a boca dela, depois para os olhos de novo. A manobra clássica. O "Triângulo do Olhar". Hermione tinha lido sobre isso numa revista trouxa.
— Sim? — Emma sussurrou, a respiração presa.
— Você sabe... — Oliver deu um passo à frente, diminuindo a distância para vinte centímetros. — Eu fiquei pensando no que sua mãe disse. Sobre eu ser mais velho. Sobre carreiras. Ele colocou a mão livre na cintura, hesitante, mas avançando. — Mas eu não consigo parar de pensar que você é a única garota que entende a diferença entre uma Finta de Wronski e um Loop de Sloth.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
