Laboratório Secreto do Q-Branch. Londres. 10:45 da Manhã.
O laboratório de Q era um santuário de vidro, aço e luzes LED brancas. O ar era filtrado, estéril e cheirava a ozônio e chá Earl Grey. Natasha estava sentada em uma cadeira de exames oftalmológicos de alta tecnologia, o queixo apoiado no suporte, enquanto Q — vestindo um cardigã de lã que parecia ter sido tricotado por sua avó — digitava furiosamente em um teclado holográfico flutuante.
— Tente não piscar, 00... Natasha — Q corrigiu-se, murmurando. — A calibração da interface neural é delicada. Se você piscar agora, vai ver o mundo em tons de fúcsia pelas próximas três horas.
— Você está demorando, Q — Natasha disse, os olhos fixos num ponto de luz azul. — O Stark disse que o patch de atualização era plug-and-play.
— O Sr. Stark considera "plug-and-play" qualquer coisa que não exija um reator nuclear para ligar. O código dele é uma bagunça arrogante. Eu estou limpando a sintaxe. — Q resmungou, mas havia um respeito técnico na voz dele. — Pronto. Ele apertou uma tecla final. — Teste de áudio. Vou simular a frequência do grito do ovo, mas atenuada.
Um zumbido agudo encheu a sala. Imediatamente, as lentes de Natasha reagiram. Uma barra vermelha apareceu em sua visão periférica: ÁUDIO SÔNICO DETECTADO. FILTRO ATIVO. O som foi cortado abruptamente, substituído por um silêncio suave, como ruído branco.
Natasha relaxou os ombros, desencostando a cabeça do suporte. — Silêncio. — Ela sorriu, aliviada. — Graças a Deus. Meus neurônios agradecem.
— Adicionei algumas funcionalidades extras, já que você insiste em viver num romance de fantasia medieval perigoso. — Q girou a cadeira para encará-la. — Visão térmica aprimorada para detectar assinaturas de calor de sangue frio — útil para répteis gigantes. E um analisador de espectro que tenta identificar resíduos de magia no ar.
— Você é um salva-vidas, Q. — Natasha piscou, sentindo as lentes confortáveis, sem a irritação de antes. — Sério. Isso vai me dar uma vantagem tática enorme na Segunda Tarefa.
— Apenas tente trazer o equipamento inteiro dessa vez. Orçamento, Natasha. Orçamento.
Natasha estava rindo, levantando-se para pegar seu casaco, quando seu smartwatch tático vibrou no pulso. Não era uma vibração de e-mail. Era o padrão triplo. Prioridade Alta. Ela olhou para o relógio.
A mensagem de James brilhava na tela pequena: ALVO: YELENA. LOCAL: SALA DE ESTAR. STATUS: COMENDO NOSSOS ESTOQUES.
O sorriso de Natasha congelou. O sangue dela esfriou nas veias. Yelena. Faziam seis meses. Cento e oitenta dias de silêncio absoluto. Depois que Dreykov morreu, depois que a Sala Vermelha caiu, Natasha acordou em casa com James ao seu lado segurando um papel. Yelena tinha deixado um bilhete dizendo que precisava de tempo. Que precisava descobrir quem ela era sem as ordens. Natasha respeitou. Mas depois de três meses, ela começou a procurar. E não achou nada. Yelena era a melhor Viúva de sua geração em furtividade. Se ela não quisesse ser achada, nem Deus a achava.
E agora, ela estava lá. Na casa dela. Com a filha dela. Por quê? Ela estava ferida? Estava em perigo? Tinha alguém perseguindo ela? Ou pior... ela veio se despedir?
— Natasha? — Q chamou, notando a mudança brusca na postura dela. A mulher relaxada tinha sumido; a assassina estava de volta. — Algo errado com as lentes?
— Não. — Natasha pegou o casaco e vestiu-o com movimentos rápidos e secos. — As lentes estão perfeitas. É... pessoal. — Eu preciso ir, Q. Obrigada por tudo.
— Natasha, seus batimentos cardíacos subiram para 110. — Q observou no monitor biométrico que ainda estava conectado às lentes.
— Eu sei. — Natasha já estava na porta. — Invasão de domicílio pela família. É mais estressante que desarmar bombas.
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Daughter of No One
Fiksi PenggemarHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
