Capitulo 104

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Cobertura de Londres. 05 de Setembro. 10:00 da Manhã.

Natasha estava na cozinha, preparando um chá forte para tentar acalmar a dor de cabeça residual da noite de choro, quando a lareira da sala de estar explodiu em chamas verdes esmeralda.

Ela não puxou a arma. Ela sabia o que esperar (tinha ameaçado Dumbledore, afinal). Mas ela esperava Harry.

O que ela não esperava era a invasão completa.

Primeiro, Harry saiu das chamas, tropeçando no tapete, com fuligem nos óculos e uma expressão de alívio urgente.

Mas logo atrás dele, o fogo rugiu de novo.

Ron Weasley apareceu, segurando uma caixa de Sapos de Chocolate e parecendo maravilhado com a televisão gigante na parede.

E então, com uma pirueta elegante para não sujar as vestes, Hermione Granger surgiu, levitando uma pilha de livros que parecia pesar mais do que ela.

— Eles não deixariam a Emma sozinha — Harry disse, limpando os óculos na camisa, olhando para Natasha com um sorriso de desculpas. — E a Hermione disse que perder uma semana de aula era inaceitável, então...

— Então o Professor Dumbledore concordou que "estudos de campo" seriam benéficos — Hermione completou, depositando a pilha de livros na mesa de centro. — Ele mandou o cronograma de aulas, deveres de Transfiguração e Poções, e disse que o Sr. Barnes poderia supervisionar a prática de Defesa Contra as Artes das Trevas, já que ele é o especialista prático.

Natasha olhou para o trio. Olhou para Emma, que tinha saído do quarto ao ouvir o barulho.

A menina ainda estava com os olhos inchados, vestindo o pijama de flanela. Mas quando ela viu os amigos...

Harry correu e abraçou a irmã. Ron deu um tapinha desajeitado nas costas dela, oferecendo um doce. Hermione a abraçou com força, começando a tagarelar sobre como Lupin tinha cancelado a aula seguinte por "motivos de saúde".

Um sorriso pequeno, mas real, apareceu no rosto de Emma.

A culpa no peito de Natasha afrouxou um nó.

Dumbledore era um manipulador, sim. Mas ele sabia que a cura para o trauma de uma criança não era isolamento, era tribo.

— Certo — Natasha disse, cruzando os braços, assumindo o comando. — A casa é de vocês. Tem comida na geladeira, Jarvis atende por comando de voz e a senha do Wi-Fi é "ViuvaNegra01". Se quebrarem algo, o Tony manda a conta.

— Brilhante! — Ron exclamou, correndo para a cozinha.

James apareceu no corredor, observando a cena com um sorriso de lado.

— Parece que nossa semana de tédio foi cancelada.

— Pelo contrário — Natasha respondeu, sentindo o coração mais leve. — Acho que a bagunça vai fazer bem para ela.

Escritório de Natasha. 14:00.

A cobertura estava vibrando com a energia de quatro adolescentes. Risadas vinham da sala, o cheiro de pipoca invadia o corredor, e James estava na sala de estar "supervisionando" (o que significava jogar videogame com o Ron).

Natasha aproveitou a distração para trabalhar. Ela entrou em seu escritório e fechou a porta, abafando o som da felicidade lá fora. O silêncio voltou, e com ele, a seriedade da missão.

Ela se sentou na cadeira de couro giratória. Precisava revisar os relatórios de avistamento de Sirius Black na Escócia. Ela abriu a gaveta central da mesa de mogno para pegar sua caneta favorita.

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora