Capítulo 122

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Q-Branch. Sede do MI6. Londres. 14:05.

O som mais aterrorizante do mundo não foi uma explosão. Foi um bipe. Um bipe longo, contínuo e agudo que ecoou pelas paredes brancas do laboratório subterrâneo.

Na tela principal, o mapa da Hungria, que antes mostrava um ponto verde pulsante se movendo pela floresta, ficou estático. Ao lado do mapa, os gráficos vitais de Natasha Romanoff — batimentos cardíacos, pressão arterial, temperatura — despencaram verticalmente para uma linha reta implacável.

STATUS: SINAL PERDIDO. SINAIS VITAIS: CESSADOS.

O silêncio que se seguiu ao bipe durou três segundos. O tempo que o cérebro humano leva para processar o impensável.

Então, o caos explodiu na forma de James Barnes.

— NÃO! — O grito de Bucky foi tão visceral que parecia ter rasgado a garganta dele.

Ele avançou sobre a mesa de controle como um animal ferido. Ele empurrou cadeiras, derrubou monitores laterais com o braço de metal, ignorando as faíscas. Ele chegou até Q. Com a mão de carne, Bucky agarrou o jovem intendente pelo colarinho do cardigã e o levantou do chão, prensando-o contra os servidores principais.

— Acha ela! — Bucky rugiu, o rosto a centímetros do de Q, os olhos azuis arregalados, insanos de pânico. — Traz o sinal de volta! Agora! Conserta essa merda!

Q estava pálido, os pés balançando no ar, os óculos tortos. Ele estava tremendo, mas não de medo de Bucky. Ele estava tremendo porque ele tinha visto os dados. — James... solta... — Q engasgou.

— EU DISSE PARA ACHAR ELA! — Bucky sacudiu Q violentamente, lágrimas de raiva escorrendo pelo rosto. — Ela não morreu! Ela não pode morrer! É a Natasha! Ela sai de qualquer coisa! Acha o sinal!

— Não tem sinal, James! — Q gritou de volta, a voz quebrando, lágrimas enchendo seus próprios olhos. — O chip... o chip parou de transmitir!

— Então o chip quebrou! — Bucky insistiu, desesperado.

— O chip é alimentado pela bioeletricidade do coração dela! — Q gritou a verdade brutal, forçando Bucky a ouvir. — Se o coração para, o chip para! Q segurou os pulsos de Bucky, tentando fazê-lo entender a realidade matemática. — James, escute... o jato explodiu. Os sensores térmicos registraram uma bola de fogo de mil graus. A chance de sobrevivência numa queda daquelas, seguida de explosão imediata... era de 2%. — Ela se foi, James. — Q soluçou. — A Natasha se foi.

A força saiu dos braços de Bucky. Ele soltou Q, que escorregou pela parede até o chão, ajeitando a roupa, chorando silenciosamente. Bucky deu dois passos para trás, olhando para a tela com a linha reta. — Não... — ele sussurrou, a negação sendo a única coisa que mantinha suas pernas firmes. — Não. Ela prometeu. Ela disse que eu tinha a retaguarda dela.

No canto da sala, sentado no chão, encostado em uma bancada de metal, estava Clint Barton. O Gavião Arqueiro não gritou. Ele não quebrou nada. Ele apenas ficou imóvel. Ele olhava para o chão, para um ponto inexistente. As lágrimas escorriam pelo rosto dele em silêncio absoluto, pingando no uniforme tático. Ele tinha perdido a parceira. De novo. a Hungria tinha terminado o serviço. A dor era tão antiga e familiar que ele nem tinha forças para reagir. Ele apenas desligou.

Gareth Mallory (M) estava de pé, apoiado em sua bengala, olhando para a tela preta. O chefe do MI6, sempre tão estoico, baixou a cabeça. Ele fechou os olhos com força, uma expressão de dor profunda cruzando seu rosto. Ele tinha dado a ela a carta branca. Ele tinha autorizado a missão. O sangue dela estava nas mãos dele. — Deus tenha piedade de nós... — Mallory sussurrou.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora