Cobertura de Londres. 20:00.
O silêncio que se seguiu à ameaça de Natasha não foi de paz. Foi o silêncio do vácuo, aquele instante aterrorizante logo após uma granada explodir e antes que os ouvidos comecem a zumbir.
James ainda estava encostado na parede, a mão massageando o pescoço onde o antebraço dela tinha pressionado a traqueia. A marca vermelha já começava a aparecer na pele pálida. Ele olhava para ela não com medo, mas com um reconhecimento atordoado. Ele tinha acabado de ver a Viúva Negra. Não a vingadora, não a mãe, mas a lenda soviética.
Natasha não recuou. Ela caminhou até o bar, serviu uma dose de vodca pura — não para beber, mas para ter algo frio nas mãos — e se virou para encarar o homem que amava.
— Sente-se — ela ordenou. Não foi um grito. Foi um comando tático.
Ela não se sentou. Ela ativou a interface holográfica com um movimento brusco da mão.
— Você disse que eu tive sorte — Natasha começou, a voz baixa, reverberando nas paredes acústicas. — Você disse que a Fênix foi um acaso. Que eu sou imprudente.
Ela digitou um comando de autorização. O ar ao redor deles se encheu de luz.
Ela digitou um comando de autorização. O ar ao redor deles se encheu de luz.
Não eram apenas arquivos. Eram centenas de janelas flutuantes. Mapas globais. Perfis de alvos. Relatórios de autópsias. Vídeos de vigilância mágica e trouxa.
— Olhe para isso, James — ela ordenou, apontando para o vórtice de dados. — Isso não é o trabalho de alguém que conta com a sorte.
James olhou. Seus olhos de atirador varreram as telas. Ele viu datas. Jacarta. 3 de Março. São Petersburgo. 12 de Abril. Beco Diagonal. 5 de Maio. Floresta Proibida. 20 de Junho.
— Duzentas e quatro missões sancionadas em cinco meses — Natasha narrou os números com frieza cirúrgica. — Duzentas e quatro. Cento e cinquenta no mundo mágico. Cinquenta e quatro no mundo civil. Taxa de sucesso? 100%. Taxa de baixas civis? Zero.
James sentiu um nó no estômago. O volume era insano. Ninguém operava nesse ritmo. Nem o Capitão América no auge da guerra.
— Como? — ele sussurrou, atordoado. — Como você teve tempo?
— Eu não durmo — ela respondeu, simples. — Eu não tenho esse luxo. Porque a Emma não é uma criança normal, James. Ela é um alvo.
Natasha fez um gesto, e a imagem de Albus Dumbledore apareceu em uma das telas, ao lado de fotos de Comensais da Morte e relatórios sobre Voldemort.
— Você acha que eu pedi esse cargo? — Natasha riu, um som amargo. — Você acha que eu acordei um dia e pensei "quero ser a babá do mundo mágico"? Não. Isso foi colocado no meu colo. Dumbledore... aquele velho manipulador brilhante... ele deixou claro. A guerra está voltando. Voldemort não morreu. E a Emma? A Emma está na linha de frente porque ela é a irmã do Eleito.
Natasha se aproximou de James, seus olhos verdes queimando com a intensidade de quem protege a cria.
— Ela vai ser caçada, James. Hoje, amanhã, daqui a cinco anos. Enquanto o Harry Potter respirar, a Emma terá um alvo nas costas. E a única coisa, a única coisa que fica entre ela e a morte, sou eu.
Ela apontou para o próprio peito. — Eu tive que me tornar essencial para o MI6 e para o Ministério da Magia. Eu tive que me tornar a Agente 00. Porque se eu controlo a inteligência, eu controlo as ameaças. Eu elimino os monstros antes que eles cheguem perto da cama dela. A Câmara Secreta? Eu não desci lá por imprudência. Eu desci lá porque era a minha filha. E eu faria de novo. Eu quebraria todas as costelas de novo. Eu morreria mil vezes se isso garantisse que ela saísse viva.
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Daughter of No One
Fiksi PenggemarHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
