Capítulo 157

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O Salão Principal de Hogwarts. 1º de Setembro. Noite de Tempestade.

Lá fora, a tempestade castigava o castelo. A chuva batia nas janelas altas como balas de chumbo, e o trovão sacudia as fundações de pedra milenares. O teto encantado do Salão Principal refletia o caos do céu: nuvens negras e roxas giravam violentamente, cortadas por relâmpagos que iluminavam os rostos de centenas de estudantes.

Mas, na Mesa dos Professores, havia uma tempestade diferente. Uma tempestade silenciosa, contida e vestida com a mais alta costura italiana.

Natasha Romanoff estava sentada à direita de Albus Dumbledore. Em um mar de vestes de veludo, chapéus pontudos, barbas longas e tecidos esvoaçantes, ela era uma anomalia visual chocante. Ela não usava vestes bruxas. Ela se recusara terminantemente. Natasha vestia um terno de alfaiataria preto, corte slim, feito sob medida. O tecido era uma mistura de lã fria e seda que custava mais do que a maioria das famílias bruxas ganhava em um ano. A camisa branca por baixo estava impecável, abotoada até o colarinho, sem gravata, destacando a linha elegante e perigosa do pescoço. Nos pés, botas de salto fino, mas com solado tático. O cabelo ruivo estava solto, caindo em ondas perfeitas sobre os ombros estruturados do blazer.

Ela parecia uma lâmina de obsidiana no meio de uma loja de tapeçarias velhas. Ela irradiava poder. Não o poder místico de varinhas, mas o poder do dinheiro, da influência e da letalidade física.

Do seu lugar na mesa da Grifinória, Emma não conseguia tirar os olhos da mãe. Ela cutucou Harry. — Olha pra ela — Emma sussurrou, um sorriso orgulhoso brincando nos lábios. — Ela parece que vai comprar a escola e demitir todo mundo. Harry ajeitou os óculos, impressionado. — Ela faz o Snape parecer mal vestido. E olha que o Snape se esforça no visual gótico.

Natasha, do alto da plataforma, mantinha a expressão neutra. Seus olhos verdes varriam o salão com a precisão de um radar. Ela analisava cada mesa. Corvinal: calmos, observadores. Lufa-Lufa: animados, barulhentos. Sonserina: calculistas. Ela viu Draco Malfoy sussurrando algo com desdém, provavelmente sobre a "trouxa" na mesa principal. Natasha memorizou a localização dele. Grifinória: o caos habitual. Seus olhos pousaram em Emma e Harry. Por um milésimo de segundo, a máscara da Viúva Negra caiu e ela deu um micro-sorriso, quase imperceptível, apenas para eles.

O Banquete de Boas-Vindas chegou ao fim. As travessas de ouro, antes cheias de rosbife, frango assado e tortas, agora estavam limpas e brilhantes. O burburinho no salão aumentou.

Albus Dumbledore se levantou. O salão silenciou instantaneamente. Dumbledore sorria, suas vestes lilás cintilando à luz das velas flutuantes.

— Agora que estamos todos alimentados e, espero, saciados — Dumbledore começou, sua voz ecoando sem esforço —, tenho alguns avisos de início de trimestre para dar a vocês.

Natasha observou a postura dele. Relaxada, mas com controle total da audiência. Um líder nato.

— O Sr. Filch, nosso zelador, pediu-me para lembrar a todos que a lista de objetos proibidos no interior do castelo foi estendida este ano para incluir Ioiôs Berradores, Frisbees Dentados e Bumerangues de Repetição. A lista completa compreende uns quatrocentos e trinta e sete itens, creio eu, e pode ser examinada na sala do Sr. Filch.

Houve alguns risos abafados. Dumbledore continuou, falando sobre a Floresta Proibida (proibida, obviamente) e a proibição de magia nos corredores. Então, a expressão dele mudou. O brilho jovial nos olhos diminuiu, substituído por uma gravidade solene.

— É com grande pesar que informo que a Copa de Quadribol entre as casas não se realizará este ano.

Um grito de indignação explodiu no salão. — O quê?! — Harry e Ron gritaram juntos, incrédulos. Fred e George Weasley pareciam que tinham acabado de ser informados de que o Natal fora cancelado para sempre. Natasha viu a revolta genuína nos rostos das crianças. Pão e circo, ela pensou. Tire o circo, e a plebe se revolta.

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora