Sede do MI6. Nível Subterrâneo - Ginásio de Treinamento Tático. 14:00.
THUD.
O som do impacto ecoou pelo ginásio quase vazio como um tiro de canhão. O saco de areia de alta densidade, projetado para suportar o treinamento de agentes de elite, voou para trás, a corrente de aço retesando no limite.
THUD.
Bucky Barnes não estava treinando. Ele estava se punindo. Ele não usava luvas. Seus nós dos dedos da mão de carne estavam vermelhos e esfolados. A mão de metal brilhava com o suor e o óleo dos servos hidráulicos, que zumbiam alto a cada golpe.
Na cabeça dele, não havia silêncio. Havia a voz dela. A voz arrastada, bêbada e cruel da noite anterior. "O Bond sempre me olhou de um jeito diferente... Ele não vai me mandar tomar água. Ele vai me dar exatamente o que eu preciso."
Bucky girou o quadril e desferiu um cruzado de direita com o braço de vibranium. A corrente não aguentou. Com um estalo metálico agudo, o elo se partiu. O saco de areia de 100 quilos voou pelo ar e aterrissou a três metros de distância, estourando na costura e derramando areia no chão emborrachado.
Bucky ficou parado, o peito subindo e descendo violentamente, o suor pingando do nariz. A raiva não tinha passado. A imagem de Natasha na cama com outro homem — especialmente com aquele homem — era um ácido que corroía o estômago dele.
Não era apenas ciúmes. Era insegurança. Ele sabia o que ele tinha se tornado no último mês: o enfermeiro. O cozinheiro. O motorista. O homem que dizia "não". O homem que trazia pílulas e cobertores. James Bond? Bond era o perigo. Bond era a aventura. Bond era o sexo sem compromisso, sem o peso de traumas compartilhados, sem o medo de que ela quebrasse no meio do ato. Bond era o que a Natasha queria. Bucky era o que ela precisava. E ser apenas o que alguém precisa, mas não o que alguém deseja, é uma morte lenta para um amante.
Foi quando ele olhou para a parede de vidro que separava o ginásio do corredor principal. E o sangue dele, que já estava quente, ferveu instantaneamente.
Ela estava lá. Natasha. Não a Natasha de pijama e coque bagunçado que ele deixou de manhã. Ela estava vestida para matar. Calça preta justa, botas de salto alto que faziam aquele barulho autoritário no chão, jaqueta de couro acinturada e o cabelo ruivo solto, caindo em ondas perfeitas sobre os ombros. Ela tinha vindo falar com M sobre a "excursão" a Hogwarts. E, pelo jeito que ela andava, M tinha aceitado as explicações.
Mas ela não estava sozinha. Caminhando ao lado dela, perigosamente perto, estava James Bond. O 007 estava impecável em seu terno, com as mãos nos bolsos, inclinado levemente na direção dela, falando algo que fez Natasha sorrir. Não um sorriso educado. Um sorriso de canto de boca, misterioso.
Bucky saiu do ginásio. Ele nem pegou a toalha. Ele marchou até o corredor, bloqueando o caminho dos dois. A postura dele era agressiva, territorial. O peito subia e descia rápido.
— O que você está fazendo aqui? — Bucky perguntou, a voz saindo mais ríspida do que ele planejava. Ele ignorou Bond completamente, focando os olhos azuis tempestuosos nela.
Natasha parou. Ela olhou para Bucky de cima a baixo. Viu o suor, viu os nós dos dedos vermelhos, viu a veia pulsando no pescoço dele. Ela sabia exatamente o que era aquilo. Ciúmes. Puro, bruto e sem filtro. E, Deus, como ela sentiu falta de ver ele olhando para ela com essa intensidade, em vez daquele olhar de "enfermeiro preocupado".
— Fui convocada — Natasha respondeu calmamente, cruzando os braços. — M queria explicações sobre minha visita a Hogsmeade. Tudo resolvido. Já estou indo para casa.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
