Capitulo 98

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Estação King's Cross. Plataforma 9 ¾. 1º de Setembro. 10:45.

A fumaça branca da locomotiva escarlate envolvia a plataforma, criando uma atmosfera de sonho e despedida. O barulho era ensurdecedor: corujas piando, gatos miando, baús sendo arrastados e pais gritando recomendações de última hora.

James caminhava logo atrás de Emma e Natasha, carregando o baú pesado da menina com uma facilidade irritante (o braço de metal tornava o peso irrelevante). Ele estava quieto, respeitoso, mantendo a promessa de ser apenas um suporte hoje.

Natasha ajeitou o cachecol da Grifinória no pescoço de Emma.

— Você tem tudo? Varinha? O livro de Trato das Criaturas Mágicas que tenta morder sua mão?

Emma riu, revirando os olhos.

— Tenho, mãe. Relaxa. Eu não sou o Neville, não vou perder meu sapo.

James colocou o baú no compartimento do trem e voltou para o lado delas. Ele colocou as mãos nos bolsos, olhando para Emma com um carinho contido.

— Juízo, Emma. E se algum sonserino mexer com você...

— Eu sei — Emma sorriu, maliciosa. — "Mire no nariz."

— Exato — James piscou. — Divirta-se.

Emma abraçou James rápido, depois se virou para Natasha. O abraço foi longo, apertado. Natasha cheirou o cabelo da filha, sentindo aquele aperto no peito que toda mãe sente no dia 1º de setembro.

— Eu te amo, Little Red. Fique segura.

Assim que Emma subiu no trem para encontrar Harry, Ron e Hermione, a multidão começou a se dispersar levemente.

James recuou alguns passos para dar espaço, ficando perto de uma coluna, observando a movimentação.

Foi nesse momento que Arthur Weasley surgiu da fumaça.

O patriarca dos Weasley, geralmente jovial e fascinado por tudo que fosse trouxa, não estava sorrindo. Ele parecia pálido, tenso, olhando para os lados como se esperasse um ataque.

Ele viu Natasha.

— Natasha — Arthur chamou, a voz baixa, urgente. Ele fez um gesto discreto de cabeça para um canto mais afastado da plataforma, longe dos ouvidos curiosos de Molly e das crianças que embarcavam no trem.

Natasha franziu a testa. Ela fez um sinal rápido para James — "já volto, mantenha os olhos neles" — e seguiu Arthur até atrás de uma pilha de malões esquecidos perto do pilar de tijolos.

— Arthur? O que houve? Aconteceu algo com o Harry?

Arthur Weasley se aproximou dela, invadindo seu espaço pessoal de uma maneira que ele nunca faria em circunstâncias normais. Ele estava pálido, suando frio sob o chapéu-coco. Ele colocou a mão no ombro dela, apertando o tecido do casaco com força.

— Eu sei o que o Ministério pediu para você fazer — Arthur sussurrou, os olhos fixos nos dela, implorando compreensão. — Eu sei sobre a missão. Eu sei que Fudge e Dumbledore colocaram a caça ao Sirius Black nas suas mãos.

A postura de Natasha mudou instantaneamente. A mãe desapareceu. A Agente da Sala Vermelha assumiu o controle. — Isso é confidencial, Arthur.

— Ao inferno com a confidencialidade! — Arthur sibilou, o rosto vermelho de tensão. — Eles são meus filhos agora, Natasha. O Harry é como um filho para mim, assim como a Emma é sua. E você precisa saber a verdade. A verdade que o Fudge não teve coragem de colocar no dossiê porque tem medo do pânico que causaria.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora