Capítulo 141

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Ginásio do MI6. Uma semana depois. 15:30.

Londres estava passando por um daqueles raros dias de abril onde o sol decidia não apenas aparecer, mas queimar. O ar estava abafado, pesado, um prenúncio de verão que fazia o subsolo do MI6 parecer uma estufa.

No tatame, o calor era gerado por outros motivos. Natasha Romanoff e James Bond estavam no meio de uma sessão de sparring que parecia mais uma dança coreografada de violência elegante. Desta vez, não havia segundas intenções da parte dela. Bond era, tecnicamente, o único no prédio que conseguia acompanhar o ritmo aprimorado dela sem que ela precisasse se segurar (porque Bucky se recusava a lutar com força total desde o incidente do braço torcido).

Bond era rápido. Ele usava o peso dela contra ela, judô clássico misturado com truques sujos de briga de rua. Natasha girou, tentando um chute alto. Bond bloqueou com o antebraço e deslizou para dentro da guarda dela, girando o quadril e prensando-a contra a parede acolchoada do ginásio.

O impacto foi forte. Os corpos estavam colados. O terno de treino de Bond contra o top de lycra de Natasha. Bond segurou os pulsos dela contra a parede, imobilizando-a. A posição era inegavelmente íntima.

Do outro lado do ginásio, encostado nos pesos livres, James Barnes assistia. Ele não estava piscando. A mão de metal estava apertando uma barra de ferro maciço com tanta força que o aço estava começando a entortar, deixando as marcas dos dedos impressas no metal. Ele sabia que era treino. Ele sabia que Bond era um colega. Mas ver aquele homem, com aquele cheiro de colônia cara e arrogância, prensando a sua mulher na parede... o sangue de Bucky virou lava.

Foi então que Bond inclinou a cabeça. Ele aproximou os lábios da orelha de Natasha. Bucky viu o movimento. Viu a respiração dele mover uma mecha do cabelo ruivo dela. — Se o olhar matasse, Romanoff... — Bond sussurrou, divertido, baixo demais para qualquer microfone pegar. — ...o seu Soldado já teria me desintegrado e espalhado minhas cinzas no Tâmisa. Ele está a um segundo de arrancar minha cabeça.

Natasha olhou para Bucky por cima do ombro de Bond. Viu a fúria contida nos olhos azuis. E ela sorriu. Não um sorriso de escárnio. Um sorriso genuíno, de quem achou a observação de Bond hilária e, secretamente, adorou ver o Soldado perder a compostura.

Aquele sorriso foi o gatilho. Bucky soltou a barra de ferro, que caiu com um estalo metálico no chão. Ele deu um passo à frente, pronto para intervir e mandar o protocolo diplomático britânico para o inferno.

Ahem!

Q apareceu na porta, olhando nervosamente para o relógio. — Desculpe interromper o... acasalamento tático de vocês, mas M acaba de pousar no heliporto. Ele estará aqui em 20 minutos e quer relatórios de progresso. Se ele vir vocês suados e flertando, ele corta o orçamento do café.

Bond soltou Natasha imediatamente, ajeitando a postura. — Obrigado, Q. Sempre o portador de boas novas. Ele piscou para Natasha. — Obrigado pela dança, Diretora.

Natasha se afastou da parede, ajeitando o rabo de cavalo. — Até mais, 007.

Ela pegou sua toalha e caminhou em direção ao vestiário feminino, passando por Bucky sem parar, mas deixando um rastro de perfume e calor. — Vou tomar banho — ela anunciou, sem olhar para ele.

Vestiário Feminino. 15:45.

O vestiário estava vazio e silencioso, exceto pelo zumbido do ar condicionado. Natasha parou na frente do banco, tirou os tênis e começou a desenrolar as bandagens das mãos. Ela sabia que ele viria. Ela sentia a presença dele como uma mudança na pressão atmosférica.

A porta do vestiário se abriu. Não houve batida. Natasha olhou pelo espelho. Bucky entrou. Ele trancou a porta atrás de si com um click audível. Ele caminhou até ela com passos pesados, predatórios. O rosto dele não tinha nada daquele "bom moço" que levava chocolate para a enteada. Era o rosto de um homem que tinha chegado ao limite.

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora