Banheiro do Chalé. 22:30.
O banheiro estava saturado de vapor, embaçando o espelho e criando uma atmosfera úmida e abafada. O único som era o da água caindo suavemente da esponja que Natasha apertava.
Emma estava sentada na banheira. Ela ainda vestia a camiseta branca de baixo do uniforme, agora molhada e colada à pele, porque Natasha não quis forçá-la a ficar nua. Ela parecia uma boneca de porcelana quebrada: os olhos verdes fixos na torneira, as pupilas ainda dilatadas pelo choque da invasão mental, o corpo tremendo em espasmos ritmados apesar da água quente.
Natasha estava ajoelhada no tapete ao lado da banheira. As mangas de sua camisa estavam dobradas. O cabelo estava caindo no rosto. Ela passou a esponja macia no rosto da filha. A água na esponja ficou rosa. Era o sangue seco que tinha escorrido do nariz e da cicatriz de Emma quando Voldemort forçou a entrada em sua mente.
Natasha mergulhou a esponja na água novamente, torcendo-a. Enquanto fazia isso, ela sentiu as lágrimas quentes escorrerem pelo seu próprio rosto, pingando na água da banheira, misturando-se ao sangue diluído. Ela não soluçava. Ela chorava em silêncio, uma dor corrosiva de quem falhou na única missão que importava: proteger a inocência da filha.
— Mãe... — A voz de Emma saiu num sussurro rouco, quebrando o transe.
Natasha parou a esponja no ar. Ela limpou o próprio rosto rapidamente com o ombro, tentando esconder a fraqueza. — Estou aqui, querida. Estou limpando você. Já vai passar.
Emma virou a cabeça devagar. Os olhos dela focaram em Natasha. Não havia a confusão de antes. Havia clareza. A clareza aterrorizante de quem ouviu uma sentença de morte.
— Ele disse que ia matar você — Emma disse. A voz dela começou a subir de tom, o ar faltando. — Ele me mostrou, mãe. Na minha cabeça. Ele mostrou você gritando. Ele disse que ia te quebrar pedaço por pedaço.
— Emma, foi só uma ameaça... — Natasha tentou, segurando o braço molhado da filha.
— NÃO! — Emma gritou, e a água espirrou quando ela tentou se levantar, escorregando e caindo de volta, o pânico tomando conta. Ela começou a hiperventilar. Hah-hah-hah. O peito subia e descia violentamente. Ela agarrou as mãos de Natasha com força desesperada, as unhas cravando na pele da mãe. — Se ele te matar... o que eu vou fazer? Eu não sei viver sem você! — Eu não posso ficar sozinha, mãe! Eu não posso! Não deixa ele te levar! Por favor!
A garota estava colapsando. O terror de perder a âncora era maior do que o medo do próprio Voldemort.
Natasha endureceu. Ela não podia ser a mãe chorosa agora. Ela precisava ser a rocha. A Viúva. Ela segurou o rosto molhado de Emma com as duas mãos, firmemente, obrigando-a a parar de se debater. Natasha entrou no campo de visão de Emma, bloqueando todo o resto.
— EMMA! — Natasha chamou, voz de comando. — Olhe para mim! Respire!
Emma engasgou, puxando o ar, os olhos arregalados, lágrimas misturando-se com a água do banho.
— Olhe para mim — Natasha repetiu, mais baixo, intenso, com os olhos verdes perfurando o pânico da filha. — Você está vendo quem eu sou? — Eu sou Natasha Romanoff. Eu fui treinada para sobreviver quando todos os outros morrem. — Eu enfrentei exércitos. Eu enfrentei deuses nórdicos. Eu enfrentei robôs assassinos. — E eu ainda estou aqui.
Ela encostou a testa na testa molhada de Emma. — Aquele monstro sem nariz acha que pode me assustar? Ele não sabe com quem está lidando. — Eu não vou morrer, Emma. Eu sou difícil demais de matar. — Você me ouviu? Eu não vou a lugar nenhum.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
