Corredor da Cobertura. Sábado, 06:30 da Manhã.
A luz da manhã entrava filtrada pelas cortinas pesadas, pintando o apartamento de tons de cinza e azul-pálido. Londres acordava preguiçosa, sem saber que dentro daquela cobertura, o mundo tinha quase acabado na noite anterior.
A porta do quarto de Emma se abriu com um rangido mínimo. A garota ruiva saiu, descalça, vestindo um pijama de flanela. O cabelo estava uma bagunça de fogo, e o rosto ainda trazia as marcas leves de inchaço do choro, mas seus olhos estavam limpos. O terror imediato do transe tinha recuado, deixando apenas uma exaustão cautelosa.
Ela caminhou na ponta dos pés pelo corredor. Passou pela porta do quarto de hóspedes. Estava fechada. Ela podia ouvir a respiração profunda e ritmada de Harry lá dentro. O irmão estava apagado, o efeito da poção ainda forte.
Emma parou na frente da porta da suíte principal, que estava entreaberta. O instinto gritou para ela verificar. Ela precisava ver. Precisava ter certeza de que a mãe ainda estava lá, inteira, e não quebrada em pedaços como a voz de Voldemort prometera.
Ela empurrou a porta levemente. A cena que viu fez os ombros tensos de Emma relaxarem instantaneamente.
A cama king-size parecia um ninho de lençóis brancos e edredons cinzas. No centro desse ninho, Natasha e James dormiam como se fossem uma única entidade geológica. James estava deitado de costas, ocupando um espaço considerável. O braço de metal reluzia suavemente na penumbra, repousando protetoramente sobre as costas de Natasha. Natasha... bem, Natasha não estava apenas dormindo. Ela estava desmaiada. Ela estava deitada de bruços, meio em cima de James, com o rosto enterrado no pescoço dele, uma perna jogada por cima das pernas dele, e a mão direita agarrada à camiseta dele como se fosse uma âncora.
Era a primeira vez, desde o Natal, que Emma via a mãe dormir sem aquela tensão latente, sem a arma debaixo do travesseiro, sem o franzir de testa de quem está esperando um ataque. Ela parecia em paz. Ela parecia segura.
Um sorriso pequeno, genuíno e cheio de carinho surgiu nos lábios de Emma. — Bom dia, mãe — ela sussurrou sem som. Ela puxou a porta devagar, deixando-os no santuário deles.
Emma foi para a cozinha. O piso frio era bom nos pés descalços. Ela pegou uma tigela, leite e a caixa de cereais trouxas coloridos e cheios de açúcar que a Natasha fingia que não comprava, mas que o James sempre reabastecia. Ela se sentou no balcão, observando a chuva fina lá fora, comendo em silêncio. Pela primeira vez em meses, o silêncio não era assustador. Era apenas manhã.
Suíte Principal. 06:40 da Manhã.
Bzzzzzz. Bzzzzzz.
O alarme do celular de Natasha vibrou na mesa de cabeceira. O som era baixo, mas no silêncio do quarto, parecia uma britadeira.
Geralmente, Natasha Romanoff acordava antes do alarme. Geralmente, ela passava de "dormindo" para "letal" em 0.5 segundos. Hoje, não. Hoje, ela apenas grunhiu. Um som de protesto abafado contra a pele quente do pescoço de James.
James, que já estava meio acordado sentindo a vibração, esticou o braço de carne e tateou a mesa de cabeceira até encontrar o telefone. Ele deslizou o dedo para desligar o alarme. O silêncio voltou.
— Nat... — A voz de James era um retumbo grave no peito dele, vibrando diretamente no ouvido dela. — O alarme tocou.
Natasha apertou o rosto mais contra ele, recusando-se a abrir os olhos. — Mente pra mim — ela murmurou, a voz rouca de sono, arrastada e incrivelmente manhosa. — Diz que é domingo. Diz que o mundo explodiu e a gente não precisa ir trabalhar.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
